Tempo de Travessia

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Não sei se estou perto ou longe demais, sei apenas que sigo em frente, vivendo dias iguais de forma diferente.
Levo comigo cada recordação, cada vivência, cada lição.
E mesmo que tudo não ande da forma que eu gostaria, saber que já não sou a mesma de ontem me faz perceber que valeu a pena. Aprendi que viver é ser livre, que ter amigos é necessário, que lutar é manter-se vivo.
Aprendi que o tempo cura, que a mágoa passa, que decepção não mata!
Que hoje é o reflexo de ontem, que os verdadeiros amigos permanecem para sempre e que a dor fortalece.
Aprendi que sonhar não é fantasiar, que a beleza não está no que vemos e sim no que sentimos!
Aprendi que um sorriso é a maneira mais barata de melhorar a aparência.
Que não posso escolher como me sinto, mas posso escolher o que fazer a respeito.
Aprendi que não é preciso correr atrás da felicidade, ela está nas pequenas coisas, e hoje, sei que posso ser e fazer o que quiser, mas a gente é aquilo que faz, é o que vale a pena e só o que permanece…
Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares…
É o tempo da travessia… e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.

[ Fernando Teixeira de Andrade ]

Indaguei a mente

Vai teu corpo, leva de mim
Teu passado todo
Consolo
E ficar por aqui
Vai ter a quaresma na terra
E a guerra não deve existir
Só rima com escravos, não cravos
De bonitas rosas
Já que indaguei a mente e não a alma
Que bonita flor
Primeiro a imaginação
Depois eu poderia pôr
Você faz bem isso
Que te amo
Já que indaguei a mente
E não a alma
Elegi o amor

(Indaguei a mente – Otto)

Deus me proteja

Deus me proteja de mim
e da maldade de gente boa.
Da bondade da pessoa ruim
Deus me governe e guarde
ilumine e zele assim

Deus me proteja de mim
e da maldade de gente boa.
Da bondade da pessoa ruim
Deus me governe e guarde
ilumine e zele assim

Caminho se conhece andando
Então vez em quando é bom se perder
Perdido fica perguntando
Vai só procurando
E acha sem saber
Perigo é se encontrar perdido
Deixar sem ter sido
Não olhar, não ver
Bom mesmo é ter sexto sentido
Sair distraído espalhar bem-querer

(Deus Me Proteja – Chico César)

A mente religiosa

941641_233468170111392_1991976513_nA mente religiosa é aquela que não está ligada a nada; só ela pode descobrir o que é verdadeiro e o que é falso. Só ela pode descobrir se há, ou não, uma Realidade, Deus, uma coisa Atemporal — mas não a mente ligada a alguma coisa, a mente que crê ou não crê. Por certo, não tem mente religiosa o homem que vai à igreja, que pratica puja e toda espécie de artifícios. A mente religiosa vê a falsidade de tudo isso,totalmente, completamente; assim sendo, porque é livre e não está firmada numa posição, numa base, da qual parte para investigar, ela inicia sua investigação livremente. Essa mente, por conseguinte, é desapaixonada, sã, racional, capaz de raciocinar — e tal é, afinal de contas, a característica da mente cientifica. Mas a mente cientifica não é uma mente religiosa. A mente científica está interessada em examinar uma certa parte da existência, um segmento da vida; a mente científica, portanto, não pode compreender a totalidade que a mente religiosa compreende.

Para se ter essa mente religiosa, necessita-se de uma revolução, não econômica ou social, porém psicológica — uma revolução na psique, no próprio processo de nosso pensar. Ora, como fazer despontar essa mente? Vemos a necessidade dessa mente — da mente nova, sem fronteiras; da mente nova, não ligada a nenhum grupo, raça, família, cultura ou civilização; da mente nova que não resulta da moralidade social. A moralidade social não é moralidade nenhuma, pois só lhe interessa a moral sexual; cada um pode ser ambicioso, cruel, vão e invejoso, à vontade. E a moral social é a inimiga da mente religiosa.

Assim, como nascerá a mente religiosa, a mente nova? Como trataríeis de obtê-la? Esta não é uma pergunta retórica. A todos nós se apresenta este problema; como ter uma mente fresca, jovem, nova — pois a mente velha não resolveu coisa alguma e multiplicou os seus problemas. Como trataríeis disso, que empreenderíeis para suscitar essa mente? Precisais de algum sistema, algum método? Vede, por favor, a importância desta pergunta que estou fazendo, vede o seu significado. Necessitamos de uma mente nova, que é de essencial importância; mas como alcançá-la? Por meio de algum método — que é sistema, prática, ação que se repete dia por dia? Um método pode produzir a mente nova? Averiguai, investigai isso junto comigo; não vos limiteis a ouvir-me e depois tornar a pensar que necessitais de uma prática, um método, para adquirirdes a mente nova.

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