A chuva de sol

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A CHUVA DE SOL

Um choro jogado do sol
Trazendo sua fria água dourada
De repente, chegou resplandescente.

Era perfeito o brilho da chuva
Cantando uma canção muda para mim
Limpou minha cinza em chamas.

Alexandre Hamada Possi*
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Aluno do curso de letras da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas – USP

(Tradução por Sarkis Ampar Sarkissian)

O Louco

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O Louco

Perguntais-me como me tornei louco.

Aconteceu assim:

Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas – as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas – e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente gritando: “Ladrões, ladrões, malditos ladrões!”

Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim.

E quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado no telhado de uma casa gritou: “É um louco!”

Olhei para cima, para vê-lo. O sol beijou pela primeira vez minha face nua.

Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, e minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais minhas máscaras. E, como num transe, gritei: “Benditos, benditos os ladrões que roubaram minhas máscaras!”

Assim me tornei louco.

E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura: a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.

(Gibran Khalil Gibran)

Eu não aguento

Eu não aguento, eu não aguento
Eu não aguento, eu não aguento
É de noite é de dia, mão na cabeça e documento!

Eu não aguento, eu não aguento
Eu não aguento, eu não aguento
É de noite é de dia, mão na cabeça e documento!

Eu vou me embora para a ilha, fazer a cabeça
Sob o sol que irradia,
queimando em ritual
É na batida do reggae,
com o cabelo trançado
Eu tô livre na vida,
o que é que há de errado
Com a noite que brilha,
o que é que há de errado
Com a noite que brilha?

Eu vou me embora para a ilha, fazer a cabeça
Sob o sol que irradia,
queimando em ritual
É na batida do reggae,
com o cabelo trançado
Eu tô livre na vida,
o que é que há de errado
Com a noite que brilha,
o que é que há de errado
Com a noite que brilha?

Eu não aguento, eu não aguento
Eu não aguento, eu não aguento
É de noite é de dia, mão na cabeça e documento!

Eu não aguento, eu não aguento
Eu não aguento, eu não aguento
É de noite é de dia, mão na cabeça e documento!

Eu vou me embora para a ilha, fazer a cabeça
Sob o sol que irradia,
queimando em ritual
É na batida do reggae,
com o cabelo trançado
Eu tô livre na vida,
o que é que há de errado
Com a noite que brilha,
o que é que há de errado
Com a noite que brilha?

Eu vou me embora para a ilha, fazer a cabeça
Sob o sol que irradia,
queimando em ritual
É na batida do reggae,
com o cabelo trançado
Eu tô livre na vida,
o que é que há de errado
Com a noite que brilha,
o que é que há de errado
Com a noite que brilha?

Eu não aguento, eu não aguento
Eu não aguento, eu não aguento
É de noite é de dia, mão na cabeça e documento!

Eu não aguento, eu não aguento
Eu não aguento, eu não aguento
É de noite é de dia, mão na cabeça e documento!

Eu não aguento, eu não aguento
Eu não aguento, eu não aguento
É de noite é de dia, mão na cabeça e documento!

Eu não aguento, eu não aguento
Eu não aguento, eu não aguento
É de noite é de dia, mão na cabeça e documento!

Mão na cabeça e o documento!

É malandragem a vida não tá fácil não
Mas deixa que eu seguro essa bronca
Se liga…

Mão na cabeça e o documento!

A vida para mim não preservou mais nada
Eu fico esperando ela terminar
A arma para mim agora está apontada
Só mais uma geral que eu tenho que aguentar

Tá liberado vai embora some da minha frente
Se te encontro novamente vou te enquadrar
Não posso mais viver a vida alegremente
Tem sempre autoridade para me descriminar

Todo mundo pinta o sete
Eu também quero pintar!

Todo mundo pinta o sete
Eu também quero pintar!

Todo mundo pinta o sete
Eu também quero pintar!

Todo mundo pinta o sete
Eu também quero pintar!

(Eu não aguento – Titãs)

U2 – Gone (new mix)

Gone

You get to feel so guilty
Got so much for so little
Then you find that the feeling just won’t go away.
You’re holding on to every little thing so tightly
Till there’s nothing left for you anyway.

Goodbye, you can keep this suit of lights
I’ll be up with the sun
I’m not coming down
I’m not coming down
I’m not coming down.

Foi

Você se sente tão culpado e
conseguiu tanto por tão pouco
Então você descobre que o sentimento não irá desaparecer.
Você está agarrando toda pequena coisa tão firmemente
Até que não reste nada deixado por você de qualquer maneira.

Adeus, você pode manter esse terno de luzes
Eu ficarei enaltecido com o sol
Eu não estou desanimando…
Eu não estou desanimando…
Eu não estou desanimando.

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Sobre o medo

Do medo se alimentam
apenas os demônios
que repousam
no mármore frio
da penumbra do umbral.

Corroem carne putrefata
jogada à sarjeta,
alimento da lata
para o monstro do pântano!

São as sombras
que vagueiam
pelo certame
dos sonhos
e a visão turva
causada pela
falta de sol.

(Anderson Porto)

O Sol

( ou, O que se esconde por trás da Lua )

E de repente encontrei o sol,
E ele novamente me aqueceu.
Senti a vida, as cores, formas e paisagens,
e passei a enxergar coisas que pensava
estarem muito bem escondidas.
Das trevas que nublavam minha visão,
agora só restam lembranças.

Acontece que de tão bonito,
bastou fitar por um átimo instante
e tornei a ficar cego.
O brilho e a luz que tanto me pasmaram
queimaram minha retina.
E, cego, não sei por qual caminho trilhar.
Estou cheio de vida, entupido de luz,
mas imóvel,
perdido,
sem rumo.
Falta-me segurança e coragem
para voltar a caminhar.

Toda a confiança que sei que existe em mim
está escondida em algum canto deste
[machucado peito].
Sei, sim, que não sou mais o mesmo.
E que nada mais será igual.

Quisera não ter te contemplado, sol.
E, calado, desbravado esta imensa selva,
coberta de trevas que conhecia,
onde pelo menos eu trilhava,
mesmo sem saber para onde ia.

Quisera não ter te conhecido, sol.
Não ter visto teu reluzente brilho;
Não ter sentido teus afagos;
Não ter sido aquecido;
Não ter, enfim, me envolvido.

Quisera não ter te admirado, sol.
Sem que ao menos pudesse tocá-lo,
sentir teu perfume,
provado teu gosto,
sorver teu calor.

Porque agora, após teu nascer,
só consigo enxergá-lo
refletido na lua.