Vergonha

Pronunciamento de Rui Barbosa no senado em dezembro de 1914. Neste período o Rio de Janeiro ainda era a Capital do Brasil. As ilustrações seguem propositalmente de forma anacrônica.

Rui-barbosa-011
Rui-barbosa-021

Fonte: [ Poesia em Quadrinhos ]

Anúncios

A lenda da guerra às drogas

1480721_636871549704950_492875529_n

“Nada mais conveniente para um governo em ruína do que a oportunidade de uma guerra, porque nada dissolve tao rapidamente contradições quanto a identificação de inimigos, diante dos quais a sociedade dividida se coesiona e reforça a autoridade de seu líder.

Foi assim com Videla, a crise da ditadura argentina e a guerra das Malvinas. Foi assim com Reagan, a crise social pós-queda do muro e a guerra às drogas.

Foi assim com Bush, a crise interna de legitimidade e a guerra ao terror.

E será assim com Cabral, o desastre de seu governo e a guerra ao trafico 2, o retorno, buscando reeditar a invasão militar do Alemão, com a cumplicidade ativa do governo federal e a cobertura preciosa da mídia neutra e objetiva.

A refilmagem do Alemão, sucesso de publico e critica, em 2010, não seria possível sem tropas federais, cuja presença converte ações de (in)segurança pública em operação bélica, requalificando suspeitos de delitos como inimigos.

Diz-se, com razão, que o patriotismo eh o último refugio dos canalhas. Talvez se devesse acrescentar que o teatro da guerra ao tráfico, na abertura do ano eleitoral e nas vésperas de uma Copa contestada, eh o ultimo suspiro da pusilanimidade política.”

(Luiz Eduardo Soares)
https://www.facebook.com/luizeduardo.soares.716

Ocupa Câmara RJ

4_dia_ocupacao_camara_rj

No quarto dia de ocupação da Câmara Municipal do Rio de Janeiro os ocupantes que permaneceram trancados no prédio fizeram uma homenagem aos manifestantes que apoiam o movimento com a resistência do lado de fora. Duas estatuas de cunho religioso tiveram seus rostos tapados por camisas, fazendo uma alusão direta aos milhares de manifestantes que vão diariamente às ruas.

Foto: Mídia NINJA

Eles

Em volta da mesa
Longe do quintal
A vida começa
No ponto final
Eles têm certeza
Do bem e do mal
Falam com franqueza do bem e do mal
Crêem na existência do bem e do mal
O porão da América
O bem e o mal
Só dizem o que dizem
O bem e o mal
Alegres ou tristes
São todos felizes durante o Natal
O bem e o mal
Têm medo da maçã
A sombra do arvoredo
O dia de amanhã
Eis que eles sabem o dia de amanhã
Eles sempre falam num dia de amanhã
Eles têm cuidado com o dia de amanhã
Eles cantam os hinos no dia de amanhã
Eles tomam bonde no dia de amanhã
Eles amam os filhos no dia de amanhã
Tomam táxi no dia de amanhã
É que eles têm medo do dia de amanhã
Eles aconselham o dia de amanhã
Eles desde já querem ter guardado
Todo o seu passado no dia de amanhã
Não preferem São Paulo, nem o Rio de Janeiro
Apenas tem medo de morrer sem dinheiro
Eles choram sábados pelo ano inteiro
E há só um galo em cada galinheiro
E mais vale aquele que acorda cedo
E farinha pouca, meu pirão primeiro
E na mesma boca senti o mesmo beijo
E não há amor como o primeiro amor
Como primeiro amor
Que é puro e verdadeiro
E não há segredo
E a vida é assim mesmo
E pior a emenda do que o soneto
Está sempre à esquerda a porta do banheiro
E certa gente se conhece no cheiro
Em volta da mesa
Longe da maçã
Durante o natal
Eles guardam dinheiro
O bem e o mal

Pro dia de amanhã
Que maravilhoso país o nosso, onde se pode contratar
quarenta músicos para tocar um uníssono
(Miles Davis, durante uma gravação)

(Eles – Caetano Veloso)

Nunca serão

Eu caminhava no meu Rio de Janeiro
Quando alguém me parou e falou:
Aí parceiro
Me dá tua mão que eu quero ver se tá com cheiro
Por que eu sou um cara honesto e detesto maconheiro
Eu tinha acabado de sair do banheiro
Dei a mão pra ele cheirar, mas foi uma cena bisonha
Ele cheirou minha mão por um tempo
Eu disse: “Espera, tu não é o Capitão Nascimento? Que vergonha meu capitão!”
“Procurando maconha no calçadão”
“Qual é tua missão?”
“Eu vi teu filme, mas não me leva mal”.
“Não me tortura assim não, que eu sou um cara legal”
“Em certas coisas, eu concordo contigo”
“Mas não é assim que você vai achar os grandes bandidos: esse país tá fodido”
ele falou “eu sei disso
quando eu entrei na PM, eu assumi um compromisso, eu luto pela justiça”
eu também
sem justiça não tem paz, e sem paz eu sou refém
a injustiça é cega e a justiça enxerga bem
mas só quando convém
a lei é do mais forte, no BOPE ou na FEBEM
na boca ou no Supremo
que justiça a gente tem, que justiça nós queremos?

Os corruptos cassados?
Nunca serão!
Cidadãos bem informados?
Nunca serão!
Hospitais bem equipados
Nunca serão! Nunca serão!

Os impostos bem usados?
Nunca serão!
os menores educados?
Nunca serão!
Todos alfabetizados?
Nunca serão! Nunca serão!!

Capitão, não sei se você soube dessa história
que rolou num povoado peruano se não me falha a memória
um político foi morto pelo povo
um corrupto linchado por um povo que cansou de desrespeito
e resolveu fazer justiça desse jeito
foi um linchamento, foi um mau exemplo
foi um mau exemplo, mas não deixa de ser um exemplo
eu sou contra a violência mas aqui a gente peca por excesso de paciência
com o “rouba, mas faz” dos verdadeiros marginais
chamados de “doutor” e “vossa excelência”
cujos nomes não preciso dizer
a imprensa publica, mas tudo indica que a justiça não lê
Diz que é cega, mas o lado dos colegas ela sempre vê
Capitão, isso é um serviço pra você

Deputado! pede pra sair!
Pede pra sair, deputado!
Você é moleque!
Senador, pede pra sair!
Vagabundo, cadê o dinheiro que você desviou dessa obra aqui?
Fala, V. Excelência, é melhor falar!
Cadê a verba da merenda que sumiu?
02, o corrupto não quer falar não! Pode pegar o cabo de vassoura!
(Tá bom, eu vou falar, eu vou falar!)
Os corruptos cassados?
Nunca serão!
Cidadãos bem informados?
Nunca serão!
Hospitais bem equipados
Nunca serão! Nunca serão!

Os impostos bem usados?
Nunca serão!
os menores educados?
Nunca serão!
Todos alfabetizados?
Nunca serão! Nunca serão!!

Conversei com o Nascimento que não pensa como eu penso mas pensando, nós chegamos num consenso
nós somos vítimas da violência estúpida que afeta todo mundo, menos esses vagabundos lá da cúpula corrupta hipócrita e nojenta
que alimenta a desigualdade e da desigualdade se alimenta
mantendo essa política perversa
que joga preto contra branco, pobre contra rico e vice-versa
pra eles isso é jogo, esse é o jogo
se morre mais um assaltante ou mais um assaltado, tanto faz
pra eles não importa, gente viva ou gente morta
é tudo a mesma merda
os velhos nas portas dos hospitais, as crianças mendigando nos sinais
pra eles nós somos todos iguais
operários, empresários e presidiários e policiais
nós somos os otários ideais
enquanto a gente sua e morre
só os bandidos de gravata seguem faturando e descansando em paz
enquanto esses covardes continuam livres, nós só temos grades
liberdade já não temos mais.

Nunca serão! Nunca serão!!
Nunca serão! Nunca serão!!
Nunca serão! Nunca serão!!
Nunca serão! Nunca serão!!
Nunca serão! Nunca serão!!

(Nunca serão – Gabriel O Pensador)

Relembrar é viver – Manifestações no RJ

No dia 17 de Junho de 2013, mais de cem mil pessoas ocuparama a Av. Rio Branco, no final da manifestação um grupo se dirigiu a Alerj (Assembléia Legistaliva do Estado do Rio de Janeiro), aonde entraram em confronto com a PM que, em minoria, acabou acuada dentro da Assembléia, aonde permaneceu por horas, atirando pedras, disparando tiros e arremessando bombas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes que respondiam com pedras e tentativas de incendiar e invadir o prédio. Um grupo de Policias Militares acuados dentro de uma agencia bancária dependeu da negociação de manifestantes para conseguir fugir. Após quase tres horas de cerco à Alerj, a tropa de Choque apareceu em peso e dispersou os manifestantes restantes rapidamente. Esse episodio justificou a resposta violenta da PM na manifestação seguinte, quinta dia 20 de Junho.

Imagens: Matias Maxx
Edição: Guilherme Schumann

No dia 20 de Junho de 2013 mais de 300 mil manifestantes ocuparam a Avenida Presidente Vargas da Candelária ao prédio da prefeitura do Rio de Janeiro. A policia reagiu e entrou em confronto com os manifestantes numa batalha que se alongou por toda Avenida Presidente Vargas, quadra a quadra, de volta à Candelária, quando manifestantes se espalharam por todo o centro que ficou sendo patrulhado por policiais da Choque e BOPE em veículos blindados e motos.

Imagens: Matias Maxx
Edição: Guilherme Schumann

Se segura, malandro!

Se segura, malandro! é um filme brasileiro de 1978, do gênero comédia, dirigido por Hugo Carvana. A música original do filme foi composta por Chico Buarque, João Bosco, Aldir Blanc e Mário Lago.

“Rio de Janeiro. Paulo Otávio (Hugo Carvana) mantém uma estação de rádio clandestina, em plena favela. Para mantê-la no ar ele conta apenas com a ajuda de sua repórter de rua, Calói Volante (Denise Bandeira). Paralelamente, a cidade sofre com os assaltos do “Zatopek do crime” (Cláudio Marzo), um homem que rouba enquanto pratica cooper, e Alcebíades (Lutero Luiz), um funcionário exemplar com 30 anos de serviços prestados, resolve sequestrar um elevador da empresa onde trabalha, cheio de passageiros; enquanto os reféns pedem para sair do elevador, há os que querem entrar, solidários com o gesto rebelde de Alcebíades e liderados pelo presidente da Sociedade Brasileira de Neuróticos, que pede a regulamentação da classe. O programa não pode sair do ar e Calói é acionada para fazer a cobertura do caso de Candinho, jovem e rico economista, obrigado a trabalhar como operário e viver numa favela, com sua esposa Jô, para merecer a gerência das empresas do pai. Candinho envolve-se na construção de um banheiro coletivo mas é pressionado por Jô a voltar para seu mundo burguês. Calói parte para outra notícia: Laurinha e Romão, migrantes nordestinos, noivos, que se enganam mutuamente sobre suas verdadeiras atividades.”