Novo Aeon

O sol da noite agora está nascendo
Alguma coisa está acontecendo
Não dá no rádio e nem está
Nas bancas de jornais

Em cada dia ou qualquer lugar
Um larga a fábrica e o outro sai do lar
E até as mulheres, ditas escravas
Já não querem servir mais

Ao som da flauta da mãe serpente
No para-inferno de Adão na gente
Dança o bebê
Uma dança bem diferente

O vento voa e varre as velhas ruas
Capim silvestre racha as pedras nuas
Encobre asfaltos que guardavam
Histórias terríveis

Já não há mais culpado, nem inocente
Cada pessoa ou coisa é diferente
Já que assim, baseado em que
Você pune quem não é você?

Ao som da flauta da mãe serpente
No para-inferno de Adão na gente
Dança o bebê
Uma dança bem diferente

Querer o meu não é roubar o seu
Pois o que eu quero é só função de eu

Sociedade alternativa, sociedade novo aeon
É um sapato em cada pé
É direito de ser ateu ou de ter fé

Ter prato entupido de comida que você mais gosta
Ser carregado, ou carregar gente nas costas
Direito de ter riso e de prazer
E até direito de deixar Jesus sofrer

Dança o bebê
Uma dança bem diferente
Querer o meu
Não é roubar o seu
Pois o que eu quero
É só função de eu
Sociedade alternativa
Sociedade novo aeon
É um sapato em cada pé
É direito de ser ateu
Ou de ter fé
Ter prato entupido de comida
Que você mais gosta
É ser carregado, ou carregar
Gente nas costas
Direito de ter riso e de prazer
E até direito de deixar
Jesus Sofrer

(Novo Aeon – Raul Seixas)

Loteria da Babilônia

Vai, vai, vai!
E grita ao mundo que você está certo
Você aprendeu tudo enquanto estava mudo
Agora é necessário gritar e cantar Rock
E demonstrar o teorema da vida
E os macetes do xadrez

Você tem as respostas das perguntas
Resolveu as equações que não sabia
E já não tem mais nada o que fazer a não ser
Verdades e verdades
Mais verdades e verdades para me dizer
A declarar

Tudo o que tinha que ser chorado já foi chorado
Você já cumpriu os doze trabalhos
Reescreveu livros dos séculos passados
Assinou duplicatas, inventou baralhos
Passeou de dia e dormiu de noite
Consertou vitrolas para ouvir música
Sabe trechos da Bíblia de cor
Sabe receitas mágicas de amor

Conhece em Marte um amigo antigo lavrador
Que te ensinou a ter do bom e do melhor
Do melhor

Mas o que você não sabe por inteiro
É como ganhar dinheiro
Mas isso é fácil e você não vai parar
Você não tem perguntas pra fazer
Porque só tem verdades pra dizer
A declarar

(Loteria da Babilônia – Raul Seixas)

Seleção_056

Dentadura Postiça

Vai cair, vai cair, vai cair
A estrela do céu
Vai cair
A noite no mar
Vai cair
O nível do gás
Vai cair
A cinza no chão
Vai cair
Juízo final
Vai cair
Os dentes de Jó
Vai cair
O preço do caos
Vai cair
Peteca no chão
Vai sair
O sol outra vez
Vai sair
Um filho pra luz
Vai sair
Da cara o terror
Vai sair
O expresso 22
Vai sair
A máscara azul
Vai sair
O verde do mar
Vai sair
Um novo gibi
Vai sair
Da cara o suor
Vai subir
Cachorro urubu
Vai subir
O elevador
Vai subir
O preço do horror
Vai subir
O nível mental
Vai subir
O disco voador
Vai subir
A torre babel
Vai subir
O Cristo pro céu
Vai subir
A chama do mal
Vai cair
Estrela do céu
Vai cair
A noite no mar
Vai cair
O nível do gás
Vai cair
A cinza no chão
Vai cair
Juízo final
Vai cair
Os dentes de Jó
Vai cair
O preço do caos
Vai cair
Peteca no chão
Vai sair
O sol outra vez
Vai sair
Um filho pra luz
Vai sair
Da cara o terror
Vai sair
O expresso 22
Vai sair
A máscara azul
Vai sair
O verde do mar
Vai sair
Um novo gibi
Vai sair
Da cara o suor
Vai subir
Cachorro urubu
Vai subir
O elevador
Vai subir
O preço do horror

Novo Aeon e o que está acontecendo no Mundo

O sol da noite agora está nascendo
Alguma coisa está acontecendo
Não dá no rádio e nem está
Nas bancas de jornais

Em cada dia ou qualquer lugar
Um larga a fábrica e o outro sai do lar
E até as mulheres, ditas escravas
Já não querem servir mais

Ao som da flauta da mãe serpente
No para-inferno de Adão na gente
Dança o bebê
Uma dança bem diferente

O vento voa e varre as velhas ruas
Capim silvestre racha as pedras nuas
Encobre asfaltos que guardavam
Histórias terríveis

Já não há mais culpado, nem inocente
Cada pessoa ou coisa é diferente
Já que assim, baseado em que
Você pune quem não é você?

Ao som da flauta da mãe serpente
No para-inferno de Adão na gente
Dança o bebê
Uma dança bem diferente

Querer o meu não é roubar o seu
Pois o que eu quero é só função de eu

Sociedade alternativa, sociedade novo aeon
É um sapato em cada pé
É direito de ser ateu ou de ter fé

Ter prato entupido de comida que você mais gosta
Ser carregado, ou carregar gente nas costas
Direito de ter riso e de prazer
E até direito de deixar Jesus sofrer

Dança o bebê
Uma dança bem diferente
Querer o meu
Não é roubar o seu
Pois o que eu quero
É só função de eu
Sociedade alternativa
Sociedade novo aeon
É um sapato em cada pé
É direito de ser ateu
Ou de ter fé
Ter prato entupido de comida
Que você mais gosta
É ser carregado, ou carregar
Gente nas costas
Direito de ter riso e de prazer
E até direito de deixar
Jesus Sofrer

( Novo Aeon – Raul Seixas )

novo_aeon

vide: Esquenta a Batalha Pelo Coração de Istambul

A Hora Do Trem Passar

Você tão calada e eu com medo de falar
Já não sei se é hora de partir ou de chegar
Onde eu passo agora não consigo te encontrar
Ou você já esteve aqui ou nunca vai estar

Tudo já passou, o trem passou, o barco vai
Isso é tão estranho que eu nem sei como explicar

Diga, meu amor, pois eu preciso escolher
Apagar as luzes, ficar perto de você
Ou aproveitar a solidão do amanhecer
Prá ver tudo aquilo que eu tenho que saber

(A Hora Do Trem Passar – Raul Seixas)

A Chegada de Raul Seixas e Lampião No FMI

É Raul, Raul, Raul,
É Raul Seixas, é Lampião
Chegaram no FMI
Que nem tentou resistir

É Raú, Raú, Raú,
Lampião não anda só
Trouxe Deus e o diabo
Raul, a terra do sol

Lampião com o clavinote
Raul trouxe o Ylê Ai Ê
Tiraram os colhões do rock
Enrabaram o iê-iê-iê.

Chegaram na Casa Branca
Os dois de carro-de-boi
Tio Sam fugiu de tamanca
Ninguém viu para onde foi

Wall Street fechou
E a ONU não deixou pista
O presidente jurou
Que sempre foi comunista

Mano Brown disse a Raul
O dinheiro a gente investe
No Banco Carandiru
Xingu, favela e Nordeste

Todo-poderoso e rico
O grande senhor dali
Cagou-se, pediu pinico
Aflito, fora de si

Pois o FMI
Viu que não tinha mais jeito
E entregou todo o dinheiro
Para o pobre dividir

E o mundo se viu diante
De grande felicidade:
Trabalho pra todo o dia
Comida pra toda a tarde

Mas entre os países pobres
Não houve fazer acordo
Para dividir os cobres
E a guerra pegou fogo

(Tom Zé – A Chegada de Raul Seixas e Lampião No FMI)