Quem somos nós

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Nós – todos nós – somos programados geneticamente para dar valor ao que não temos.

Nossos gens são ativados ainda na gestação de acordo com o que acontece no mundo “exterior”. Percebemos o mundo pelas emoções / trocas químicas sanguíneas entre mãe e bebê.

Se nossa família é pobre a tendência é dar valor à riqueza. Se não temos estudos, damos valor a quem nos parece letrado. Se somos tímidos, iremos procurar fazer amizades com pessoas extrovertidas… Se somos tristes, iremos sorrir para pessoas que nos façam rir…

É assim que construímos a nós mesmos…

Assim que somos capazes de perceber esses interesses inerentes que mecanicamente nos movem, começamos a dar os primeiros passos para sair dessa prisão.

Eis então que finalmente podemos fazer as pazes com nossos “daemons”.

A posse deste segredo simples nos torna aptos a praticar a tolerância de forma bem mais fácil.

Sim, vai muito além de um sequenciamento genético.

Vejo como uma predisposição, uma tendência; o ordenamento social e suas iterações são os caminhos por onde fazemos essa construção de valores.

Falo de essência. Existe no trabalho, nas amizades, na família, em tudo.

Inclusive nas relações amorosas.

Nos é confortável o hábito, a rotina, a repetição.

Tem vezes que alguns aspectos afloram, você percebe e fala: “Oh, eu sou assim…” – é uma espécie de “olhar de fora” e ver a si mesmo.

Para piorar somos péssimos críticos de nós mesmos!

(Anderson Porto)

Liberte-se dos contratos familiares

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LIBERTE-SE DOS CONTRATOS FAMILIARES
CÓDIGOS QUE IMPEDEM QUE SEJA SI MESMO

Os contratos familiares são uma espécie de “códigos” situados no mais profundo de nossas mentes, em forma de crenças e todo tipo de inibições que paralisam.

Marianne Costa conta que em determinado momento de sua vida escreveu num papel de pergaminho: “sou una fracassada”; depois, assinou-o com uma gota de seu sangue e o queimou.

No lugar em que fez isso, plantou uma flor e começou a desenhar sua realidade liberada dessa maldição (É um ato ‘psicomágico’, onde nos liberamos desses códigos que recebemos de nossa família).

Um contrato é um acordo entre duas partes que se comprometem a dar algo e a receber algo em troca. Mas nem todos os contratos estão no papel, nem sequer são verbalizados ou tampouco estão no plano da consciência.

Mais ainda, como no caso do nome, há contratos que aceitamos em desigualdade de condições, porque se ‘selam’ na mais tenra infância e a criança intui que o seu não cumprimento implica não ser querido, o que significa a morte.

Nosso cérebro mais primitivo nos dita a ordem de obedecer quando a ameaça é ser expulso do clã.

Estes contratos podem afetar nossos quatro egos:

Exemplos de contratos intelectuais:

Muitas das crenças que carregamos são contratos que mantemos com nossa árvore genealógica, ideias que nos transmitiram desde nossos bisavós e que não podemos questionar (Devemos nos desfazer de qualquer crença que não seja bela e útil para nós mesmos).

a) “Você será advogado como os homens prósperos dessa família” – (Em árvores genealógicas onde o artista é considerado um morto de fome, e que realmente não pode fazer mais nada).

b) “Nessa casa se fala a língua cristã” – Não me venha com ideia de estudar idiomas … você só tem que falar uma língua: a materna.

c) “Você é desajeitado como sua mãe” – Uma profecia que atua como maldição e acaba se cumprindo.

d) “Na vida temos que deixar as coisas da forma como as encontramos” – Sinal de que a árvore parou de crescer e se desenvolver.

e) “Um filho nunca deve superar seu pai” – Uma loucura absoluta que se conecta com a neurose do fracasso.

Os contratos intelectuais são como as “ideias irracionais” descritas por Albert Ellis, raízes de nossas emoções perturbadas e comportamentos desajustados.

A psicogenealogia apresenta sua famosa e em muitos casos efetiva RET (Terapia Racional Emotiva), no sentido de que a família configura um esquema de crenças tóxicas que adotamos por lealdade e que se movem em quatro eixos fundamentais.

1) Se você não tem o que precisa, morre (“Se meu noivo me deixar, eu morro”). A herança tóxica é confundir necessidade com desejo. Se não comer, talvez morra, mas se quer um noivo e não o tem, prossegue-se vivendo…

2) Isto é terrível (“É terrível que eu tenha que cancelar minhas férias”). Excesso de autojulgamento. Não há, de fato, nada categoricamente mau o bom. Há fatos que nos causam maior ou menor dor. Se classificarmos os fatos dolorosos numa escala de 1 a 10 e no 10 colocamos a morte de um ser querido, que valor daremos ao cancelamento das férias?

3) Não suporto (“Não suporto a solidão”). Há situações que matam, insuportáveis. Crer que algo seja o limite entre a vida e a morte nos faz sentir agonizantes cada vez que isso acontece. Isso nos leva a preferir uma desastrosa relação amorosa à solidão, já que a solidão está proibida pela árvore, porque significa se aproximar da morte.

4) Se acontece algo desagradável, há um culpado e ele precisa ser condenado. A família nos ensina a julgar e buscar culpados em quem descarregar a responsabilidade do que aconteça, ou a culpar-nos a nós mesmos. Os acontecimentos são uma confluência de fatores, nada tem uma causa única. Se nos sentimos culpados por algo, o melhor remédio é uma fórmula com três elementos: aceitação, reparação e aprendizagem do acontecido, para evitar a possibilidade de repetir o mesmo erro no futuro.

Exemplos de contratos emocionais:

Costumam surgir em formato de inibições emocionais.
Muito associados aos níveis de consciência infantis…

a) “Não cresça” – “Quando ficar maior, um dia vai abandonar seus pais”. Esta ordem vai mantê-lo na idade emocional de 10 anos para o resto de sua vida.

b) “Nós torcemos pelo Madrid” – A partir do seu primeiro mês de vida, a criança já é membro de um clube de futebol. Quando crescer, não terá escolha, senão gostar de futebol e se não torcer para o Madrid, será considerado um traidor ou um doente.

c) “Não seja estúpido, não arranje namorada” – Fique com a mamãe … ela não te trairá.

e) “O casamento é para toda a vida” – Ninguém jamais se divorciou nesta família, nós somos muito religiosos.

Os contratos emocionais nos ligam fortemente ao passado e fomentam relações baseadas na dependência emocional. Dissolver estes contratos é abrir afinal a porta da liberdade de amar, num nível de consciência superior.

Exemplos de contratos da libido:

Aqui estão todas as inibições sexuais e criativas:

a) “Teatro-música-pintura são perda de tempo” – É como dizer que você não deve dedicar-se a coisas que não são rentáveis …

b) “Essa relação não combina com você” – Podemos perguntar: quem realmente não combina com você?

c) “Você vai se casar aos 25 anos e 26 terá sua única filha” – Este poderia ser um contrato inconsciente que se repete de geração em geração. Um projeto que árvore nós dá.

d) “A mulher que expressa desejo sexual é vagabunda” – Se o sexo da mulher é apenas um instrumento de procriação, se deve proibi-la de ter prazer com sua energia da libido e, finalmente, com a criação e a vida.

A proibição da homossexualidade e das práticas sexuais que não existem no diretório da árvore, são também contratos, cuja violação nos bloqueiam a libido ou nos fazem sentir culpados e merecedores de punição se não “sairmos ao molde”.

Exemplos de contratos materiais:

Inibições econômicas.

Precisamos encontrar as características que nos afastem da violência, medo e culpa…

a) “Você é idêntico ao seu avô” – E assim um dos ancestrais toma posse do filho.

b) “Não aperte os botões, pois vai quebrá-los” – Quando não o deixam tocar em nada é porque você não tem espaço.

c) “O dinheiro é pecado” – Se acreditamos que o dinheiro é sujo, quando o ganhamos isso gera uma grande quantidade culpa.

d) “Quem se arrisca não petisca”, “Mais vale um pássaro na mão que dois voando”, “Mais vale o mal conhecido que o bem por conhecer” … Abandonar território conhecido é uma deslealdade imperdoável e temos um medo ancestral em não ser readmitido no clã.

Tudo isso nos exorta a nos acomodarmos com um parceiro que já não contribui em nada, um trabalho insatisfatório, uma casa que não é um lar e também a um banco, um grupo de amigos, etc.

Instalados num território para sempre, porque fomos ensinados que correr riscos é perder tudo, ao invés de sermos encorajados a seguir nossos desejos como um tão sábio de caminho de transformação.

Os contratos se cumprem por lealdade, mas também por medo das consequências.

Digamos que haja um medo de punição, de que essas previsões (maldições) se realizem: “Se se divorciar, você ficar mal vista”, “Se você se tornar um artista, viverá na pobreza”.

Um ato psicomágico para curar esse tipo de medo do fracasso embutido pelos pais, consiste na representar estas previsões, metaforicamente, diante deles.

Alejandro Jodorowsky nos diz em suas 10 receitas para a felicidade, “não há maior alívio do que começar a ser o que você realmente é. Desde a infância, nos impõem destinos alheios. Vale lembrar que não estamos no mundo para realizar os sonhos de nossos pais, mas o nosso.”

Fonte: [ De Coração a Coração ]

Quando a programação é feita para programar você

Tem gente que não acredita. Tem gente que é facilmente programável. Tem gente que resiste porque já acordou. A coisa é tão imperceptível que tem até um nome: subliminar. A ciência diz que não funciona… Se não funciona, porque eles continuam com a programação?