Meus sinceros votos de Ano Novo

Ninjai

Você vai me desculpar, mas nesse ano novo não lhe desejo muitas conquistas. Lhe desejo apenas o aprendizado diário da apreciação do caminho, e que mesmo que as conquistas sejam poucas, isso não importe muito, pois o caminho por si só já é um presente.

Além disso não lhe desejo grandes realizações. Essas coisas grandes demais que para serem atingidas demandam uma ralação da pele, um engrossamento do couro, um esquecimento de si mesmo, uma robotização dos ritmos humanos.

Lhe desejo apenas olhos atentos para ver as pequenas conquistas diárias: um sol que nasceu, um amigo que (re)apareceu, um bicho que lhe sorriu.

Também não desejo que todos os seus sonhos se realizem.

Desejo sim que você continue a aprender a cultivar sonhos e incentive a fábrica que os produz dentro de você.

Desejo que você saiba que o sonho em si já é suficiente para inundar um coração. E que uma vida com muitas realizações e poucos sonhos não tem graça nenhuma.

Não desejo também para o seu ano novo muita paz. Essa paz mansa, de quem consegue descansar a cabeça, ligar a televisão, se cercar de tudo que é fácil e próximo da mão e achar que o mundo está resolvido. Não lhe desejo essa paz que pode ser a morte em vida, que é uma redoma feita de medos lhe salvaguardando do mundo.

Também não lhe desejo amor. Esse amor que seca, que lhe faz sedento, que é uma busca de algo ou de alguém que lhe sacie, complete, ou que lhe traga vantagens. Não desejo amor para quem ainda não sabe amar, desejo antes outras coisas.

Como por exemplo, lhe desejo individualidade. Que você tenha ou crie tempos para se desenvolver enquanto pessoa, para enriquecer a própria alma. Que você encare a busca do autoconhecimento, sozinho. Porque é a partir do conhecimento profundo de si mesmo que nasce a compreensão profunda do outro. E o mundo parece estar precisando tanto de pessoas que se compreendam.

E por isso também lhe desejo solidão. Porque essa é a nossa condição natural, somos antes de tudo um universo em si. Então desejo que você saiba colorir o seu próprio universo e tenha momentos de profundo prazer na companhia de si mesmo.

Desejo finalmente que você sinta muita paixão, que seu sangue borbulhe, seus sentidos agucem, sua temperatura suba. Mas desejo que você sinta essa paixão avassaladora não por pessoas, mas pela própria vida.

– Clara Baccarin
(*) editado

Anúncios

Pelo fim da COMPETIÇÃO

“Todo mundo fala de paz, mas ninguém educa para a paz. As pessoas educam apenas para a competição e a competição leva à guerra.”
___
Pablo Lipnizky

Podio

Vivemos em uma sociedade que programa as novas gerações para a COMPETIÇÃO. Correto?

Então, se você observar bem, basicamente…

– O que é racismo? Competição.
– O que é machismo? Competição.
– O que é bairrismo? Competição.
– O que é xenofobia? Competição.
– O que é “bullying”? Competição.
– O que é homofobia? Competição.
– O que é fofoca? Competição.
– O que é a mentira? Competição.
– O que é a corrupção? Competição.

O que temos que eliminar de nossos hábitos, de nossas práticas, de nossa educação?

A competição.

O incentivo à competição de nossa sociedade moldada para o consumo transforma o cotidiano numa guerra velada, onde imperam as alianças em prol da destruição do “inimigo” comum.

Ao mesmo tempo que é desesperador constatar a falta de coesão humana, gerada por essa política de estímulo à competição, a realidade do decorrer dos dias nos faz perceber que mesmo as situações mais exdrúxulas são passageiras.

A solidariedade é facilmente percebida como sendo benéfica a todos.

A compaixão, a empatia, o abraço? Fundamentais.

Todo beco sem saída tem uma porta secreta.

Existe uma nova energia no ar, que permite a todos perceber o fútil, o supérfluo, o desnecessário.
E você, lá no seu interior, sabe que energia é essa, não sabe?

Pela paz a gente berra

Aqui se planta, aqui se colhe, mas pra flor nascer é
preciso que se molhe
É preciso que se regue pra nascer a flor da paz
É preciso que se entregue com amor e muito mais.
É preciso muita coisa, e que muita coisa mude
Muita força de vontade e atitude
Pra poder colher a paz tem que correr atrás. E tem que
ser ligeiro!
Pra poder colher a fruta é preciso ir à luta. E tem
que ser guerreiro!

Refrão:
Pela paz a gente canta, a gente berra.
Pela paz eu faço mais. Eu faço guerra.

Eu vou a luta, eu vou armado de coragem e consciência
Amor e esperança
A injustiça é a pior das violências
Eu quero paz, eu quero mudança.

Dignidade pra todo cidadão
Mais respeito, menos discriminação
Desigualdade, não. Impunidade, não
Não me acostumo com essa acomodação.

Eu me incomodo e não consigo ser assim, por que eu
preciso da paz
Mas a paz também precisa de mim.
A paz precisa de nós. Da nossa luta, da nossa voz.

Paz, aonde tu estás? Aonde você vive? Aonde você jaz?
Onde você mora? Onde te encontramos?
Onde você chora? Onde nós estamos?
Onde te eterramos? Que lar você habita?
Onde nós erramos? Volta, ressucita.

Será que a paz morreu, será que a paz tá morta?
Será que não ouvimos quando a paz bateu na porta?
A paz que não tem vaga, na porta da escola
A paz vendendo bala, a paz pedindo esmola
A paz cheirando cola, virando adolescência
Atrás de uma pistola virando violência.

Será que a paz existe, será que a paz é triste?
Será que a paz se cansa da miséria e desiste?
A paz que não tem vez, a paz que não trabalha
A paz fazendo bico, ganhando uma migalha
No fio da navalha, dormindo no jornal
Atrás de ma metralha virando marginal

Refrão:
Pela paz a gente canta, a gente berra.
Pela paz eu faço mais. Eu faço guerra.

Será que a paz ataca, será que a paz tá fraca?
Será que a paz quer mais do que viver numa barraca?
A paz que não tem terra, a paz que não tem nada
A paz que só se ferra, a paz desesperada
A paz que é massacrada lutando por justiça
Atrás de uma enxada, virando terrorista

Será que a paz assusta, será que a paz é justa?
Será que a paz tem preço? Quanto é que o preço custa?
A paz que não tem raça nem boa aparência
A paz não vem de graça, a paz é consequência
A paz que a gente faz, sem peso e sem medida
Atrás dessa fumaça, paz virando vida.
A paz que não tem prazo, a paz que pede urgência
Não vai ser por acaso. A paz é consequência
Não é coincidência nem coisa parecida
A paz a gente faz, feito um prato de comida.

Refrão:
Pela paz a gente canta, a gente berra.
Pela paz eu faço mais. Eu faço guerra.

Eu vou a luta, eu vou armado de coragem e consciência
Amor e esperança
A injustiça é a pior das violências
Eu quero paz, eu quero mudança.

A violência não é só dos traficantes
A covardia não é só dos policiais
A violência também é dos governantes
Dos homens importantes
Não sei quem mata mais

Como é que a gente faz
Pra medir a violência na emergência dos hospitais?
A dor e o sofrimento
Os filhos qe não nascem, os pais que morrem sem
atendimanto?

Qual é a gravidade
Do roubo milionário praticado por alguma autoridade
Que tem imunidade, que compra a liberdade?
Enquanto o cidadão honesto vive atrás das grades
Com medo de um asalto à mão armada
Pagando imposto alto e não recebendo nada

Qual é o grau do perigo
Da falta de escola e de emprego, de prisão e de
abrigo?
Qual é o pior inimigo
Os pais da corrupção ou os filhos do mendigo?
Quem é o grande culpado
O ladrão, que tem cem anos de perdão, ou você, que
vota errado?

Refrão:
Pela paz a gente canta, a gente berra.
Pela paz eu faço mais. Eu faço guerra.

(Gabriel Pensador – Paz)

participações especiais:
Cássia Eller, Zélia Duncan, Fernanda Abreu, Frejat, Rogério Flausino, Dinho Ouro Preto, Paula Toller, Nando Reis, Lulu Santos, Pedro Luis, Samuel Rosa, Herbert Viana, Sandra de Sá, Lenine, Nino Rap e Edi MC (Nocaute), Rodolfo (Raimundos).

gabriel-pensador-sem-crise

“Tiroteio de novo na Rocinha. Tá foda.
E por coincidencia ou não, meus filhos estavam mexendo comigo na internet e me pediram pra ouvir essa música, que eles ainda não conheciam.
O clipe foi feito por iniciativa própria pela Claudia Fuchs, que eu não conheço. Gostei.
A letra e a melodia eu fiz com meu irmão Tiago Mocotó.
A base foi gravada com o Lenine no violão.
As vozes foram gravadas no estúdio do Tom Capone, e eu tive o prazer de convidar os artistas e organizar a gravação pessoalmente.
A música foi lançada apenas na rádio na época, não virou disco, nem era pra virar. Era mesmo para jogar no ar uma reflexão sobre a violência.
Fiquei feliz quando recebi esse link. E ao ouvir aqui com os meus filhos, pensei em muitas coisas que estão acontecendo até hoje e continuam sendo debatidas.”

Pare de querer entender tudo

paz_amor_disciplina_liberdade

– Pare de querer entender tudo…

A realidade é muito mais complexa do que a nossa mente é capaz de entender e do que temos condição de enxergar.

Pra tudo que acontece existe uma rede de acontecimentos passados e condições que acabaram dando origem ao que acontece agora.

Vemos apenas fragmentos da realidade.

Quando você vê um comportamento negativo de alguém, você está apenas enxergando um pequeno fragmento da realidade.

Por trás daquele comportamento, existem uma série de fatos, experiências vividas e coisas que vem de gerações passadas que foram herdadas por aquela pessoa, que acabaram dando origem àquele tipo de comportamento que você vê agora.

Nem você sabe por que você agiu da forma que agiu em muitas situações onde fez escolhas e tomou atitudes que não foram as melhores.

A mente quer entender tudo, como se ela fosse finalmente ficar em paz ao entender.

Só que em muitos casos podemos até ter uma compreensão racional, mas mesmo assim a paz não vem.

Então, permita-se ficar em paz, mesmo quando você não tiver a capacidade de entender a realidade.

Fonte: [ Hierophant ]

Foco, força e fé!

00091801

Foco,
Que meu andar distraído
não me perca a utopia de vista
lá… ainda que distante… mas lá!

Força,
Que não me baste a crítica
aos que estiverem plantados
há mais um passo, vamos!

Fé!
Que o olhar infinito observe,
o inefável verso do universo
conspire, inspire e reverbere!

Paz!

(Anderson Porto)