Seria a vida uma tortura?

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“Aqui está uma pergunta, uma pergunta fundamental:

— Seria a vida uma tortura?

O fato é que ela é como é; e o homem tem vivido nesta tortura séculos e séculos, desde a história antiga até os dias atuais, em agonia, em desespero, na tristeza; e ele não encontra uma maneira de sair disso. Portanto, ele inventa deuses, igrejas, todos os rituais, e todos esse absurdos, ou ele escapa de maneiras diferentes.

O que estamos tentando fazer, durante todas essas discussões aqui, é ver se não podemos trazer radicalmente uma transformação da mente, não aceitar as coisas como elas são, nem revoltar-se contra elas. Se revoltar não ajuda em nada.

Você deve buscar entender isso, examinar essa questão, dar o seu coração e sua mente, com tudo o que você tem, para descobrir uma maneira de viver de uma forma diferente.

Isso DEPENDE DE VOCÊ, e não de outra pessoa, porque nisso não há nenhum professor, nenhum aluno; não há um líder; não há guru; não há nenhum mestre, nenhum Salvador. Você mesmo é o professor e o aluno; você é o mestre; você é o guru; você é o líder; VOCÊ É TUDO.

E entender isso é transformar o que se é.”

— Jiddu Krishnamurti

A crença impede a verdadeira compreensão

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“Se não tivermos crença, o que aconteceria? Não estaríamos muito amedrontados com o que poderia acontecer?

Se não tivéssemos nenhum padrão de ação baseado numa crença ou em Deus, ou no comunismo, ou no socialismo, ou no imperialismo, ou algum tipo de forma religiosa, algum dogma a que estamos condicionados, nos sentiríamos completamente perdidos, não é?

E não está esta aceitação de uma crença encobrindo esse medo – o medo de ser realmente nada, de ser vazio?

Afinal, uma xícara só é útil quanto está vazia; e uma mente que está cheia de crenças, dogmas, assertivas, citações, é realmente uma mente não criativa; é simplesmente uma mente repetitiva.

Para fugir desse medo – esse medo do vazio, esse medo da solidão, esse medo da estagnação, de não chegar, não ter sucesso, não conseguir, não ser alguma coisa, não se tornar alguma coisa, é certamente uma das razões – não é? – porque aceitamos as crenças tão ávida e ansiosamente?

E pela aceitação da crença, compreendemos a nós mesmos? Ao contrário.

Uma crença religiosa ou política, obviamente impede a compreensão de nós mesmos.

Ela atua como uma barreira através da qual olhamos para nós mesmos.

E podemos olhar para nós mesmos sem crenças? Removem-se estas crenças, as muitas crenças que se tem, resta alguma coisa para olhar?

Se não tivermos crenças com as quais a mente se identifica, então a mente, sem identificação, é capaz de olhar para si mesma como ela é, e aí, certamente, está o início da compreensão de si mesmo.”

– J. Krishnamurti, The Book of Life |

http://www.jkrishnamurti.org/pt/krishnamurti-teachings/view-daily-quote/20130226.php

Pare de querer entender tudo

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– Pare de querer entender tudo…

A realidade é muito mais complexa do que a nossa mente é capaz de entender e do que temos condição de enxergar.

Pra tudo que acontece existe uma rede de acontecimentos passados e condições que acabaram dando origem ao que acontece agora.

Vemos apenas fragmentos da realidade.

Quando você vê um comportamento negativo de alguém, você está apenas enxergando um pequeno fragmento da realidade.

Por trás daquele comportamento, existem uma série de fatos, experiências vividas e coisas que vem de gerações passadas que foram herdadas por aquela pessoa, que acabaram dando origem àquele tipo de comportamento que você vê agora.

Nem você sabe por que você agiu da forma que agiu em muitas situações onde fez escolhas e tomou atitudes que não foram as melhores.

A mente quer entender tudo, como se ela fosse finalmente ficar em paz ao entender.

Só que em muitos casos podemos até ter uma compreensão racional, mas mesmo assim a paz não vem.

Então, permita-se ficar em paz, mesmo quando você não tiver a capacidade de entender a realidade.

Fonte: [ Hierophant ]

Só vim te ver…

Muro na Lapa, Rio De Janeiro - RJ

Muro na Lapa, Rio De Janeiro – RJ

Sem outros para você interagir, você não poderia realmente reconhecer a sua própria imagem.

A prisão mental

É a ilusão de um “eu” constante
É a crença ignorante
De que sou a minha mente
Será que sou o “eu triste”?
Ou o “eu” que está contente?
Talvez ambos, ou nenhum
Apenas sei que estou presente
Mas onde está a tal verdade?
Qual é a chave para a liberdade?
Podemos nos livrar da maldade?
E sobre o paradoxo da eternidade?
A vida é essa constante impermanência…
A eterna busca pela expansão da consciência
A eterna fuga da redescoberta da essência
Talvez por isso vivemos nessa penitência

– Poema de Bernardo Sommer
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Eu Sou Outro Você:

Indaguei a mente

Vai teu corpo, leva de mim
Teu passado todo
Consolo
E ficar por aqui
Vai ter a quaresma na terra
E a guerra não deve existir
Só rima com escravos, não cravos
De bonitas rosas
Já que indaguei a mente e não a alma
Que bonita flor
Primeiro a imaginação
Depois eu poderia pôr
Você faz bem isso
Que te amo
Já que indaguei a mente
E não a alma
Elegi o amor

(Indaguei a mente – Otto)

A mente religiosa

941641_233468170111392_1991976513_nA mente religiosa é aquela que não está ligada a nada; só ela pode descobrir o que é verdadeiro e o que é falso. Só ela pode descobrir se há, ou não, uma Realidade, Deus, uma coisa Atemporal — mas não a mente ligada a alguma coisa, a mente que crê ou não crê. Por certo, não tem mente religiosa o homem que vai à igreja, que pratica puja e toda espécie de artifícios. A mente religiosa vê a falsidade de tudo isso,totalmente, completamente; assim sendo, porque é livre e não está firmada numa posição, numa base, da qual parte para investigar, ela inicia sua investigação livremente. Essa mente, por conseguinte, é desapaixonada, sã, racional, capaz de raciocinar — e tal é, afinal de contas, a característica da mente cientifica. Mas a mente cientifica não é uma mente religiosa. A mente científica está interessada em examinar uma certa parte da existência, um segmento da vida; a mente científica, portanto, não pode compreender a totalidade que a mente religiosa compreende.

Para se ter essa mente religiosa, necessita-se de uma revolução, não econômica ou social, porém psicológica — uma revolução na psique, no próprio processo de nosso pensar. Ora, como fazer despontar essa mente? Vemos a necessidade dessa mente — da mente nova, sem fronteiras; da mente nova, não ligada a nenhum grupo, raça, família, cultura ou civilização; da mente nova que não resulta da moralidade social. A moralidade social não é moralidade nenhuma, pois só lhe interessa a moral sexual; cada um pode ser ambicioso, cruel, vão e invejoso, à vontade. E a moral social é a inimiga da mente religiosa.

Assim, como nascerá a mente religiosa, a mente nova? Como trataríeis de obtê-la? Esta não é uma pergunta retórica. A todos nós se apresenta este problema; como ter uma mente fresca, jovem, nova — pois a mente velha não resolveu coisa alguma e multiplicou os seus problemas. Como trataríeis disso, que empreenderíeis para suscitar essa mente? Precisais de algum sistema, algum método? Vede, por favor, a importância desta pergunta que estou fazendo, vede o seu significado. Necessitamos de uma mente nova, que é de essencial importância; mas como alcançá-la? Por meio de algum método — que é sistema, prática, ação que se repete dia por dia? Um método pode produzir a mente nova? Averiguai, investigai isso junto comigo; não vos limiteis a ouvir-me e depois tornar a pensar que necessitais de uma prática, um método, para adquirirdes a mente nova.

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