A crença impede a verdadeira compreensão

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“Se não tivermos crença, o que aconteceria? Não estaríamos muito amedrontados com o que poderia acontecer?

Se não tivéssemos nenhum padrão de ação baseado numa crença ou em Deus, ou no comunismo, ou no socialismo, ou no imperialismo, ou algum tipo de forma religiosa, algum dogma a que estamos condicionados, nos sentiríamos completamente perdidos, não é?

E não está esta aceitação de uma crença encobrindo esse medo – o medo de ser realmente nada, de ser vazio?

Afinal, uma xícara só é útil quanto está vazia; e uma mente que está cheia de crenças, dogmas, assertivas, citações, é realmente uma mente não criativa; é simplesmente uma mente repetitiva.

Para fugir desse medo – esse medo do vazio, esse medo da solidão, esse medo da estagnação, de não chegar, não ter sucesso, não conseguir, não ser alguma coisa, não se tornar alguma coisa, é certamente uma das razões – não é? – porque aceitamos as crenças tão ávida e ansiosamente?

E pela aceitação da crença, compreendemos a nós mesmos? Ao contrário.

Uma crença religiosa ou política, obviamente impede a compreensão de nós mesmos.

Ela atua como uma barreira através da qual olhamos para nós mesmos.

E podemos olhar para nós mesmos sem crenças? Removem-se estas crenças, as muitas crenças que se tem, resta alguma coisa para olhar?

Se não tivermos crenças com as quais a mente se identifica, então a mente, sem identificação, é capaz de olhar para si mesma como ela é, e aí, certamente, está o início da compreensão de si mesmo.”

– J. Krishnamurti, The Book of Life |

http://www.jkrishnamurti.org/pt/krishnamurti-teachings/view-daily-quote/20130226.php

Sobre magoar quem se ama

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Pergunta: Como posso agir livremente e sem auto-repressão, quando sei que minha ação deverá magoar os que amo? Num caso desses, de que maneira podemos reconhecer a ação justa?

Krishnamurti: Deseja saber o interrogante como poderá proceder livremente e sem refreamento, quando saiba que sua ação deverá magoar os que ama. Ora, amar é ser livre. No amor, são livres ambas as partes.

Se existe a possibilidade de sofrimento, não se trata então de amor, mas, sim, puramente, de uma forma sutil do instinto de posse, do instinto de aquisição.

Se amais, se realmente amais alguém, não há possibilidade de lhe causardes dor, fazendo algo que julgueis justo.

É somente quando queremos levar a pessoa amada a fazer o que desejamos, ou esta nos quer levar a fazer o que ela deseja, é somente então que existe dor. Isto é, amais a posse.

Com ela vos sentis abrigados, seguros, confortáveis. Embora saibais transitório esse conforto, buscais abrigo nele, na sua transitoriedade.

Toda luta em busca de conforto, incitamento, denuncia falta de riqueza interior, e, por conseguinte, cada ação incompatível com um dos amantes cria-lhe na mente perturbação, dor e sofrimento. Assim, um dos amantes tem de reprimir o que realmente sente, a fim de ajustar-se ao outro.

Em suma, essa constante repressão, ocasionada por isso que chamam amor, destrói os dois indivíduos. Em tal amor não existe liberdade; ele é apenas uma forma sutil de escravidão.

Quando sentis ardentemente a necessidade de fazer alguma coisa, vós a fazeis, às vezes com astúcia e sutileza, mas a fazeis de qualquer maneira. Existe sempre esse impulso a operar, a agir independentemente.

Krishnamurti – Ojai, Califórnia, 1938

http://nossaluzinterior.blogspot.com.br/2011/05/uma-radical-revolucao.html

Ninguém descerá de Marte, em discos voadores, para vos salvar

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[…] Nenhum agente exterior, nenhum deus, ninguém descerá de Marte ou de Venus, em discos voadores, para nos salvar. Nenhuma religião, nenhuma crença, nenhum dogma nos purificará a mente e o coração de maneira tão completa, que saiamos de nossa atual condição, para um estado de beleza, de extraordinária compaixão e amor.

Nessas condições, que podemos fazer? Em primeiro lugar, rejeitar positivamente; rejeitar decididamente a religião que conhecemos, a sociedade existente. Por “sociedade” entendo a estrutura psicológica social de que fazemos parte. Essa tendes de negar totalmente. E tendes de negar a autoridade totalmente, com toda a vossa mente e coração. Rejeitar, também, inteiramente, impiedosamente, toda procura de ajuda por meio de um agente exterior a vós mesmo.

Prestai atenção, por favor! Buscamos ajuda, porque nos achamos num estado de aflição, de confusão, de conflito, e desejamos ser socorridos. Precisamos de alguém que nos diga o que devemos fazer. Precisamos de ser guiados, de ser levados pela mão de alguém, através da escuridão, aonde se acha a luz. Vemo-nos tão confusos, que não sabemos para que lado nos voltarmos. A educação, a religião, os líderes, os santos — todos falharam totalmente. No entanto, porque nos vemos em sofrimento, em conflito e confusão, apelamos para quem nos possa ajudar. E provavelmente é esta a razão da presença, aqui, de muitos de vós, ou seja, a esperança de ter um vislumbre da Realidade, ou de encontrar um caminho por onde sejam levados à beleza da vida.

Ora, se escutardes com vossos ouvidos interiores, com lucidez, vereis que nenhuma ajuda existe. Este orador não pode socorrer-vos, e não quer socorrer-vos. Compreendei isso, por favor, e com calma! Este orador se recusa, positivamente, a socorrer-vos.

O que desejais é manter a corrupção, viver na corrupção, e prestar ajuda no meio dessa corrupção. Desejais uma pequena ajuda para viverdes confortavelmente, levardes avante vossas ambições, vossos métodos, vossas invejas, vossas brutalidades; desejais continuar vossa mesma existência de cada dia, só com umas pequenas modificações — ficar um pouco mais ricos, ter um pouco mais de conforto, um pouco mais de felicidade. É só o que desejais: melhor emprego, um carro melhor, melhor posição social. Não desejais realmente estar libertados, de todo, do sofrimento. Não desejais descobrir o que é o Amor, descobrir sua beleza, sua imensidade. Não desejais descobrir o que significa Criação.

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Krishnamurti — O Despertar da Sensibilidade

Texto completo: http://nossaluzinterior.blogspot.com.br/2013/02/ninguem-descera-de-marte-em-discos.html