Estado resolvendo problemas sociais complexos

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Chuva no sertão

seca7

Ouço o tiro,
me viro,
me reviro
do avesso,
de fome
sem nome,
esqueço,
da roupa na corda,
da borda do berço,
enfim desisto,
tropeço…
Não mereço.

Me derreto,
evaporo,
faço um chuá
pra lá de sonoro,
voo bem alto,
desapareço.

Na volta me olho,
o sorriso sem dentes,
Tô rindo de quê?

Olho
O gado deitado,
desmaiado,
morto,
tudo torto,
vidas retorcidas,
entre moscas e feridas.

Levanto a cabeça,
Abro os braços
Como se recebesse
uma benção
me molho,
com o carinho
imaginado
da chuva,
escorrendo
pelas mãos
desesperadas,
esbranquiçadas,
do mato
sem forças,
sem vida,
desse sertão.

Anderson Porto

Gotas da vida

Chuva

Ali,
aquela poeira
levada ao vento
num sol escaldante,
com tudo queimado,
tão castigado,
estrupiado…
Tornando a cena
tão triste,
tão marcante.

Imensa fome,
ainda sem nome …

Vêde o verbo,
o açoite,
que não descansa
tarde da noite.

Ainda persiste
ainda existe
a sede de chuva.

O grito da gota
reverbera
no impacto,
no solo,
quando chega.

Traz finalmente
a energia
tão querida,
dizendo sim
ao giro da roda
da vida.

E assim,
a chuva da primavera
enfim germina
o lírio no lodo
do brejo.

(Anderson Porto)

Agora

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Agora a sombra da noite
embala o pranto
daqueles que choram
pelos que partiram.

A vela é acesa,
o coração se ilumina,
o dia se aproxima.

Agora é tempo de alegria,
trabalho e fantasia.

É tempo de criar
um novo mundo
sem tanta covardia,
sem tanta miséria,
sem fome, sobras e apatia.

Tempo de todos se abraçarem,
trocarem boas energias,
ao realizarem a melhor obra
nunca antes construída:
finalmente a saída.

(Anderson Porto)