Quando vi estrelas com ela

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Lembro que quando estive com ela
vi milhares de estrelas…
Não estas que vemos
apenas ao olhar pro céu
quando falta energia.

Não estas que sorrateiramente
aparecem quando se descortina
a Aurora Boreal…
Não! Foi real!

O que vi foi a Via Láctea inteira!

Vi um manto de estrelas
sorrindo,
brincando,
rodopiando…

Como se galáxias
dançassem com galáxias
ao som da valsa do vento,
aproveitando o merecido cochilo
cansado do sol…

Que noite foi aquela…

Foi quando vi estrelas com ela.

(Anderson Porto)

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Via-Láctea

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XIII

Ora ( direis ) ouvir estrelas!
Certo, perdeste o senso!
E eu vos direi, no entanto
Que, para ouví-las,
muitas vezes desperto
E abro as janelas, pálido de espanto

E conversamos toda a noite,
enquanto a Via-Láctea, como um pálio aberto,
Cintila.
E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas?
Que sentido tem o que dizem,
quando estão contigo? ”

E eu vos direi:
“Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e e de entender estrelas

___
Olavo Bilac, em “Via láctea”

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O que aprendi sobre a vida

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O PASSADO

O passado é sempre alterado, deturpado, adaptado, com a história sendo reescrita pelos vencedores, beneficiando e contando vantagens sobre aqueles que derrotaram os que ficaram pelo caminho. Quando mais as pessoas tem menos estudos, pior para a História.

O FUTURO

Ah! O futuro é uma utopia maravilhosa! Nele os carros voam, não existem engarrafamentos e todos são felizes SE usarem as novas tecnologias que a ciência fica inventando toda hora para nos distrair enquanto trabalhamos. No futuro existe a possibilidade de viver para sempre, voar, alcançar as estrelas, saborear a melhor comida… nem doentes ficamos! Agora, infelizmente o bom futuro é para poucos.

A REALIDADE, também chamada de presente

A realidade é um pouco mais complicada, pois ela é criada coletivamente. É uma democracia mental. Controle o que pensa 99% da humanidade que você controla a realidade.

Quando as pessoas percebem a verdade da realidade, que fica oculta com os véus dessa ilusão coletiva, e resolvem protestar, bem… Aí levam porrada da polícia, são obrigados a votar em candidatos escolhidos por quem já está no poder e, o que talvez seja bem pior: quem tem dinheiro defende o direito de ter dinheiro, quem não tem defende a divisão de riquezas.

As famílias que conquistaram “coisas” ao longo da história ficam brigando para manter suas posses e o resto da população que se exploda… Como se fosse uma peça de teatro que fica alternando no tema; ora comédia, ora drama…

Como mudar a realidade?

Mudando a nós mesmos, claro. Nos tornando pessoas melhores.

Se souber de algum outro jeito, deixe comentário! 😉

A menina da ponte

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Tava ali versada na arte
vasta parte de um desejo
arrepio vadio mais profundo
que me toca cá na alma.

Voa no vento meu sentimento
voa belo e alto, no resgate
desse brilho, dessa caridade.

Trás de volta a calma
do cintilar de estrelas
nessa imensidão de mundo.

Belo sussurro na noite
quase açoite no vazio
devaneios da fumaça no ar
tonteiras de um rodopio
enquanto ao longe ouço
miado rouco de gato esfinge.

No telhado, a magia do luar.

Parada no meio da ponte
a flor do deserto da menina
insegura em puro desespero
na dúvida do passo da estrada.

Talvez nem saiba
que ali estava um farol
a guiar o falido pescador,
a livrá-lo da dor
a livrá-lo do anzol.

Pura sintonia de luas,
harmonia no olhar,
passos compassados, adiante
o tao, encaixe perfeito
fogo, terra, água e ar…

É querer ser pássaro para sobrevoar
cinzas férteis de um vulcão
Raio do sol com som
a brilhar no horizonte.

Aurora da vida,
suave leveza do sopro,
flutuar de bolhas de sabão,
sarando o machucado coração,
fechando a ferida sentida
na beira do mar…
na beira do mar…

(Anderson Porto)

O Abismo e os Morangos

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A primeira vez que pulei do abismo
foi como se quisesse voar.

Imaginei que pousaria nas estrelas
ou flutuaria suavemente,
como penas ao vento,
balançando ao som de lamentos
e raios de luar.

Isso na primeira vez.

Na segunda vez que pulei do abismo,
já tinha lá decorado os passos,
sabia de cor as piruetas no ar,
mortais cambalhotas
e sei lá mais o quê.
Vi que podia subir e descer
quantas vezes quisesse.
E era tão bom que podia
repetir quantas vezes pudesse.

Isso na segunda vez.

A terceira vez foi um desastre.
A corrida foi premiada de tropeços,
pisando em pedras pontiagudas,
escorregando em musgos oportunistas,
cortando os pés e
batendo com a cabeça.

Maldita terceira e última vez.

Que não mais almejo,
por causa disso,
nem mais morangos nem desejos.

Querer, poder, onde está, cadê?

Quando você diz foda-se para o abismo,
o abismo diz foda-se para você.

(Anderson Porto)