Tá lá o corpo…

É aquela estória do corpo caído no meio da rua.

“Atrapalhando o trânsito”.

É a pressa, apressada, atravessando correndo a rua…

Uma insensibilidade criada pela rotina;

Um desabar de dominós de absurdos, caindo uns por cima dos outros… Dominós de terno e gravata, você sabe como é…

E você olha para um lado e tem terra pra C#@&$&*@%! E você olha para outro lado e tem terra pra C#@&$&*@%! …

E água. E mar.

E tem a pressa, apressada, atravessando correndo o mar…

(soube que os governos mudaram de postura…)

– Tomara que a Internet seja capaz de salvar o mundo!

santo na estrada

Cálice

Pai, afasta de mim este cálice
Pai, afasta de mim este cálice
Pai, afasta de mim este cálice
De vinho tinto de sangue

Pai, afasta de mim este cálice
Pai, afasta de mim este cálice
Pai, afasta de mim este cálice
De vinho tinto de sangue

Como beber dessa bebida amarga?
Tragar a dor engolir a labuta?
Mesmo calada a boca resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa?
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira tanta força bruta

Pai,(pai) afasta de mim este cálice
Pai, afasta de mim este cálice
Pai, afasta de mim este cálice
De vinho tinto de sangue

Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada pra qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa

Pai,(pai) afasta de mim este cálice
Pai, afasta de mim este cálice
Pai, afasta de mim este cálice
De vinho tinto de sangue

De muito gorda a porca já não anda
(cálice)
De muito usada a faca já não corta
Como é difícil, (pai)pai, abrir a porta
(cálice)
Essa palavra presa na garganta
Esse pileque homérico no mundo
De que adianta ter boa vontade
Mesmo calado o peito resta a cuca
Dos bêbados do centro da cidade

Pai, afasta de mim este cálice
Pai, afasta de mim este cálice
Pai, afasta de mim este cálice
De vinho tinto de sangue

Talvez o mundo não seja pequeno
(cálice)
Nem seja a vida um fato consumado
(cálice)
Quero inventar o meu próprio pecado
(cálice)
Quero morrer do meu próprio veneno
(pai) (cálice)
Quero perder de vez tua cabeça
(cálice)
Minha cabeça perder teu juízo
(cálice)
Quero cheirar fumaça de óleo disel
(cálice)
Me embriagar até que alguém me esqueça
(cálice)

(Chico Buarque & Milton Nascimento – Cálice)

cac2a1lice

Noite dos Mascarados

E mais uma “homenagem”, desta vez para a reportagem de hoje, da Rede Globo, tentando associar os “mascarados” que chegaram para a linha de frente da manifestação, para proteger os manifestantes, com os “mascarados” infiltrados que começaram a confusão.

:/

– Quem é você?
– Adivinha, se gosta de mim!

Hoje os dois mascarados
Procuram os seus namorados
Perguntando assim:

– Quem é você, diga logo…
– Que eu quero saber o seu jogo…
– Que eu quero morrer no seu bloco…
– Que eu quero me arder no seu fogo.

– Eu sou seresteiro,
Poeta e cantor.
– O meu tempo inteiro
Só zombo do amor.
– Eu tenho um pandeiro.
– Só quero um violão.
– Eu nado em dinheiro.
– Não tenho um tostão.
Fui porta-estandarte,
Não sei mais dançar.
– Eu, modéstia à parte,
Nasci pra sambar.
– Eu sou tão menina…
– Meu tempo passou…
– Eu sou Colombina!
– Eu sou Pierrô!

Mas é Carnaval!
Não me diga mais quem é você!
Amanhã tudo volta ao normal.
Deixa a festa acabar,
Deixa o barco correr.

Deixa o dia raiar, que hoje eu sou
Da maneira que você me quer.
O que você pedir eu lhe dou,
Seja você quem for,
Seja o que Deus quiser!
Seja você quem for,
Seja o que Deus quiser!

(Noite dos Mascarados – Chico Buarque)

Roda Viva

Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá …

Refrão:
Roda mundo roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira prá lá…

(Refrão)

A roda da saia mulata
Não quer mais rodar não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua a cantar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a viola prá lá

(Refrão)

O samba, a viola, a roseira
Um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade prá lá…

(Roda Viva – Chico Buarque)

Se segura, malandro!

Se segura, malandro! é um filme brasileiro de 1978, do gênero comédia, dirigido por Hugo Carvana. A música original do filme foi composta por Chico Buarque, João Bosco, Aldir Blanc e Mário Lago.

“Rio de Janeiro. Paulo Otávio (Hugo Carvana) mantém uma estação de rádio clandestina, em plena favela. Para mantê-la no ar ele conta apenas com a ajuda de sua repórter de rua, Calói Volante (Denise Bandeira). Paralelamente, a cidade sofre com os assaltos do “Zatopek do crime” (Cláudio Marzo), um homem que rouba enquanto pratica cooper, e Alcebíades (Lutero Luiz), um funcionário exemplar com 30 anos de serviços prestados, resolve sequestrar um elevador da empresa onde trabalha, cheio de passageiros; enquanto os reféns pedem para sair do elevador, há os que querem entrar, solidários com o gesto rebelde de Alcebíades e liderados pelo presidente da Sociedade Brasileira de Neuróticos, que pede a regulamentação da classe. O programa não pode sair do ar e Calói é acionada para fazer a cobertura do caso de Candinho, jovem e rico economista, obrigado a trabalhar como operário e viver numa favela, com sua esposa Jô, para merecer a gerência das empresas do pai. Candinho envolve-se na construção de um banheiro coletivo mas é pressionado por Jô a voltar para seu mundo burguês. Calói parte para outra notícia: Laurinha e Romão, migrantes nordestinos, noivos, que se enganam mutuamente sobre suas verdadeiras atividades.”