Complexo brasileiro

Formacao - EDUCADOR

Que canseira,
meu amigo,
minha amiga…
Que desgaste!

É como se estivessem sempre a chumbar os pés do gigante,
impedindo o avante dos esfarrapados pés…

Passo trôpego esse dos brasileiros,
esse arrastar trumbicando, embebedado
por velhos conceitos caducos e mofados.

— O grito espantado
… … emudece de cansaço
… … … frente ao desespero! —

Pé ante pé,
passo a passo,
espremendo esperança
misturada com fé.
– titubeia à esquerda –
avança mas não tem paz.
covardias, sabotagens, atoleiro…
– titubeia à direita –
– mais sujo que pau de galinheiro,
– não limpa nem com aguarraz,
Pronto! Já foi…
… dois, três passos para trás…

O país avança agarrado pelos cabelos!
– releia.

(Anderson Porto)

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Vergonha

Pronunciamento de Rui Barbosa no senado em dezembro de 1914. Neste período o Rio de Janeiro ainda era a Capital do Brasil. As ilustrações seguem propositalmente de forma anacrônica.

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Fonte: [ Poesia em Quadrinhos ]

O preço da Copa

Documentário dinamarquês mostrando a preço social e humano da Copa do Mundo no Brasil.
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O jornalista dinamarquês Mikkel Keldorf, que em abril provocou polêmica ao anunciar que desistiu de cobrir a Copa do Mundo, lançou nesta quinta-feira (29) um documentário sobre o Brasil. O filme “O preço da Copa” (“The price of the World Cup”, no título em inglês), com cerca de 29 minutos de duração, pode ser visto no canal de Keldorf no YouTube.

O jornalista afirma que a obra é uma resposta a quem o criticou de abrir mão do seu trabalho ao decidir sair do Brasil e voltar para a Dinamarca. “O boicote tinha relação com as acusações sobre grupos de extermínio”, explica ele. Esses grupos, de acordo com ele, assassinam crianças de rua nas capitais brasileiras para fazer o que ele chama de “limpeza” às vésperas da Copa. Keldorf, entretanto, não cita casos específicos.

“Então, tive três opções: 1) procurar mais crianças da rua e colocá-los em perigo de vida; 2) buscar os grupos de extermínio e colocar a minha vida em grande perigo; 3) fazer meu filme, boicotar a Copa e fazer um debate no Brasil e na Europa sobre esses temas. Escolhi a opção 3.”

Fonte da imagem: O Doutrinador

Fonte da imagem: O Doutrinador

Hino a Rua – Canção dos protestos de 2013

Ela é mais que o asfalto onde eu piso
Ela é o caminho que nos leva à liberdade
Quando os povos oprimidos a conquistam
É a parte mais bonita da cidade
É ela quem escuta os nossos gritos
O riso, o choro, o lamento de dor
As bombas, disparos, os golpes brutais
De quem pratica a guerra e fala em paz

[Refrão]
Ela é dos cantos, das batucadas
É o povo unido quem a detém
É das bandeiras, das barricadas
Ela é de todos porque é de ninguém
Não é dos chefes, nem dos patrões
Não é uma posse, não é um bem
Nem dos Estados, nem das nações
Ela é de todos porque é de ninguém

Rua. Segundo lar
Primeiro campo de futebol

Te querem apenas caminho
pra quem te depreda com fumaça preta

Te querem assunto de urbanistas
engenheiros
criminologistas

Eu te quero assunto de poetas
De amantes
e de povos rebelados

Te quero
dos que te construíram e que hoje não te podem desfrutar
Porque foram descartados, porque foram despejados

Toda ocupação que resiste no centro da cidade
tem um pouco de quilombo

Ameaça ao latifúndio urbano
Monocultura cinza movida a petróleo e suor
O suor de quem vem nos trens lotados

Todo busão que vem cheio das quebradas, que vem cheio de catracas
tem um pouco de navio negreiro
Transporte desumano de carne humana
Pra ser moída e desossada no trabalho

Rua, você é de todos
Que fora do trabalho são suspeitos
De roubar, de depredar, de discordar
Ou de não contribuir pro crescimento do Produto Interno Bruto

Quem veste um capuz e extermina na favela é um pouco capitão-do-mato

Rua
Te quero das mulheres ensinadas desde cedo que só podem brincar dentro de casa
porque a rua é perigosa, porque a rua é violenta
porque a rua é dos meninos que não sabem respeitar

Rua eu te conheço, quem te faz uma ameaça às meninas e mulheres
É a mesma opressão que torna as casas inseguras
Mais que as ruas

A rua é de todos os amores
É daqueles que tiveram que ocupa-la
pelo direito de existir

Todo discurso moralista que se opõe à igualdade
Que se opõe à autonomia sobre o corpo
É um pouco tribunal da Inquisição

A rua não comporta privilégios
Não tem dono nem tem preço

É como o vento, o sol, a chuva
o calor, as nuvens, cores
minha alegria e minhas dores

Por isso hoje eu vim pra rua

13 de junho de 2013, noite fria
Ocupamos a rua para devolver o que é dela de direito
O lugar da assembleia mais legítima

Na televisão 5 mil vândalos sem causa interrompiam o trânsito

Nas ruas
15, 20 ou 30 mil lutavam por uma vida sem catracas

Nos chamavam “loucos” como chamavam os balaios que encaravam o poder de peito aberto
em um país construído sobre corpos, assentado sobre o sangue
Dos explorados

Nos chamavam “criminosos violentos” como chamam violento ao rio que tudo arrasta
Mas não as margens que o oprimem

Criminosos também eram chamados os luditas
panteras negras, zapatistas, feministas
milicianos da Espanha, guerrilheiros da América Latina

Insurretos de Istambul, do Cairo e de Atenas
de Buenos Aires, de Paris, de Cochabamba
de Pequim, de Porto Príncipe, de Gaza
de Londres, de Soweto, de Lisboa

Trabalhadores anarquistas da Itália ou de São Paulo
quilombolas da Jamaica ou da Bahia
rebeldes e poetas de todas as periferias

Loucos, criminosos, estudantes
Nos querem dentro de hospícios, de cadeias, de escolas
Longe das ruas

Querem as grades, os muros, as cercas, as catracas
Uma cidade em que circulam carros, mas onde as pessoas
São confinadas

Jornalistas, doutores, políticos não podem entender
Que democracia é muito mais que apertar um botão de vez em quando

Que estamos dispostos a fazer a nossa história mesmo nas piores condições
Que não temos ilusões, nem vivemos fantasias
Somos aqueles que se movem
E por isso sentimos o peso das correntes que nos prendem

Eles podem mas não querem entender
Que já sabemos que o Estado e o capital são gêmeos siameses
Vivem brigando, mas partilham o mesmo sangue e o mesmo coração
Nasceram juntos e juntos vão morrer pelas mãos dos explorados

Que já sabemos que o estado de exceção em que vivemos
É na verdade regra geral
Que essa paz que oferecem não é nada além de medo

Que passado este medo não haverá quem defenda suas mansões
E não vai faltar quem abra as portas pelo lado de dentro

Que em tempo de desordem sangrenta e confusão organizada
nada nos parece natural
Nada nos parece impossível de mudar

Que agora as mentiras da TV são motivos de piada
Que o rei está nu e sua foto tá nas redes sociais

Que foi nos organizando que nós desorganizamos
E que é desorganizando
que vamos nos organizar

Nada do que venha a acontecer vai tirar de nós o sentimento
de ter tomado o céu de assalto
de ter presenciado quando a vida surgiu de uma nuvem de gás lacrimogêneo

Arrancamos a política das malhas do mundo profano

Nossas palavras dedicamos a
Ademir, André, Carlos Eduardo
Cleonice, Douglas, Eraldo
Fabrício, Igor, Jonatha
José Everton, Lucas, Luiz
Marcos, Renato, Roberto, Valdinete

E a todas as vítimas anônimas da violência do Estado
em sua defesa feroz do capital

Na rua nenhum monumento é inocente
Nela os que tombaram ressurgem pra lutar ao nosso lado

Os mortos não estarão em segurança se o inimigo vencer
Combatemos para que não morram a morte do esquecimento
Combatemos para impedir o inimigo de vencer

(Música e Video — Coletivo Baderna Midiática — badernamidiatica@riseup.net)

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Agroglifos no Brasil

“O fenômeno vem se registrando no Brasil apenas desde 2008. Aqui as figuras se repetem a cada ano sempre durante o período de duas a três semanas entre o final de outubro e o começo de novembro.

Hoje já são contabilizadas mais de 12 formações autênticas em todo o globo, e somente algumas dúzias no Brasil.

Todos os agroglifos já registrados no país estão em plantações sempre de trigo e triticale da cidade de Ipuaçu e de municípios situados no máximo 30 quilômetros dela, deixando claro que a manifestação tem a ver com algo existente naquela localidade.

Ainda não foram feitas fotos aéreas da formação, nem análises das plantas e do solo.”

Eis algumas fotos de agroglifos (“crop circles”) pelo mundo:

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Eu, o coronel em mim

por José Cristian Góes

coronelismo

Está cada vez mais difícil manter uma aparência de que sou um homem democrático. Não sou assim, e, no fundo, todos vocês sabem disso. Eu mando e desmando. Faço e desfaço. Tudo de acordo com minha vontade. Não admito ser contrariado no meu querer. Sou inteligente, autoritário e vingativo. E daí?

No entanto, por conta de uma democracia de fachada, sou obrigado a manter também uma fachada do que não sou. Não suporto cheiro de povo, reivindicações e nem com versa de direitos. Por isso, agora, vocês estão sabendo o porquê apareço na mídia, às vezes, com cara meio enfezada: é essa tal obrigação de parecer democrático.

Minha fazenda cresceu demais. Deixou os limites da capital e ganhou o estado. Chegou muita gente e o controle fica mais difícil. Por isso, preciso manter minha autoridade. Sou eu quem tem o dinheiro, apesar de alguns pensarem que o dinheiro é público. Sou eu o patrão maior. Sou eu quem nomeia, quem demite. Sou eu quem contrata bajuladores, capangas, serviçais de todos os níveis e bobos da corte para todos os gostos.

Apesar desse poder divino sou obrigado a me submeter à eleições, um absurdo. Mas é outra fachada. Com tanto poder, com tanto dinheiro, com a mídia em minhas mãos e com meia dúzia de palavras modernas e bem arranjadas sobre democracia, não tem para ninguém. É só esperar o dia e esse povo todo contente e feliz vota em mim. Vota em quem eu mando.

Ô povo ignorante! Dia desses fui contrariado porque alguns fizeram greve e invadiram uma parte da cozinha de uma das Casas Grande. Dizem que greve faz parte da democracia e eu teria que aceitar. Aceitar coisa nenhuma. Chamei um jagunço das leis, não por coincidência marido de minha irmã, e dei um pé na bunda desse povo.

Na polícia, mandei os cabras tirar de circulação pobres, pretos e gente que fala demais em direitos. Só quem tem direito sou eu. Então, é para apertar mais. É na chibata. Pode matar que eu garanto. O povo gosta. Na educação, quanto pior melhor. Para quê povo sabido? Na saúde…se morrer “é porque Deus quis”.

Às vezes sinto que alguns poucos escravos livres até pensam em me contrariar. Uma afronta. Ameaçam, fazem meninice, mas o medo é maior. Logo esquecem a raiva e as chibatadas. No fundo, eles sabem que eu tenho o poder e que faço o quero. Tenho nas mãos a lei, a justiça, a polícia e um bando cada vez maior de puxa-sacos.

O coronel de outros tempos ainda mora em mim e está mais vivo que nunca. Esse ser coronel que sou e que sempre fui é alimentado por esse povo contente e feliz que festeja na senzala a minha necessária existência .

Fonte: [ InfoNet ]


Crônica ficcional sobre o coronelismo condena o jornalista José Cristian Góes a sete meses e 16 dias de detenção. Apesar de o texto ser em primeira pessoa e não ter indicação de locais, datas e não citar ninguém, o “jagunço das leis” pediu a prisão do jornalista e o juiz atendeu.

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Manda Bala (Send a Bullet) – Filme Proibido no Brasil

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Kohn disse “Eu imaginei Manda Bala como um Robocop da vida real, demonstrando uma sociedade verdadeiramente defeituosa e violenta”. O filme estreou em 20 de janeiro de 2007 no Sundance Film Festival, aonde ganhou o Grande Prêmio do Júri na categoria Documentários, e o prêmio de Excelência em Cinematografia.

O mesmo teve um lançamento limitado na América do Norte, começando em 17 de Agosto de 2007. Em 18 de março de 2008, Manda Bala ganhou o prêmio de “Outstanding Achievement” na categoria Não-ficção no inaugural Cinema Eye Honors.

É estimado que Jader Barbalho, que atualmente é Senador Federal, tenha desviado 2 bilhões de doláres para contas no exterior quando foi governador do Pará.

Fonte: [ AnonOps ]