A menina da ponte

devushka_les_mostik_priroda

Tava ali versada na arte
vasta parte de um desejo
arrepio vadio mais profundo
que me toca cá na alma.

Voa no vento meu sentimento
voa belo e alto, no resgate
desse brilho, dessa caridade.

Trás de volta a calma
do cintilar de estrelas
nessa imensidão de mundo.

Belo sussurro na noite
quase açoite no vazio
devaneios da fumaça no ar
tonteiras de um rodopio
enquanto ao longe ouço
miado rouco de gato esfinge.

No telhado, a magia do luar.

Parada no meio da ponte
a flor do deserto da menina
insegura em puro desespero
na dúvida do passo da estrada.

Talvez nem saiba
que ali estava um farol
a guiar o falido pescador,
a livrá-lo da dor
a livrá-lo do anzol.

Pura sintonia de luas,
harmonia no olhar,
passos compassados, adiante
o tao, encaixe perfeito
fogo, terra, água e ar…

É querer ser pássaro para sobrevoar
cinzas férteis de um vulcão
Raio do sol com som
a brilhar no horizonte.

Aurora da vida,
suave leveza do sopro,
flutuar de bolhas de sabão,
sarando o machucado coração,
fechando a ferida sentida
na beira do mar…
na beira do mar…

(Anderson Porto)

Anúncios

Silver Rain

Choice, not chance
Feelings, not failure
Form, not to forget
Crisis, not creating
Time, not temper
Pleasure, not delighting.
Being not, beware!
Following, not right…
Raw, not rare.

Fancy clouds above somewhere
dancing and bumping
fuzzling and seeding
lightnings in the storm.

Sure, it’s not fair.

(Anderson Porto)

Gotas da vida

Chuva

Ali,
aquela poeira
levada ao vento
num sol escaldante,
com tudo queimado,
tão castigado,
estrupiado…
Tornando a cena
tão triste,
tão marcante.

Imensa fome,
ainda sem nome …

Vêde o verbo,
o açoite,
que não descansa
tarde da noite.

Ainda persiste
ainda existe
a sede de chuva.

O grito da gota
reverbera
no impacto,
no solo,
quando chega.

Traz finalmente
a energia
tão querida,
dizendo sim
ao giro da roda
da vida.

E assim,
a chuva da primavera
enfim germina
o lírio no lodo
do brejo.

(Anderson Porto)