A chuva de sol

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A CHUVA DE SOL

Um choro jogado do sol
Trazendo sua fria água dourada
De repente, chegou resplandescente.

Era perfeito o brilho da chuva
Cantando uma canção muda para mim
Limpou minha cinza em chamas.

Alexandre Hamada Possi*
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Aluno do curso de letras da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas – USP

(Tradução por Sarkis Ampar Sarkissian)

Bubuia

Já que não estamos aqui só a passeio
Já que a vida enfim, não é recreio
Eu vou na bubuia, eu vou
Eu vou na bubuia, eu vou

Flutuo, navegando, sem tirar os pés do chão
Trezentos e sessenta e cinco dias na missão
Na bubuia, eu vou
Eu vou na bubuia, eu vou

Subo o rio no contra-fluxo à margem da loucura
Na fé que a vida após a morte continua
Eu vou na bubuia, eu vou
Eu vou na bubuia, eu vou

Entoo uma toada em dia de noite escura,
Na sequência, na cadência, na fissura,
Eu vou na bubuia, eu vou

Eu vou, suave, bebendo água na cuia

Olho aberto, papo reto, o peito como bússula
Nenhum receio do lado negro da lua
Que me guia na bubuia

Eu vou na bubuia, eu vou

O destino é um mar onde vou me desfazer
Contente a deslizar na correnteza do viver
Na bubuia eu vou
Eu vou na bubuia, eu vou..

(Bubuia – Céu)

Estado resolvendo problemas sociais complexos

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Gotas da vida

Chuva

Ali,
aquela poeira
levada ao vento
num sol escaldante,
com tudo queimado,
tão castigado,
estrupiado…
Tornando a cena
tão triste,
tão marcante.

Imensa fome,
ainda sem nome …

Vêde o verbo,
o açoite,
que não descansa
tarde da noite.

Ainda persiste
ainda existe
a sede de chuva.

O grito da gota
reverbera
no impacto,
no solo,
quando chega.

Traz finalmente
a energia
tão querida,
dizendo sim
ao giro da roda
da vida.

E assim,
a chuva da primavera
enfim germina
o lírio no lodo
do brejo.

(Anderson Porto)