Sobre os problemas na comunicação

por Januse Castro

Entre tantas ideias equivocadas que vemos por aqui, esta me chamou atenção: “Eu sou responsável pelo que digo, não pelo que vc entende”.

Antes de mais nada, egocentrismo mandou lembranças… E em tempos de internetês, onde pouca gente faz uso correto da ortografia e quase ninguém conhece as regras básicas de pontuação, fica muito difícil entender o que certas pessoas querem dizer.

A comunicação, como o amor, precisa do empenho de todos os envolvidos para que aconteça. A comunicação pressupõe uma relação e o intuito de entender/se fazer entender… Se falo em português com alguém que só compreende inglês, não há comunicação, a não ser que os dois avancem numa direção que sirva a ambos… como a mímica. Se me expresso como bem quero, sem considerar o alcance do entendimento do outro, pode ser que a comunicação não aconteça. Da mesma forma, se não me esforço em entender a forma como o outro se expressa, preso aos padrões que conheço, pode ser que eu nunca entenda o que o outro quer dizer, por mais que ele tente.

“Eu sou responsável pelo que digo, não pelo que vc entende”. DIZER é um verbo, uma AÇÃO… toda ação gera uma CONSEQUÊNCIA. Se somos responsáveis pelas consequências de nossas ações, somos responsáveis pelo que dizemos e por como fomos compreendidos… Se alguém não pretende arcar com as consequências do que diz, incluídas aí as interpretações diversas, melhor seria calar a boca!

É preciso achar um caminho em comum… Na comunicação, como no amor, é preciso ser… amoroso.

Fonte: [ Perfil no Facebook ]

Anúncios

Sobre magoar quem se ama

krishnamurti_sobre_amor

Pergunta: Como posso agir livremente e sem auto-repressão, quando sei que minha ação deverá magoar os que amo? Num caso desses, de que maneira podemos reconhecer a ação justa?

Krishnamurti: Deseja saber o interrogante como poderá proceder livremente e sem refreamento, quando saiba que sua ação deverá magoar os que ama. Ora, amar é ser livre. No amor, são livres ambas as partes.

Se existe a possibilidade de sofrimento, não se trata então de amor, mas, sim, puramente, de uma forma sutil do instinto de posse, do instinto de aquisição.

Se amais, se realmente amais alguém, não há possibilidade de lhe causardes dor, fazendo algo que julgueis justo.

É somente quando queremos levar a pessoa amada a fazer o que desejamos, ou esta nos quer levar a fazer o que ela deseja, é somente então que existe dor. Isto é, amais a posse.

Com ela vos sentis abrigados, seguros, confortáveis. Embora saibais transitório esse conforto, buscais abrigo nele, na sua transitoriedade.

Toda luta em busca de conforto, incitamento, denuncia falta de riqueza interior, e, por conseguinte, cada ação incompatível com um dos amantes cria-lhe na mente perturbação, dor e sofrimento. Assim, um dos amantes tem de reprimir o que realmente sente, a fim de ajustar-se ao outro.

Em suma, essa constante repressão, ocasionada por isso que chamam amor, destrói os dois indivíduos. Em tal amor não existe liberdade; ele é apenas uma forma sutil de escravidão.

Quando sentis ardentemente a necessidade de fazer alguma coisa, vós a fazeis, às vezes com astúcia e sutileza, mas a fazeis de qualquer maneira. Existe sempre esse impulso a operar, a agir independentemente.

Krishnamurti – Ojai, Califórnia, 1938

http://nossaluzinterior.blogspot.com.br/2011/05/uma-radical-revolucao.html

Comandos em Ação

Como memória é uma coisa que falha, venho tentando buscar lembranças que mantenham viva a chama dos ensinamentos de meu pai, para compartilhar com os demais alguns exemplos que, creio, aprendi com ele. E vou tentando, na medida do possível, ensinar ao meu filho.

O ano era 1985, talvez 86. A novidade da época era uma coleção de bonecos e carrinhos, chamada Comandos em Ação, acredito que vieram para substituir o antigo boneco Falcon, não lembro ao certo. Eu e meu irmão começamos a disputar quem conseguia comprar mais bonecos e carrinhos, tinha até helicóptero e barcos…

Morávamos numa casa repleta de árvores, um quintal de terra, bem grande. Eram cinco mangueiras, jabuticabeira, árvore-do-viajante, goiabeiras, dentre várias outras… Sabe aquela sensação gostosa de sombras e raios de sol, alternando-se ao sabor dos ventos? Era ali que passávamos boa parte das tardes, brincando…

Depois de algum tempo economizando mesadas, juntando com presentes de comemorações e lavagens de carros de vizinhos, conseguimos juntar uma certa quantidade de bonecos, jipes, tudo que fosse possível comprar da tal coleção. Faltava criar umas “bases inimigas” para colocar os bonecos e carrinhos. A bricadeira seria fazer uma guerra entre as bases.

Continuar lendo