Os “deuses” e as religiões

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Deixem-me falar sobre religião.

Quem estuda um pouco sobre a história das religiões sabe que elas buscam tentar responder a dúvidas sobre “o que estamos fazendo aqui” para que a realidade tenha um motivo ou explicação de existir, seja lá a forma como a conhecemos.

Já a questão “de onde viemos” serve para saber como viemos parar aqui, como fomos construídos, quais nossos limites.

Daí o tal “criador”, aquele que supostamente seria o “culpado” disso tudo.

O ser humano pagão de antigamente entendia que somos resultado de zilhões de forças atuando continuamente, e a essas “forças” se acostumou a chamar de “deuses”.

O magnetismo era um “deus”, a gravidade também, a floresta, as águas, o ar, o fogo…

Assim como certas emoções como ódio, amor, alegria, romantismo ou curiosidade.

Foram então criadas personificações – desenhos, esculturas, estátuas, totens… – para que o ser humano pudesse ter uma forma de concentrar sua atenção nessa “significação” como algo físico, dentro da realidade que consegue lidar.

Creio que todos que pesquisaram chegaram a este ponto de convergência.

E o que fizeram no antigamente? Reuniram todas essas “forças” em um nome só, “Deus”, para resolver vários problemas de identificação.

A força (ideia-pensamento) NACIONALISMO, por ex., acabava por se tornar um “deus de uma região” e atrapalhava as conquistas territoriais.

O que separa as pessoas no mundo são muitas vezes essas “personificações”, esses “deuses” ideologicamente separados. LUXO, RIQUEZA, TIMES DE FUTEBOL, IDEOLOGIA POLÍTICA, EGOÍSMO, VIOLÊNCIA…

Era interessante martelar a ideia de um “deus” só para usar como desculpa para invadir países e tomar territórios. Hoje a desculpa é petróleo, terrorismo, comunismo, racismo…

E é por isso que o capitalismo tornou-se um “deus”, existindo pela crença daqueles que perpetuam essa ideia-pensamento.

__ Anderson Porto

Mãe

“Mãe?
Claro, todos temos…
Uns mais, outros mais ou menos…

Mãe da gente
de vez em quando é estranha.
Quer ouvir que ama,
quer água e café na cama.

Quer o mundo todo do filho;
as horas, os amigos e os porquês.

Mãe, deve ser única mesmo.
Nascendo uma por vez.
O filho nasce, e já ganha grátis:
Uma mãe!

De aparência indiscutível,
de paciência incomensurável,
e perdão infinito…

Mãe é coisa estranha…
Espera de todo filho uma compreensão tamanha,
que quando paramos para refletir sobre o assunto
não estamos mais juntos…
Estamos os mesmo,
mais distantes, machucados…

Mãe
deveria ser band-aid, merthiolate e algodão.
Deveria ser a cura pra toda dor…
Independente se foi ela quem trouxe, ou não.”

[Fernando Anitelli]

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Anjos do asfalto

Faltava 20 minutos para o ônibus com a minha noiva chegar. Sim, já fui noivo. Acreditei em um monte dessas baboseiras padronizadas que o sistema criou para nos enganar…

Estava com 20 anos e achava que viver era casar, ter filhos… O problema é que eu estava morando em Niterói e ela estava chegando na rodoviária do Rio!

Então lá fui eu: corri pro estacionamento para pegar o carro, virei a chave, liguei o som e quando vi já estava subindo a ponte. Mal sabia o que me esperava…

Estava entretido com lembranças e esperanças, pois haviam passado alguns meses desde a última vez que tinhamos nos visto. Naquele tempo não tinha Internet, o namoro era por telefone, por cartas… Pois é… Isso mesmo que você está pensando… Naquela seca de meses sem transar…

Então estava eu lá perdido em pensamentos, dirigindo no modo automático, chegando no vão central (para quem não conhece, a parte mais alta da ponte) e… Vrrrrrrroooooooommmmmmnnnnn… O carro desliga.

Aproveitei que estava em movimento, passei terceira e virei a chave, para ver se pegava no tranco… Ligou! O suficiente para passar do vão central… Mas não adiantou, assim que comecei a descer o carro desligou novamente… “Será que é bateria? Pane elétrica? Será que soltou algum cabo? Será que…”, pensava eu enquanto a velocidade diminuia, dirigindo com o pé na embreagem, para que o carro deslizasse o máximo possível… até parar.

Olhei para o painel e o marcador da bomba de gasolina acusava: agora só reboque, acabou o combustível. Na pressa de sair e com os pensamentos ocupados com delícias carnais, não me ocorreu lembrar de verificar se tinha combustível no tanque.

Meti a mão na carteira e tomei um susto: só tinha 5 reais. E faltava aproximadamente 5 minutos para minha noiva chegar, lá na rodoviária. Pensei lá comigo: “Bem, não vai dar para chegar a tempo. O melhor que posso fazer é ligar o alerta e aguardar o reboque.”. Naquela época não tinha celular.

E foi o que fiz. Deitei parcialmente o banco, coloquei o retrovisor numa posição que me permitisse ver os carros chegando e fiquei ali deitado, agora pensando no risco de algum acidente, algum carro vir correndo e porrar por trás. Por via das dúvidas botei o cinto.

Do outro lado da rodovia para um guincho e o rapaz grita pra mim: “Estou indo rebocar um carro agora, na volta passo aí para te pegar, ok?”. Só fiz o sinal de joinha. Beleza, já era a noite…

Aí fiz o que melhor sabia e podia fazer naquele momento: tirar um cochilo. Deitei mais um pouco o banco, ajeitei o retrovisor e peguei no sono. De repente, no meio daquele “zum… zummm…” dos carros passando, um barulho diferente me acordou.

Saca aquele barulho de motor de carro potente mas velho? Olhei pelo retrovisor e – sério! – vi um GALAXIE 500 rosa, conversível, todo pichado / grafitado, diminuindo a velocidade e parando atrás de mim. Pensei: “deu merda!” e já me encolhi.

Ainda olhando pelo retrovisor vejo a porta do motorista abrir e descer um cara de uns 2 metros de altura, careca, forte bagarai, tatuado, de blusa branca e calça jeans. O detalhe é que ele estava de bota. Só que não era só uma bota… Quando ele começou a andar na minha direção dava para ouvir o barulho de.. esporas! Esporas, bicho! Fala sério!

Comecei disfarçadamente a tentar fechar as janelas e aquele barulho foi se aproximando… Se aproximando… Até que o cara se curva, olha pra dentro do carro, me vê sentado no lado do carona, segurando uma chave de fenda e com aquela cara – em pânico – de “num mexe comigo senão vai acontecê uma disgraça”… rs…

“– Tá tudo bem contigo aí? Cabou a gasolina, né?”. Aparentemente balbuciei um “é”… “Olha só… O que posso fazer é te rebocar até algum posto de gasolina. Nesse horário é muito difícil o reboque da ponte”.

Devo ter mimetizado algo parecido com um “tá”, porque ele andou na direção do carro dele, ligou, fez uma manobra e parou em frente ao meu. Em seguida desceu, abriu o porta-mala e de lá tirou uma corrente gigante, do meio de um monte de trecos.

Eu na mesma hora pensei “Fudeu… Esse punk de esporas vai me rebocar sei lá pra onde, me matar e acabou-se o mundo”… Até tentei esboçar alguma reação, me levantando e tentando acompanhar o que ele estava fazendo…

Ele foi me explicando: “Não deixa a corrente bater no chão, senão pode enfraquecê-la e soltar faíscas. Também não deixe ela muito esticada, porque senão num tranco é capaz de romper. Vai controlando com o freio, tá? E deixa em ponto morto. Você consegue fazer isso?” e eu “Claro, claro… Eu só preciso parar ali na rodoviária, para buscar a minha noiva”. Foi a senha para começar a doideira.

Entramos nos carros. Ele ligou o dele, gritou um “vira a chave para não trancar as rodas” e começou a puxar. Passados uns 100 metros ele estabilizou numa velocidade e com isso consegui deixar o carro seguindo suave, bem devagar. Dali foi tranquilo até a rodoviária. Ele foi freiando e paramos. Puxei o freio de mão e avisei que não ia demorar.

Corri até a saída dos passageiros mas não tinha mais ninguém lá. Ela já tinha ido embora.

Na volta lembro que pensei: “ele deve ter ido embora com o carro; foda-se, pelo menos estou vivo”. Não tinha. Estava lá me esperando.

Sorri meio que sem acreditar, pois não sabia o que viria em seguida… Entramos nos carros e ele reboca pra direita, ali por São Cristóvão, uns 10 minutos de suspense… até um posto de uma cooperativa de taxis ali perto.

Agradecendo por estar vivo, são e salvo, informo que não tinha nem como retribuir $$$ pela gentileza, pois não tinha dinheiro nem para gasolina. Ele me diz: “Cara, só não te dou da minha gasosa porque tá no final também. Mas toma aqui esses 10 reais, que já ajudam”.

Eu agradeci de todas as formas possíveis, coloquei 15 reais de combustível e fui embora pra casa da minha noiva, pensando em tudo que tinha acontecido, em como eu era abençoado e como eu tinha sido um babaca preconceituoso com uma pessoa que foi um verdadeiro “anjo” ali naquela situação.

E todas as vezes que me pego sendo preconceituoso com alguém, por quaisquer aparentes motivos, me lembro desse acontecido.

Anderson Porto

GALAX SÃO PAULO 13/12/2010 - JORNAL DO CARRO - CARRO DO LEITOR - Fotos gerais do Ford Galaxie 500 do leitor Gilberto

Imagina esse carro todo pichado de rosa, azul, uns desenhos lôkos… rs…

O dia que conheci Nico Lopes

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“Tá fazendo o quê?”, disse minha amiga ao telefone. “Tás a fim de passar um fim de semana num sítio?”. “- Bora…”, rs… E lá fomos nós para Viçosa, em MG.

Na rodoviária de Niterói aquele último confere no mochilão para ver se tinha tudo que precisava. Tava levando quase uma casa, pois era bem capaz do povo acampar por lá.

Partimos para Belo Horizonte e de lá para Mariana. Lembro que pensei “Poxa, na volta bem que podíamos dar um pulo em Ouro Preto”.

Chegando em Viçosa fomos direto para o apê “república” onde a irmã dela estava morando. Apartamento só com mulheres, tudo organizado e limpo, reparei. Depois pensei: “Ih, onde que vou dormir?”.

Cumprimentei as meninas, todas de babydoll e roupas frescas pois era um dia de sol. Saca aquele pensamento de “hummm…”? rs… Pois é.

Cheguei na janela… “De frente para o bar, olha que beleza… Tô feito!”. 😄 Foi falar e passa um trem apitando… “Nuss… aqui passa trem?”. Já tava quase falando mineirês! rs…

Descemos para tomar aquela gelada pós viagem, ocupamos algumas mesas e ficamos lá bebendo e socializando, esperando o restante do pessoal que ia pro sítio chegar.

Foi anoitecendo e o pessoal chegando. Mó multidão no bar. Alguém trouxe um violão, uma galera se juntou para cantar, cerveja atrás de cerveja alguém acendeu um baseado, outro alguém querendo fazer um churrasco e tinha uma galera batendo pé e reclamando “gente, deixa para fazer isso lá no sítio, vamos partir…”.

Partimos. Uns 30, 40 minutos de viagem, não sei ao certo. O que sei é na hora de abrir a porteira a pessoa que tinha alugado esqueceu a chave do cadeado.

Procura daqui, procura dali, eu perdido, pois não conhecia praticamente ninguém, fora aquela turma de meninas da república, que tinha acabado de conhecer… Alguém tinha que voltar para buscar a chave.

A menina que tinha alugado o sítio era lá da república. Não lembro o nome dela. Só sei que entrou no carro e me chamou, “Anderson, vamos lá comigo?”. E fomos.

Deixamos o pessoal esperando no portão junto com as compras. Com o carro mais leve fomos e voltamos rapidinho, não deu nem 1 hora. Ela subiu, pegou a chave, o tempo certo que levei para pegar mais uma cerveja no bar, e voltamos.

Chegando no sítio a galera já tinha entrado. Foram passando as compras pela cerca e colocaram tudo na varanda. Já tinham até aberto uma janela, entrado na casa e ligado a geladeira, que ficou lotada de cervejas e refrigerentes.

Uma menina, com visual meio dark, cabelo roxo e meio gordinha, tava entalada na janela e me gritou “Ei menino, psiu, me dá uma ajuda aqui! Anda!”. Fui lá, dei “pepé” e ela meio que tombou lá pra dentro. Começou a xingar alguma coisa, não dava para ouvir, enquanto a que tinha alugado abria a porta da sala, que estava sem lâmpada. Depois descobrimos que só tinha luz na varanda.

Com o pessoal meio sem saber o que fazer, sugeri “bora fazer uma fogueira?” e fui procurar madeira. Uns dois ou três caras gostaram da ideia e ajudaram. Logo a gente juntou lenha suficiente e começamos a procurar álcool. Ninguém tinha lembrado de trazer.

Estava uma noite bem bonita, sem lua e com uma caralhada de estrelas, então o pessoal foi se juntando na área perto da cozinha, o cara do violão começou a tocar Legião e logo a festa tava formada.

Lembro que achei engraçado ver as meninas de calça jeans e bota, com aquele chapéu. Lá pelas tantas eu mesmo tava de chapéu, rs… Tinha levado só uma camiseta e começou a esfriar.

Passado um tempo já tava ficando meio zoim e resolvi comer alguma coisa. Me levantei e fui na cozinha. Procurei daqui e dali e nada… Ou povo tinha escondido a comida, ou já tinham comido tudo. Só tinha uns farelos de pão em cima da pia. “Esse povo anda fumando muito!”, pensei…

Abri a geladeira e até as cervejas estavam acabando. Tinha uma garrafa de Coca Cola pela metade. Peguei, enchi um copo e bebi. “Nuss! Que merda! Tá sem gás”. Abri o congelador, peguei umas pedras de gelo – (“será que tem vodka?”) – coloquei no copo, botei a garrafa de refri debaixo do braço e fui lá pra fora.

Sentei num tronco, tomei mais uns goles, entoquei a garrafa num canto e fui dar uma andada. Acabei achando um galpão e lá dentro um monte de palha seca. “Och, com isso dá para acender a fogueira!”, sorri!

Trouxe um punhado, coloquei no meio das madeiras, coloquei algumas umas por cima. Peguei mais um pouco, recheei os buracos e acendi. O povo na varanda assistindo. Catei mais um pouquinho, fiz uns bolos dobrados e fui atiçando o fogo, que aos poucos foi pegando e logo a fogueira começou a ficar bonita, com chamas passando de dois metros.

Aí uma galera se animou, juntou as cadeiras perto do fogo, alguém foi lá catar mais palha e logo todo mundo tava catando palha e jogando na fogueira. E o fogo subindo!

De repente o caseiro do sitio aparece no portão, gritando! “- Gente, não usa essa palha não. Essa palha é para cobrir a plantação de alho!”. E o fogo subindo! Subiu tão alto que pegou num dos fios de energia. De repente fez aquele baita barulho “BUUUUMMM!” e lá se foi a luz da varanda.

Bem… Acontece. Rs… Tudo certo lá com o caseiro, a festa continuou. Sentei perto da fogueira para pegar a garrafa de refri, que tinha esquecido, e quando fui colocar no copo um cara me fala: “Cara, o que você está fazendo? Isso aí não é Coca não… Isso aí é chá de cogumelo!” e começou a rir.

“Ih…”, pensei lá comigo… Agora que você fala? Agora já era… Tomei uns 6 copos dessa porra…”. E fiquei ali vendo as chamas da fogueira, alguém ligou o som…

Dali a coisa toda foi ficando meio “nublada”. Não lembro ao certo. Muitas imagens desconexas. O que sei é que voltei pra Terra com minha amiga batendo no meu ombro. “O que você tá fazendo aí?!”.

Ao meu redor um monte de cascas de tangerina, talvez umas 2 dúzias. Acho que verdes. Eu estava sentado no meio de uma plantação de tangerinas, no topo de um monte perto do pessoal, e respondi:” Estou esperando o dia amanhecer. Olha lá o sol…” e apontei para a luz que estava vendo…

“- Aquilo é a luz de uma casa na montanha, Anderson! Bora lá que a festa tá bobando! Tem uma amiga que quer te conhecer!”

Voltamos pro meio do povo e adivinhem quem que tava a fim de mim? A que tinha alugado o sítio. Sorri! Só que a gordinha dark, me parece, também estava, pois saiu lá de onde estava e veio me abraçar, agarrando no meu pescoço. Para piorar, tinha um cara lá que tava a fim da mulher do sítio…

Enfim, procurei uma água para beber, que meio que me deu aquela “acordada” e pensei “acho que vou sair fora, não vou ficar nessa confusão não…”. Avisei minha amiga que estava indo embora e meti o pé.

Dali desperto novamente já na linha do trem, andando… Saí do sítio acho que 3 da manhã, creio, e já tinha andado um bom pedaço. O dia estava amanhecendo. Suava em bicas e ainda estava meio zonzo. Ao lado do trilho do trem un arbustos de mata fechada, então nem tinha como voltar.

De repente começo a me tremer. Uma tremedeira esquisita daquelas e quando mais eu andava mais ia aumentando. Pensei “ih, devo estar passando mal”… e resolvi parar. Dei aquela respirada, com a mão na cintura, e quando dou aquela olhada para trás, para ver o caminho que já tinha percorrido, vejo o semblante de um baita de um trem fazendo “PÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉMMMMM…”.

Caralhos, que susto! Me fez pular dali dos trilhos voando pra cima de uns arbustos. Só senti o “aiiii…”. Puta merda! Os arbustos cheios de espinhos!! Fiquei ali, esperando o trem passar, sem praticamente poder me mexer. Depois que passou fui saindo devagar e consegui ver o estrago. A camisa toda rasgada, cheio de espinhos pelo corpo… Tinha espinho até nas bochechas.

Bem… Fazer o quê? Respirei e continuei andando. Passei  por umas casinhas edificadas perto do trilho do trem e fui seguindo por uma estradinha que o margeava uma plantação de milho. De repente se juntou um senhor de idade, cabelos brancos, que também caminhava em direção ao centro.

Depois de rir muito d’eu contando o que tinha acontecido, me deu as coordenadas que faltavam para eu chegar na república. Me contou também que ele adorava milho, por isso vinha andar ali perto daquelas plantações. Nos despedimos com ele me dizendo “-Cuidado com o coração!” e continuei andando.

Entrei na cidade ainda seguindo o trilho do trem, pois lembrava que passava ao lado do bar. Era quase meio-dia quando cheguei. De longe o pessoal do bar me avistou, ainda com a camisa suja de sangue, alguns vieram me perguntar o que tinha acontecido… “Bem… Deixa eu pelo menos tomar uma cerveja, minha boca está seca!”.

A minha amiga me avista da janela e vem falar comigo. Rimos muito de tudo e no meio daquilo tudo alguém me fala que aquele dia também era dia de festa, pois era o dia da “Marcha de Nico Lopes”… Tava com preguiça para entender o que eles estavam falando e a bem da verdade eu queria mesmo era descansar, pois tinha andado pra caralho…

Subi para a república, tomei um banho, deitei no sofá da sala debaixo de um ventilador e me preparei para dormir. A TV estava ligada e passava uma reportagem no jornal da tarde sobre a tal festa do dia.

Lembro que antes de cair no sono, pensei algo do tipo: “Acho que conheço esse cara… Ele não me é estranho…”, olhando com os olhos semicerrados as imagens da TV.

Dormi.

O verdadeiro “Eu”

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Sério mesmo!? Você demonstra por A + B e as pessoas não acreditam que foram programadas… Ou não querem acreditar… Por quê?

Porque aceitar que foi programado é muito ruim pro EGO… É reconhecer que esse tal “eu” pessoal foi todo construído baseado em modelos alheios, externos…

As pessoas que chamo de “zumbis” (comedores de cérebros) vêem algum gesto e imitam. Vêem algum comportamento e imitam. Vêem alguém fazendo alguma coisa, acham legal e passam a agir daquela maneira. Pensam: “eu sou assim”.

Daí os pensamentos tornam-se ações. Pela repetição tornam-se hábitos. Cada hábito torna-se parte do caráter.

E se o indivíduo tenta sair dessa prisão, fugir disso, lá vem a pressão da sociedade e tenta te colocar de volta nos trilhos… Pois o diferente entra em conflito com a programação, incomoda…

Como eles, no poder, não tinham meios de controlar apenas pela força bilhões de pessoas, o que fizeram? Criaram um sistema onde eles criam as regras e as pessoas controlam as demais através de coerção, chantagem ou isolamento. Funciona!

Para sair disso só resta a cada um “desconstruir” a sua própria personalidade, enfrentando milhares de medos incutidos e sombras negadas, até que seja possível construir por seus próprios meios o seu verdadeiro Eu.

Anderson Porto

O que entendo por “Deus”

Eu acredito em “Deus”, mas meu conceito sobre “Deus” difere bastante do senso comum, programado nas pessoas via religiões monoteístas.

Não percebo “Deus” como um “amigo imaginário”, criado para nos fazer companhia na solidão, ou nos momentos de desespero, nem como “dono gente boa de uma loja de penhores”, aquele que você barganha pedindo uma geladeira e oferece em troca uma caixa de fósforos.

Meu conceito de “Deus” é tal qual um sistema matemático com miríades de iterações, recursividades e pontos de quebra de rotinas, as emoções, formando um todo entrópico, caótico e interativo.

No Star Wars aparece como a mítica “Força”. 🙂

Acredito, portanto, em “Deuses”, isto é, na representação imaginária dessas forças que existem na Natureza, “daimons”, rotinas que ficam executando em background…

Resumindo, a figura que tenta representar “Deus”, para este ser aqui, é um círculo com um ponto no meio.

E o sistema criado a partir daí pode ser representado figurativamente por…

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Anderson Porto

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ps1: esta é primeira tentativa de escrever sobre o inefável.
ps2: não, você não é obrigado a acreditar no que acredito.
ps3: sim, parece ser bem complicado mas, ao mesmo tempo, “está em tudo e mesmo assim, ninguém lhe diz ao menos obrigado”…