Saturnália – as origens do Natal

É mais fácil mudar o calendário do que mudar o apetite do povo pelas festas.

Les Saturnales - Antoine-François Callet

Les Saturnales – Antoine-François Callet

A origem da celebração no dia 25 de Dezembro é muito antiga e a associação mais direta provêm, como tantas outras coisas, dos Romanos. Estes celebraram durante muito tempo uma festa dedicada ao deus Saturno que durava cerca de quatro dias. Nesse período ninguém trabalhava, ofereciam-se presentes, visitavam-se os amigos e, inclusivamente, os escravos recebiam permissão temporária para fazer tudo o que lhes agradasse, sendo servidos por seus senhores. Era também coroado um rei que fazia o papel de Saturno. Esta festa era chamada Saturnália e realizava-se no solstício de Inverno (hemisfério Norte).

O solstício de Inverno era uma data muito importante para as economias agrícolas – e os Romanos eram um povo de agricultores. Fazia-se de tudo para agradar os deuses e pedir-lhes que o Inverno fosse brando e o Sol retornasse ressuscitado no início da Primavera. Como Saturno estava relacionado com a agricultura é fácil perceber a associação do culto do deus ao culto solar.

Mas outros cultos existiam também, como é o caso do deus Apolo, considerado como “Sol invicto”, ou ainda de Mitra, adorado como Deus-Sol. Este último, muito popular entre o exército romano, era celebrado nos dias 24 e 25 de Dezembro data que, segundo a lenda, correspondia ao nascimento da divindade. Em 273 o Imperador Aureliano estabeleceu o dia do nascimento do Sol em 25 de Dezembro: Natalis Solis Invicti (Nascimento do Sol Invencível).

mitra-o-verdadeiro-salvador-enviado-por-deus-mithra-7

esquerda: Deus Mitra (babilônia) -|- direita: estátua da Liberdade

É somente durante o século IV que o nascimento de Cristo começa a ser celebrado pelos cristãos (até aí a sua principal festa era a Páscoa) mas no dia 6 de Janeiro, com a Epifania. Quando, em 313, Constantino se converte e oficializa o Cristianismo, a Igreja Romana procura uma base de apoio ampla, procurando confundir diversos cultos pagãos com os seus. Desistindo de competir com a Saturnália, deslocou um pouco a sua festa e absorveu o festejo pagão do nascimento do Sol transformando-o na celebração do nascimento de Cristo. O Papa Gregório XIII fez o resto: é mais fácil mudar o calendário do que mudar a apetência do povo pelas festas…

msgfr-academic-ru-etruskischer-meister

A árvore de natal também tem suas origens no paganismo. Segundo uma fábula babilônica, um pinheiro renasceu de um antigo tronco morto. O novo pinheiro simbolizava que Ninrode tinha vindo a viver novamente em Tamuz. Entre os druidas o carvalho era sagrado. Entre os egípcios era a palmera, e em Roma era o abeto, que era decorado com cerejas negras durante a saturnália. O deus escandinavo Odim era crido como um que dava presentes especiais na época de natal àqueles que se aproximassem de seu abeto sagrado. Em inúmeras passagens bíblicas a árvore é associada a idolatria e a adoração falsa: Porque também os de Judá edificaram altos, estátuas, colunas e postes-ídolos no alto de todos os elevados outeiros, e debaixo de todas as árvores verdes (I Rs.14:23). Não estabelecerás poste-ídolo, plantando qualquer árvore junto ao altar do Senhor teu Deus que fizeres para ti (Dt.16:21). Portanto a árvore de natal recapitula a idéia da adoração de árvore, sendo que castanhas e bolas simbolizam o sol. (WOODROW, Ralph. Babilônia A Religião dos Mistérios).

A fim de justificar a celebração do natal muitos tentaram identificar os elementos pagãos com símbolos bíblicos. Jesus, por exemplo, foi identificado com o deus-sol. Tertuliano teve que assegurar que o sol não era o Deus dos cristãos, e Agostinho denunciou a identificação herética de Cristo com o sol. O salmo 84:11 diz que Jesus é sol. Mas este versículo não está dizendo que Jesus é o deus sol ou que o sol é um deus, mas que assim como o sol ilumina toda a humanidade, Jesus é a Luz que alumia todos os homens (Veja Lc.1:78,79 e Jo.1:9).

Na basílica dos apóstolos muitos cristãos, identificando Cristo com o deus-sol, viravam seus rostos para o oriente a fim de adorá-lo. O próprio papa Leão I reprovou o ressurgimento desta prática, como já havia acontecido com o povo de Israel: “…e com os rostos para o oriente, adoravam o sol virados para o oriente” (Ez.8:16).

É bom lembrarmos das advertências do profeta: Porque os costumes dos povos são vaidade; pois cortam do bosque um madeiro, obra das mãos do artífice com machado; com prata e ouro o enfeitam, com pregos e martelos o fixam, para que não oscile (Jr.10:3,4).

Com o passar do tempo muitos outros costumes foram sendo introduzidos nas festividades do natal. O papai Noel, por exemplo, é uma representação de São Nicolau, um santo da Igreja Católica Romana. O presépio foi inserido por São Francisco.

“Que ninguém tenha atividades públicas nem privadas durante as festas, salvo no que se refere aos jogos, as diversões e ao prazer. Apenas os cozinheiros e pasteleiros podem trabalhar. Que todos tenham igualdade de direitos, os escravos e os livres, os pobres e os ricos. Não se permite a ninguém enfadar-se, estar de mal humor ou fazer ameaças. Não se permitem as auditorias de contas. A ninguém se permite inspecionar ou registrar a roupa durante os dias de festas, nem depor, nem preparar discursos, nem fazer leituras públicas, exceto se são jocosos e graciosos, que produzem zombarias e entretenimentos”


Mitra ou Amigo[1] é o deus do Sol, da sabedoria e da guerra na mitologia persa. Ao longo dos séculos, foi incorporado à mitologia hindu e à mitologia romana. Na Índia e Pérsia, representava a luz, significando, literalmente, em persa, “Divindade solar”. Representava também o bem e a libertação da matéria. Era filho do deus persa do bem, Aúra-Masda, e lutava contra os inimigos deste com suas armas e com seu javali Verethraghna. Era identificado com o sol, viajando todos os dias pelo céu com sua carruagem para espantar as forças das trevas. Era uma das mais populares divindades persas. Com sua adoção pelos romanos, tornou-se especialmente popular entre os soldados, que lhe ofereciam touros.]

Existem referências a Mitra e a Varuna de 1 400 a.C. como deuses de Mitani, no norte da Mesopotâmia. Entre os persas, apareceu como filho de Aúra-Masda, deus do bem, segundo as imagens dos templos e os escassos testemunhos escritos. Mitra nasceu perto de uma fonte sagrada, debaixo de uma árvore sagrada, a partir de uma rocha (a petra generatrix; Mitra é, por isso, denominado de petra natus). Sua primeira menção é de aproximadamente 3400 anos atrás, sendo descrita como companheira de Varuna, o deus do equilíbrio e da ordem do cosmo. Por volta do século V a.C., passou a integrar o panteão do zoroastrismo persa: a princípio, como senhor dos elementos; depois, sob a forma definitiva do deus solar.

Após a vitória de Alexandre, o Grande, sobre os persas, o culto a Mitra se propagou por todo o mundo helenístico. Nos séculos III e IV da era cristã, as religiões romanas, identificando-se com o caráter viril e luminoso do deus, transformaram o culto a Mitra no mitraísmo.(Wikipédia)


Fontes consultadas:

http://obviousmag.org/archives/2007/12/saturnalia.html

http://solascriptura-tt.org/SeparacaoEclesiastFundament/NatalFestaPaga-Ferraz.htm

https://pt.wikipedia.org/wiki/Saturn%C3%A1lia

As origens da Bíblia – incêndio da Biblioteca de Alexandria

Septuaginta

Septuaginta

Ele encomendou 72 eruditos não Kemetico/ egípcios para traduzir os pergaminhos antigos e compilá-las em um livro para os gregos. Este livro foi chamado de Septuaginta (ou seja, setenta, ou LXX). Este é o livro de onde obtemos o Pentateuco, do Torá, e do Antigo Testamento.

Egito / Roma

AS ORIGENS DA BÍBLIA. ALEXANDRE QUERIA SER PROCLAMADO COMO UM DEUS

Nossa história começa com AlexandRE G, o chamado conquistador do Egito. Ele queria ser proclamado como um deus assim, ele foi, com seus soldados, para um Oráculo de Amon no Egito ocidental num lugar chamado o oásis de Siwa.

Ele perguntou ao oráculo, “Eu sou o Filho de Amun”
O Oráculo disse: “Não”. Ele colocou uma espada no pescoço do Oraculo, OracULO disse QUE
: “Sim”.

A partir daí, Alexander foi para o Templo de Ptah em Memphis para obter o sacerdote lá para anunciá-lo como o “Filho de Deus”. Alguns dos sacerdotes se recusaram, no entanto, ele ainda tinha moedas cunhadas que descreve a si mesmo como o Filho de Amun.

Apesar de suas tentativas de retratar a si mesmo como um Filho de Amun, os sacerdotes, assim como o resto do povo egípcio nunca aceitaram-lhe como o Filho de Amun. Em 331, ele fundou a cidade de Alexandria.

Agora, o que é importante sobre isso é, Alexandria foi construída em terreno pantanoso recuperado. Não era uma parte do Egito. Foi “ad-hoc” Egito.
Era uma adição. Mais ou menos como a construção de uma plataforma em sua casa. Alexandria tornou-se o centro de helenística (grega) cultura no Egito.

Alexandria também foi uma das primeiras cidades segregadas. Os gregos foram os cidadãos de primeira classe e os egípcios foram na parte inferior.Pouco depois de Alexandria ter sido concluída, Alexandre deixou o Egito e nunca mais voltou. Depois de sua morte, um de seus generais, Ptolomeu Lagides assumiu o cargo de governador do Egito 323-283 aC e tornou-se conhecido como Ptolomeu Soter (O Salvador).

Ptolomeu queria ter sucesso onde Alexandre tinha falhado. Os gregos que vieram ao Egito logo se apaixonaram por cada coisa egípcia. Eles adotaram o estilo egípcio de vestido, cultura, religião … e é aí que os problemas começaram.

Os gregos adoravam cada coisa sobre o Egito, exceto as pessoas negras do Egito, e da adoração de divindades negras. Não importa o quanto eles imergiam-se em cultura egípcia havia uma coisa que eles não têm. A mesma aparência do deus que eles adoravam.

Os gregos poderiam vestir-se como os kEMET (antigo Egito) egípcio. Eles poderiam ir aos templos dos Kemetianos, mas um deus de pele negra era um lembrete constante de que eles não eram original Kemet ”egípcios” (Assim como o Semba, Kizomba, hip-hop, é cultura negra, hoje). Não importa o quanto eles imitavam os egípcios, eles não poderiam ser verdadeiramente egípcio.

Isso se tornou um problema quando a conquista estava acabada de uma nação e agora estão orando a e adorando um deus que se parece com as pessoas que você conquistou. Não pode ter isso, podemos?

A SoluÇÃO. Ptolomeu I ordenou o sacerdote egípcios para fazer estátuas à sua imagem para q os gregos o adorassem, e as colocar nos templos ao lado das estátuas originais, para que todos pudessem adorar juntos. Este era para ser a primeira tentativa de “integração”.

O sacerdote disse: “Não”. Ptolomeu ordenou a seu exército para encerrar todos os templos ao longo do rio Nilo, e confiscar todo o texto sagrado Kemetico. Ele, então, teve os texto em seu poder e trouxe para Alexandria. Esta foi a primeira vez, na história,que todo o conhecimento egípcio foi reunido em um só lugar. Nós todos sabemos que o conhecimento é poder. Neste ponto, Ptolomeu tinha todo o conhecimento, e assim a energia.

Ptolomeu queria encontrar uma divindade que iria ganhar a reverência de ambos os grupos, apesar do protesto dos sacerdotes egípcios. Alexandre tinha tentado usar Amun para este fim, mas Amun foi mais proeminente no Alto Egito, e não era tão popular como no Baixo Egito, onde os gregos tiveram influência mais forte.

No entanto, os gregos tinham pouco respeito por “figuras com cabeças de animais”, e assim por enfim uma estátua grega foi escolhida como o ídolo, e proclamado como equivalente antropomórfico dos Apis populares.Foi nomeado Aser-hapi (ie Osiris-Apis), que se tornou Serapis, e foi dito ser Osiris, na íntegra, ao invés de apenas o seu Ka (Espírito).

Ele tinha os textos sagrados guardados no Templo de Ptah, porque aqueles em que o mesmo sacerdote que capitulou aos desejos de Alexandre. Se você gosta, então podemos dizer que estes foram os primeiros ”NEGROPEUS” “NEGRO DA CASA” na história preta DOCUMENTADO.

Quando Ptolomeu Soter morreu, Ptolomeu Filadelfo assumiu e governou o Egito entre 283 aC a 246 aC.

Ptolomeu Filadelfo levou os pergaminhos que seu pai tinha roubado e os abrigou em um templo que ele construiu para o deus q seu pai criou, Serapis, chamado theSerapeum.

Depois que ele construiu o templo, ele construiu um outro sobre ele chamou o Mouseion em Alexandria…

Mais de 1.000 estudiosos viveram no Mouseion em um determinado momento. Os membros da equipe e estudiosos eram assalariados pela Mouseion e não pagava nenhum imposto.

Eles também recebiam refeições gratuitas, espaço livre e placa, e servos livres. O Mouseion foi administrado por um sacerdote nomeado por Ptolomeu II.Gregos estavam no Egito aprendendo e estudando a sabedoria acumulada da civilização Africana, incluindo Platão, que me disseram que era uma das pessoas mais sábias na história ocidental.

Ele era apenas um estudante dos africanos. A “universidade” foi dirigido por um sacerdote egípcio nomeado por Ptolomeu II. Ele pode ser considerado o segundo documentado “NEGROPEU” OU ”NEGRO DA CASA” da história. Depois que os gregos aprenderam tudo o que podiam dos egípcios, e eles incendiaram os outros pergaminhos para destruir todas as provas de conhecimento egípcio. Isto é conhecido na história como o incêndio da Biblioteca de Alexandria.

Antes da biblioteca e o texto serem destruídos por Ptolomeu Philodelphius percebeu que não havia uma cópia do Kemetico / texto egípcio antigo para os egípcios gregas para ler.

Ele encomendou 72 eruditos não Kemetico/ egípcios para traduzir os pergaminhos antigos e compilá-las em um livro para os gregos. Este livro foi chamado de Septuaginta (ou seja, setenta, ou LXX). Este é o livro de onde obtemos o Pentateuco, do Torá, e do Antigo Testamento.

A Bíblia não é nada mais do que uma regurgitação grega incompreendida, e histórias plagiada de Kemetico. Nubio

Fonte: [ Mata Hari, via Facebook ]

Mais infos:

África: lugar das primeiras descobertas, invenções e instituições humanas

O Oráculo

earth_abstract

O oráculo, seja ele qual for, compõe uma determinada situação dramática: a consulta a um dos grandes mistérios da vida, o Destino.

Morte, Sonho, Desejo, Desespero, Destruição e Delírio são os irmãos mais novos do Destino. E, como qualquer cena dramática, há atores, ação, cenário e texto.

Os atores são três: quem pergunta, quem responde e, entre eles, o instrumento, a mídia, o oráculo propriamente dito. A ferramenta, aqui, tem status de ator. O Destino é um ator invisível. E aí temos a cena dramática que atravessa os tempos: um ser-questionário diante do oráculo-enigma e seu decifrador. “Não há nada de novo sob o Sol”.

O ser atormentado pela dúvida adentra o tempo de Mercúrio, bota a mão na estátua do Deus Mensageiro e faz uma pergunta. Ao sair do templo, ao alcançar a rua, o mercado, a primeira frase que escuta, é a resposta à sua angústia. Vox populi, vox dei. O ser-questionário percorre uma vida. Atravessa rios, riachos, correntezas, enfrenta o frio, a raiva, o terror, sobe montanhas, desce vales, sente fome, até que chega a Delfos, para consultar o oráculo do Sol. A Serpente do mundo habita o chão do Templo.

“Conhece-te a ti mesmo. Nada em excesso.” estão grafadas no rol de entrada. Quando é chamado, sua pergunta é respondida com outro enigma: “Quem de dia, engatinha, de tarde anda com duas pernas e de noite, com três?”. Delfos vestido de Esfinge.

No fim de tarde, do último dia de mês do cachorro louco, um homem senta diante de uma Mãe de Santo. Não fala nada, mas é possível escutar a sua hesitação e lamúria, a sua coragem e também o seu desatino (“O que estou fazendo aqui, o quê?”). Os búzios caem e movimentam o mundo.

Freud, ao inventar a psicanálise, substitui o discurso do Oráculo pela a escuta do discurso do id. A lógica do tropeço (chiste, atos falhos, equívocos) será privilegiada, assim como o discurso onírico. O inconsciente é o tabuleiro do seu jogo.

Nesta primeira cena dramática, quem pergunta > oráculo Marte Oráculo (Destino) Marte (Destino) oráculo < xamã + (Destino) que, a esta altura, ganha status de Ordenação. Se, por um lado, a Astrologia guarda inúmeros mistérios, por outro, é menos ritualístico do que o Tarot, o Opelê, o Andaluz, que, devido aos seus tabuleiros e materiais, preparam a situação dramática como se fosse um rito. E o rito organiza milagres. Em outras palavras, o cenário facilita a ação dramática.

Mas se o cenário e o figurino são imprescindíveis, neste ofício ninguém prescinde do uso da palavra, isto é, do Verbo, outro mistério tão forte como a Vida, o Amor, a Morte e o Destino. O Verbo é o irmão caçula do Desejo. E a palavra de um xamã, o seu hálito, tem o poder de narrar acontecimentos, re-significar passos, vencer a morte e recriar o mundo.

A ação da cena dramática oracular é uma espécie de performance. Mas talvez se queira apenas ler o texto. Em ambas as situações, xamã ou tradutor, é preciso dominar a linguagem astrológica, o céu da sua boca. Signos, estrelas fixas, planetas, casas, aspectos, firdaria, progressões, revoluções…

Cabrummmm

Fonte: [ Saturnália – Astrologia & Cidade ]

Pepe Mujica, uma história de amor

José_Mujica-Lucia Topolansky

by Victor Farinelli

Primavera de 1973. Ela não se chamava Ana, mas era assim que todos a conheciam. Ana, a guerrilheira, detida em uma prisão militar feminina, construída especialmente para mulheres tupamaras, em algum lugar desconhecido no interior do Uruguai, com uma carta na mão, que era de Emiliano, ou Ulpiano, ou seja lá qual fosse o seu verdadeiro nome.

Em junho daquele ano, o fim do MLN-T (Movimento de Liberação Nacional, também conhecido como Tupamaros), foi um dos episódios que marcou o início da ditadura uruguaia, e levou centenas de jovens revolucionários à prisão, quinze deles como reféns de guerra. Ulpiano era um deles. Se os tupamaros ainda livres voltassem a atuar, ele seria fuzilado.

Ana, a guerrilheira

Ana, a guerrilheira

Um torturador chuta as grades da cela enquanto ri jocosamente e relembra as últimas humilhações, de diferentes tipos, que a fez sofrer. Ana continua lendo a carta. Ele insiste:

– Você é a nossa preferida, bebê. Vai ficar aqui por milhares de anos.

A raiva a faz apertar o papel em suas mãos até quase rasgá-lo:

– Olha, daqui a doze anos eu vou sair daqui e viver a minha vida. Você viverá com o fantasma dessas perversões, atormentando até o dia da sua morte.

Enquanto ele aumentava o volume das gargalhadas, Ana buscava algo onde escrever uma resposta. Precisava contar sua verdade, que seu nome não era Ana, que era filha de uma família de classe média de Pocitos, bairro nobre de Montevidéu. Tinha uma irmã gêmea, tinha uma família enorme, sofria pelas saudades e pelo medo, mas não medo da morte, era o único medo que não tinha, pois lhe bastava a certeza de sair dali e para se encontrar com ele.

Dias depois, seu advogado lhe forneceu papel, caneta e a grande coincidência de suas vidas. Ele era casado com a advogada de Ulpiano. Os dois nada podiam fazer pelos dois guerrilheiros. Livrá-los da prisão em meio a uma ditadura era impensável. Mas puderam ser um casal de carteiros, trabalhando por um amor que lutava para sobreviver.

Dois prisioneiros vivendo um típico amor tupamaro. O MLN surgiu em meados dos Anos 60, fundado por um grupo de estudantes socialistas que queriam fazer a revolução no Uruguai. Diferente das guerrilhas urbanas de outros países, os tupamaros começaram a atuar antes de instalada a ditadura. A vida na clandestinidade impedia que houvesse relações fora da organização e saber o verdadeiro nome da pessoa amada. O amor deles nasceu quando ela se chamava Ana e ele Ulpiano, e não importava a verdade.

Amor que nasceu com um passo para fora da prisão. Ela, uma estudante de arquitetura com talento para a falsificação de documentos, lhe fazia uma identidade falsa, e assim se conheceram. Ana tinha um namorado que também era do MLN, se chamava Blanco Katrás, que meses depois seria capturado junto com ela. Ana só passou alguns meses na cadeia, mas Blanco seria executado pela polícia uruguaia. “Não era o primeiro namorado que eu perdia naquelas condições, e naquela altura, já tinha visto muitos outros companheiros morrerem. Não há tempo pra sentir pena quando você precisa salvar a própria pele”, pensava Ana, libertada em 1972, antes de encontrar refúgio no mesmo porão em que estava escondido Ulpiano – na época, um dos homens mais procurados do país.

Ulpiano, o mais procurado

Ulpiano, o mais procurado

A caça aos tupamaros no Uruguai passou a ser mais intensa nos Anos 70, com a ajuda dos Estados Unidos. Os tupamaros sequestraram e assassinaram um agente do FBI, em agosto de 1970 (Dan Mitrione, que anos antes esteve no Brasil, ensinando técnicas de tortura aos militares). Ulpiano era acusado de fazer parte dessa operação – que é narrada pelo filme Estado de Sítio, de Costa Gravas.

Ninguém sabe se foi aí, no ocaso do movimento tupamaro, quando viviam de porão em porão pelos bairros do centro velho de Montevidéu, que começou a história de amor de Ana e Ulpiano. “Eles passaram a andar juntos na época mais dura, quando nem sempre havia um teto. Às vezes, era preciso dormir em pântanos fora do perímetro urbano da cidade. Ninguém sabe se a relação, digamos, física, começou nessa época, mas com certeza o carinho mútuo sim”, relata Henry Engler, um ex-tupamaro, amigo pessoal de Ulpiano.

O pouco que se sabe sobre o começo da relação é que eles se tornaram imprescindíveis um para o outro nesses últimos meses do MLN, antes do fim definitivo da organização, em junho de 1973. Ambos foram presos. Ana foi levada a uma prisão de mulheres. Ulpiano virou refém, ficava numa solitária, sob ameaça de morte se algum ex-companheiro voltasse a atuar.

Tentaram trocar correspondências entre si para sobreviver, com a ajuda dos advogados-carteiros. Ela se confessou, disse que se chamava Lucía, Lucía Topolanski, e que sonhava em sair dali e encontrá-lo. Ele respondeu com sua própria revelação: “meu nome é José Alberto Mujica”.

A carta-desabafo de Pepe Mujica, ex-Ulpiano, era a mais bela carta de amor de todos os tempos, segundo as companheiras de presídio de Lucía – era toda sentimentalona, como todas as coisas do Pepe”, segundo María Elia Topolanski, irmã gêmea de Lucía, também ex-tupamara. Passou por todas as mãos e fez sucesso até entre os carcereiros – “naqueles anos, cada carta que chegava era para todas”, conta Lucía, sobre a falta de ciúmes com o bilhete.

Diz a lenda que a ternura das palavras de Mujica amoleceu as restrições que havia para correspondência entre presos, e assim eles puderam trocar mais cartas que os demais casais tupamaros separados entre prisões.

Essa situação durou exatamente os doze anos que Lucía deu de prazo ao seu torturador, até que seu amor renasceu como na primeira vez, com um passo para fora da prisão. No dia 14 de março de 1985, ela e a irmã gêmea saíram da cadeira e foram para a enorme casa da família – no mesmo dia em que Pepe foi libertado, depois de onze anos na solitária, “conversando com os ratos e agarrado na esperança” segundo ele mesmo. “No dia seguinte, Lucía foi embora, foi morar com o Pepe, e nunca mais voltou”, conta María Elia Topolanski.

Ana, quando voltou a ser Lucía Topolanski. Ulpiano, quando voltou a se chamar Pepe Mujica. O recomeço, vendendo flores no mercado de Montevidéu, enquanto vivem, juntos, a mais linda história de amor do Uruguai.

Ana, quando voltou a ser Lucía Topolanski. Ulpiano, quando voltou a se chamar Pepe Mujica. O recomeço, vendendo flores no mercado de Montevidéu, enquanto vivem, juntos, a mais linda história de amor do Uruguai.

Desde então, vivem juntos em uma chácara de um bairro de classe baixa, na periferia de Montevidéu. Começaram criando flores e vendendo no mercado municipal, mas sem esquecer os ideais políticos. Pepe se candidatou e se elegeu deputado em 1995. Em 2000, ele passou a ser senador, e Lucía deputada. Em 2005, ela se elegeu senadora, e nesse mesmo momento, trinta anos depois do começo da relação, vinte anos depois de começarem a viver juntos, decidiram formalizar o matrimônio. Cinco anos antes de Pepe assumir como presidente do Uruguai.

*******

Fonte: [ Carta Capital ]

Universo veio do nada, dizem físicos

The_Void

por Salvador Nogueira

O mundo da cosmologia foi abalado no mês passado pelo bombástico anúncio de que um experimento americano havia detectado confirmação da expansão violenta do Universo após o Big Bang — um processo que teria acontecido no primeiro bilionésimo de bilionésimo de bilionésimo de bilionésimo de segundo após o nascimento do cosmos. Agora, um trio de físicos chineses diz que pode explicar o instante inicial, o momento exato do surgimento do Universo. E o cosmos inteiro, tudo que existe, teria nascido do nada.

É isso mesmo. Do nada. Deixe essa conclusão assentar por alguns segundos, porque é de abalar todas as estruturas.

Agora, vamos qualificar essa ideia. Nem é preciso dizer que se trata de uma afirmação para lá de controversa. Como a expansão inicial — chamada de inflação cósmica — teria “apagado” qualquer sinal de algo que aconteceu naquela minúscula fração de segundo antes dela, não existe esperança de encontrar confirmação observacional deste fato.

Por outro lado, é exatamente a conclusão a que você chega quando aplica a mecânica quântica ao estudo da origem do Universo. E não existe na física uma teoria mais testada e retestada que essa. Todos os nossos estudos da física de partículas — incluindo a recente descoberta do bóson de Higgs, tão celebrada — confirmam sua solidez.

VÁCUO EM TERMOS

Há tempos os cientistas já sabem que o que chamamos de vácuo não é realmente a ausência completa de tudo. Isso porque a mecânica quântica nos confronta com uma ideia muito maluca: coisas podem existir e não existir ao mesmo tempo. Todas as partículas são, na verdade, ondas de probabilidade.

Isso significa que no vácuo, a cada dado momento, existe uma probabilidade não-nula (ou seja, maior que zero) de que uma partícula esteja ali. E tudo bem, contanto que essa partícula só exista por uma minúscula fração de segundo antes de ser destruída, preservando assim um dos pilares da física, que é a lei de conservação de matéria/energia do Universo. É a proibição do almoço grátis, que se manifesta da seguinte maneira: a cada vez que a lei das probabilidades faz o vácuo gerar partículas, elas nascem aos pares, que logo se aniquilam e desaparecem. Por essa razão, elas são chamadas pelos físicos de partículas virtuais.

Disso tiramos duas conclusões importantes. A primeira: não existe nada de mágico no surgimento de partículas a partir do nada — o vácuo faz isso o tempo todo. E a segunda: como essas partículas em geral desaparecem numa mínima fração de segundo, isso tem efeito zero no total de energia no cosmos.

É bom lembrar que as partículas virtuais são mais que uma hipótese. Elas são confirmadas, por exemplo, nas colisões promovidas no LHC. Ninguém duvida que o vácuo possa parir coisas do nada. Há demonstração experimental desse fato. E por isso a ideia de que o Universo nasceu do nada sempre foi atraente para os cientistas.

Outra alternativa seria supor que o Universo nasceu de outro Universo, mas isso só transfere a pergunta deste para a encarnação cósmica anterior. Uma terceira opção, menos favorecida pelos físicos, é a de que um Criador teria concebido o cosmos, 13,8 bilhões de anos atrás. Naturalmente, não é a favorita da maioria dos cientistas, e nem é por desgostarem das religiões. O problema aí é que, quando você evoca Deus para explicar alguma coisa, a ciência termina. Não há como testar essa hipótese — nem por matemática, nem por observação. É um beco sem saída do ponto de vista científico. (Não quer dizer que não seja verdade; só quer dizer que a ciência jamais pode chegar a essa conclusão, por definição. E a atitude de dispensar Deus das explicações tem sido recompensadora para os cientistas durante séculos — pelo menos desde que eles decidiram que trovões não eram manifestações de uma divindade furiosa.)

Pois bem. Por essas razões todas, a noção de que o Universo nasceu do nada é atraente. Mas ninguém havia apresentado uma prova matemática rigorosa de que podia funcionar deste modo. Até agora.

AFIRMAÇÃO EXTRAORDINÁRIA

“Neste trabalho, nós apresentamos esta prova, baseados nas soluções analíticas da equação de Wheeler-DeWitt”, afirmam corajosamente Dongshan He, Dongfeng Gao e Qing-yu Cai, físicos da Academia Chinesa de Ciências, num artigo recém-publicado na rigorosa revista científica “Physical Review D”. O título do trabalho? “Criação espontânea do Universo a partir do nada.”

A tal equação mencionada é um instrumento importante que está sendo usado no desenvolvimento das teorias de gravidade quântica — uma tentativa de reunir a relatividade geral (que descreve a gravidade) e a mecânica quântica (que explica todo o resto) no mesmo balaio. Ninguém sabe ainda qual versão dessas teorias vingará, mas aproximações ocasionais são possíveis. É o caso aqui.

Seguindo rigorosamente a matemática, os pesquisadores concluem que, a partir de flutuações quânticas de um “falso vácuo metaestável”, um desfecho natural é a criação de uma pequena bolha de vácuo verdadeiro, que então infla agressivamente por uma fração de segundo e então para, exatamente como previsto e confirmado nas observações que temos à disposição.

OK, para tudo. Meu reflexo aqui foi: bacana, mas que diabos é um “falso vácuo metaestável”, o suposto fabricante do Universo? Perguntei a Qing-yu Cai, e ele me explicou que é chamado de falso porque ele teria mais energia do que a presente num vácuo verdadeiro (embora ainda fosse vácuo), e metaestável porque é um estado que não se sustenta por muito tempo. “Ele pode decair para um estado de vácuo verdadeiro por flutuações quânticas”, afirma Qing-yu Cai. “No artigo, demonstramos que uma vez que uma pequena bolha de vácuo verdadeiro seja criada por flutuações quânticas de um falso vácuo metaestável, ela pode expandir exponencialmente. Quando a pequena bolha de vácuo verdadeiro se torna grande, a expansão exponencial termina, e o Universo-bebê aparece.”

Incrível, não é? Mas ainda falta uma coisinha. Descobrimos aí de onde veio o espaço-tempo que habitamos — é a tal pequena bolha de vácuo verdadeiro que se expandiu durante o período de inflação cósmica. Mas não está faltando alguma coisa, não? E toda a matéria do Universo? Sem ela, isso aqui não teria a menor graça. De onde ela pode ter vindo?

Os pesquisadores explicam isso de maneira graciosa ao final de seu artigo. E a chave está nas partículas virtuais, que já mencionamos anteriormente. Veja o que eles dizem:

“Em razão do princípio da incerteza de Heisenberg, deve haver pares de partículas virtuais criadas por flutuações quânticas. Falando de maneira geral, um par de partículas virtuais irá se aniquilar logo após seu nasicmento. Mas duas partículas virtuais de um par podem ser separadas imediatamente antes da aniquilação pela expansão exponencial da bolha. Logo, haveria uma grande quantidade de partículas reais criadas conforme a bolha de vácuo se expande exponencialmente.”

Ou seja, a expansão súbita (lembre-se, por uma mínima escala de tempo, o Universo cresceu mais depressa que a velocidade da luz!) converteria os pares de partículas virtuais em reais, ao separá-las e levá-las a cantos opostos do cosmos. Eis aí a matéria-prima para tudo que existe, inclusive você e eu.

Vamos combinar que pode até não ser verdade, mas é uma história convincente e bem fundamentada.

E O FUTURO?

Ao navegar por essas águas complicadas, contudo, o Mensageiro Sideral ficou com uma preocupação. Se o vácuo pode parir um Universo inteiro do nada, quem garante que não vai acontecer agora, neste instante, e rasgar o nosso espaço-tempo em favor desse novo bebê cósmico? Perguntei a Qing-yu Cai, mas ele me tranquilizou.

“Quando a bolha de vácuo se torna suficientemente grande, seu potencial quântico que é tal que a energia para expansão exponencial será muito pequena, e portanto a expansão exponencial irá parar. O escalar do vácuo atual é muito grande, e seu potencial quântico é negligenciável”, disse. “Na minha opinião, se o espaço pudesse ser dividido em pequenas partes diferentes, isso iria rasgar o nosso Universo. Mas o espaço-tempo é um todo, não pode ser separado arbitrariamente. Isso impede nosso vácuo atual de passar por esse processo de novo.”

Ótima notícia. Seja lá qual for sua crença a respeito da origem do Universo, todas as alternativas apontam para o fato de que ele foi feito para durar.

Fonte: [ Mensageiro Sideral ]

Kindred Spirits

Kindred Spirits are two people that make a special connection by sharing a bond that has joined them by the means of an experience that has drawn them together on a higher level of consciousness. This connection can be from the same experience at the same time or two separate experiences similar in nature.

If two people were in a dramatic situation and had to depend on each other in order to get out of the situation or one having to help rescue the other, they would become bonded as kindred spirits.

Oftentimes, a couple will meet that had both come from very bad past situations in a relationship; a bond is then reached because an understanding of what the other had been through where they feel no one else truly understands, through this the have become kindred spirits.

833px-Asher_Durand_Kindred_Spirits

Agroglifos no Brasil

“O fenômeno vem se registrando no Brasil apenas desde 2008. Aqui as figuras se repetem a cada ano sempre durante o período de duas a três semanas entre o final de outubro e o começo de novembro.

Hoje já são contabilizadas mais de 12 formações autênticas em todo o globo, e somente algumas dúzias no Brasil.

Todos os agroglifos já registrados no país estão em plantações sempre de trigo e triticale da cidade de Ipuaçu e de municípios situados no máximo 30 quilômetros dela, deixando claro que a manifestação tem a ver com algo existente naquela localidade.

Ainda não foram feitas fotos aéreas da formação, nem análises das plantas e do solo.”

Eis algumas fotos de agroglifos (“crop circles”) pelo mundo:

agroglifo-inglaterra-santacatarina

Continuar lendo