Racismo (re)velado

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“O peito do pé de Pedro é preto”.

Será?
Dizem que é…

Humor negro.
Peste negra.
Passado negro.
Magia negra.
Mancha negra.
Lista negra.
Buraco negro.
Mercado negro.
Ovelha negra.
Lado negro.
Cifra negra…
Aquela grana preta
Gasta na “Black Friday”. 

O racismo do passado continua presente.
Uma podre página “negra” da história…
Que oprime, que ofende…

Por vezes chega de mansinho,
Como a penumbra sepulcral da noite…
Quando dizem que a situação tá “preta”…

E não me venha com essa de “a cor do pecado”…
“Sai pra lá com esse papo, neguinho”!
“Não sou como tuas negas”.

– Ah não… Chega! CHEGA!

Chega desse papo pintado,
Dessa conversa malhada,
Desse racismo (re)velado.

Chega!

Vamos dar um fim a essa competição
que você esconde na cama, no armário,
na cozinha, no quintal, na garagem,
ou, quem sabe, em cima do telhado?

E na boa?

Se te faltam palavras
consulte um dicionário!

___
Anderson Porto

 

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O contra-golpe do Carnaval

Na segunda-feira a Tuiti
mostrou o golpe governamental
de surpresa para o mundo,
de – sen – nha – do.
Na quarta foi eleita
vice campeão do Carnaval.
Na sexta, intervenção federal.
Quem irá morrer?
Pobre, preto, favelado.
Quem irá perder?
Quem já estava acostumado.
Isso está errado!
E é preciso que seja dito.
Nem que seja na base do grito!
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Foto: WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO

FODAM-SE OS POLÍTICOS!

Se alguém me perguntar hoje qual a minha posição política, como vejo esse ‘merdelê’ da mais fina comédia, enrodilhando revistas e cassinos, já que não sei porque cargas dágua resolveram chamar “isso” de..

“jogo político”…

Se alguém me perguntar eu tentaria resumir mais ou menos assim:

– eu quero que o PMDB se foda!
– quero que o PSDB se foda!
– quero que o PT se foda!
– eu quero que PP, PV, PTB.., que a PQP se foda!
– quero que se foda essa porra toda desses partidos tudo!
– esse bando de inúteis sabotadores galhofeiros!
– e que se fodam todos esses esperançosos balançadores de bandeirinhas, a esperar algo de bom dos políticos.

— FODAM-SE !!

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“Dane-se quem trabalha! Aqui, o sucesso é de quem tem sorte, conexões ou dinheiro!”
___
(Eunício Oliveira, líder do PMDB no Senado)

Ode ao poeta sumido

 

Hoje me veio aquela baita saudade
duma face mágica que colore o dia,
e torna tenro o perspassar da rotina.

Onde estará você, poeta?

Escondido talvez, no porão de algum navio,
a singrar tempestades e mares bravios?
Talvez escalando montanhas de vidro?
Quem sabe vasculhando o centro da Terra?
Descansando enquanto medita numa prece?
Ou encarando algum trabalho que enobrece?

É bem capaz de estares cá e lá,
distraindo a inquieta mente,
… … … … [quem diria]
duelando contra costumes morais,
ou simplesmente lendo jornais,
enquanto toma um café pingado na padaria…

Por onde andas, poeta?
Cadê aqueles pontos de vista?
… … (que de tanto expô-los,
… …  portanto vê-los,
… … já são nossos selos.)
Cadê aquele olhar que evidencia?

Na boa… Gente!
Peçamos todos que o poeta volte?
— Volte, poeta, volte!

Apareça! Traga aquela lanterna,
uma claridade que ilumina…

Mostre para nós um virtuoso caminho,
riscando flamejante o céu entre as estrelas
numa estrada enlameada, escura e fria.

Eu? Pra variar cá te encontro,
no mesmo lugar, a te aguardar,
na entrada da caverna,
talvez saída.

(Anderson Porto)

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Brinde ao entardecer

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Bebo,
Bebo por ti,
por mim e por todos
aqueles que não podem estar aqui.

Bebo,
E brindo,
Pelo dia findo,
Pelo por do sol lindo,
Pela festa, pelos pássaros,
Pelos sorrisos e abraços,
Numa imensa alegria
que jamais senti.

Bebo,
Choro,
E sorrindo em lágrimas comemoro,
A sensação do pleno pertencer,
espantado pela verdade suprema…
Ainda que tudo esqueça,
Ainda que tudo esmaeça,
Ao amanhecer de um novo dia.

Bebo,
Festejo e durmo.
Daí, de manhã,
de volta à lida,
Com a cabeça doída
Reafirmo aquela mentira
que almejo nunca esquecer:

— Nunca mais bebo na minha vida!

(Anderson Porto)