Palavras Especiais

// reaprendendo o significado de algumas palavras

Alice

SOLIDÃO é uma ilha com saudade de barco.

SAUDADE é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue.

LEMBRANÇA é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta um capítulo.

AUTORIZAÇÃO é quando a coisa é tão importante que só dizer “eu deixo” é pouco.

POUCO é menos da metade.

MUITO é quando os dedos da mão não são suficientes.

DESESPERO são dez milhões de fogareiros acesos dentro de sua cabeça.

ANGÚSTIA é um nó muito apertado bem no meio do sossego.

AGONIA é quando o maestro de você se perde completamente.

PREOCUPAÇÃO é uma cola que não deixa o que não aconteceu ainda sair de seu pensamento.

INDECISÃO é quando você sabe muito bem o que quer mas acha que devia querer outra coisa.

CERTEZA é quando a idéia cansa de procurar e pára.

INTUIÇÃO é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido.

PRESSENTIMENTO é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista.

RENÚNCIA é um não que não queria ser ele.

SUCESSO é quando você faz o que sempre fez só que todo mundo percebe.

VAIDADE é um espelho onisciente, onipotente e onipresente.

VERGONHA é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora.

ORGULHO é uma guarita entre você e o da frente.

ANSIEDADE é quando faltam 5 minutos sempre para o que quer que seja.

INDIFERENÇA é quando os minutos não se interessam por nada especialmente.

INTERESSE é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento.

SENTIMENTO é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado.

RAIVA é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes.

TRISTEZA é uma mão gigante que aperta seu coração.

ALEGRIA é um bloco de Carnaval que não liga se não é Fevereiro.

FELICIDADE é um agora que não tem pressa nenhuma.

AMIZADE é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros.

DECEPÇÃO é quando você risca em algo ou em alguém um xis preto ou vermelho.

DESILUSÃO é quando anoitece em você contra a vontade do dia.

CULPA é quando você cisma que podia ter feito diferente, mas, geralmente, não podia.

PERDÃO é quando o Natal acontece em Maio, por exemplo.

DESCULPA é uma frase que pretende ser um beijo.

EXCITAÇÃO é quando os beijos estão desatinados pra sair de sua boca depressa.

DESATINO é um desataque de prudência.

PRUDÊNCIA é um buraco de fechadura na porta do tempo.

LUCIDEZ é um acesso de loucura ao contrário.

RAZÃO é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato.

EMOÇÃO é um tango que ainda não foi feito.

AINDA é quando a vontade está no meio do caminho.

VONTADE é um desejo que cisma que você é a casa dele.

DESEJO é uma boca com sede.

PAIXÃO é quando, apesar da palavra “perigo”, o desejo vai e entra.

AMOR é quando a paixão não tem outro compromisso marcado. Não! Amor é um exagero… também não. É um desadoro… Uma batelada? Um exame, um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego?

Talvez porque não tivesse sentido,
talvez porque não houvesse explicação,
esse negócio de amor não sei explicar.
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Adriana Falcão

Os Três Reis Magos – O Significado Alquímico da Estrela de Belém

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Os Três Reis Magos são personagens bíblicos que visitaram Jesus quando do seu nascimento, logo após terem avistado no céu a Estrela de Belém. Essa imagem nos é bastante conhecida e familiar. Ocorre que existem informações astrológicas contidas nesse evento que raramente são mencionadas.[2]

Os reis magos são personagens citados somente por Mateus (2,1-12), que visitam o menino Jesus, trazendo para eles presentes: ouro, incenso e mirra. O evangelista não diz quem são e nem o número, mas a tradição retém que eram 3 e deu a eles os nomes de Melquior, Baltasar e Gaspar. Esses nomes aparecem no Evangelho Apócrifo Armeno da Infância, do fim do século VI, no capítulo 5,10. O texto diz:

Um anjo do Senhor foi de pressa ao país dos persas para avisar aos reis magos e ordenar a eles de ir e adorar o menino que acabara de nascer. Estes, depois de ter caminhado durante nove meses, tendo por guia a estrela, chegaram à meta exatamente quando Maria tinha dado à luz. Precisa-se saber que, naquele tempo, o reino persiano dominava todos os reis do Oriente, por causa do seu poder e das suas vitórias. Os reis magos eram 3 irmãos: Melquior, que reinava sobre os persianos; Baltasar, que era rei dos indianos, e Gaspar, que dominava no país dos árabes.

Quem melhor os descreveu foi S.Beda, o Venerável (673-735 d.C.) em seu tratado “Excerpta et Colletanea”, que disse: “Melquior era um velho de setenta anos, de cabelos e barbas brancas e vinha de Ur, terra dos Caldeus; Baltazar era mouro, tinha quarenta anos e barba cerrada, vinha do Golfo Pérsico; e Gaspar, o mais novo, tinha vinte anos, era robusto e saíra de uma região montanhosa perto do Mar Cáspio”. Com relação aos seus nomes, Gaspar significa “Aquele que vai inspecionar”, Melquior “O Rei é minha luz” e Baltazar “Deus manifesta o Rei”. O termo Reis também foi acrescentado mais tarde. Eles foram nomeados Reis porque antigas profecias diziam que reis prestariam homenagens ao Messias.[2]

Os três reis são chamados de “Magos” não porque fossem expertos na magia, mas porque tinham grande conhecimento da astrologia. De fato, entres os persas, se dizia “Mago” aqueles que os judeus chamavam “escribas”, os gregos “filósofos” e os latinos “sábios”.[1]

O cenário do nascimento de Jesus é composto por diversos elementos de grande importância simbólica. Enquanto o menino representa a força crística que nasce no coração do iniciado, os animais do estábulo e a manjedoura nos recordam do veículo humano, subjetivo e imperfeito dentro do qual nasce o Filho de Deus.

Muitos outros aspectos natalinos merecem profunda reflexão, e muitos como a Árvore de Natal, o Papai Noel e o Presépio têm recebido nossa atenção em textos anteriores. Contudo, não poderíamos deixar de ressaltar o papel central que a Estrela de Belém desempenha no maior dos mitos cristãos, tanto em sua forma externa quanto em seu significado esotérico.[3]

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O fato relevante é que a palavra mago deriva do latim magus e do grego mágos e significa sábio e sacerdote da Pérsia. Os Mágoi, ou Magos, faziam parte de uma casta sacerdotal detentora de todas as ciências, inclusive as ocultas. Dedicavam-se ao estudo da Astrologia e Astronomia. Tratavam-se de sacerdotes da religião zoroástrica e teriam ligação com Balaão, contemporâneo de Moisés (Números 24:17).

Já a Estrela de Belém foi um evento astronômico com grande significado astrológico que apenas sábios, estudiosos e Astrólogos conheciam e a que essa ocorrência se referia. Mateus chamou-a a Estrela da Palestina.

A Astrologia nesse período tinha um papel muito importante no oriente médio, por isso seria natural associar um evento celeste ao nascimento de Jesus, assim como se associou um eclipse à morte de Herodes e um cometa ao assassinato de Júlio César em 44 a.C. Estrelas em movimento ou cadentes pressagiavam a morte de grandes homens ou nascimento de deuses, como Agni, Buda e Cristo.

Foi Johannes Kepler, Astrólogo, astrônomo e matemático que, em 17 de dezembro de 1603, na cidade de Praga, fez as primeiras associações astronômicas à Estrela de Belém. Ele estava observando em seu simples telescópio a conjunção de Júpiter e Saturno na constelação de Peixes. Essa conjunção fazia com que os dois planetas somassem seus brilhos e se parecessem com uma nova estrela, muito brilhante. Sendo um homem estudioso e postulante a pastor, Kepler lembrou-se do que havia lido num texto do Rab. Abravanel (1437-1508). Os Astrólogos judeus diziam que quando Saturno fizesse conjunção com Júpiter em Peixes o Messias viria. Isto porque sabiam, e os Magos também, que a constelação de Peixes era conhecida como Casa de Israel, era o signo do Messias e sinal do fim dos tempos. Júpiter era a estrela real da casa de Davi e do príncipe do mundo e Saturno, a estrela protetora de Israel, da Palestina no oriente. Assim, eles compreenderam, por meio dos significados astrológicos dos planetas e da constelação envolvidos, que o Senhor do final dos tempos havia nascido.

Essa conjunção durou cinco meses durante o ano 7 a.C. – provável ano efetivo de nascimento de Jesus – de 29 de maio a 08 de junho, de 26 de setembro a 6 de outubro e de 05 a 15 de dezembro e pôde ser vista com grande nitidez e claridade na região do Mediterrâneo. Kepler julgou ter encontrado a Estrela de Belém, mas não levou o assunto adiante.

Foi apenas em 1925 que esse tema voltou a ser estudado. O estudioso alemão Paul Schnabel encontrou registros dessa conjunção em tabuinhas de argila datadas da antiga Babilônia e do período neo-babilônico. Essas pequenas tábuas estão em escrita cuneiforme e são registros astrológicos da antiga Escola de Astrologia de Sippar (Zimbir em sumério, Sippar em assírio-babilônio), atual sítio arqueológico de duas antigas cidades da baixa Mesopotâmia e separadas por apenas sete quilômetros na Babilônia, atual Iraque. Escavações realizadas no final do séc. XIX encontraram ainda os restos de um templo e um zigurate dedicado a Shamash – deus solar, Ebabbar – e o antigo escriba da Escola de Astrologia. Atualmente, essa tabuinhas encontram-se no Museu de Berlim, Alemanha.[2]

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Admitindo que a aparição da Estrela de Belém possa nos oferecer maiores benefícios espirituais práticos se considerada como uma alegoria ao invés de um acontecimento histórico, devemos refletir sobre o astro como um símbolo que carrega conhecimentos gnósticos de grande valor.

Considerando que a Estrela de Belém conduz os Reis Magos até o nascimento de Cristo, em primeiro lugar não devemos nos esquecer que este menino recém-nascido é o Cristo Íntimo que deve nascer em nossos próprios corações. Tanto os Reis Magos quanto a Estrela de Bélem, são augúrios deste nascimento espiritual. Como eventos que precedem a aparição do Salvador do Mundo em um ambiente secular e ordinário, ou seja, o surgimento do Cristo na alma do Iniciado, devem ser vistos como trabalhos esotéricos que este Iniciado deve realizar.

Em terminologia alquímica, os três Reis Magos representam as três etapas de preparação do mercúrio filosofal que resultam no nascimento do Rei Sol, ou seja, do Cristo. Por sua vez, a Estrela de Belém é o fator que conduz a progressão destas etapas, e sem ela jamais realizariam sua peregrinação espiritual desde o oriente até Jerusalém.

A Estrela de Belém simboliza o processo de transmutação alquímica, de transformação do mercúrio filosofal desde sua natureza imatura – simbolizada pelo Oriente – até seu pleno desenvolvimento – ao qual corresponde o nascimento do Rei Sol. Desta forma entendemos que a alegoria da Estrela de Belém contém o Grande Segredo ou Grande Arcano da filosofia oculta, que habilita aquele que o possui a manejar habilmente o mercúrio e alcançar a Pedra Filosofal, que é o próprio Cristo Íntimo.

___ Fontes:

[1] – Os Reis Magos segundo o Evangelho de Mateus

[2] – Os Três Reis Magos – Os Astrólogos do Oriente

[3] – O Significado Alquímico da Estrela de Belém

Brasileiros tentam decifrar misterioso Manuscrito Voynich

Um dos maiores segredos da criptografia, o Manuscrito Voynich tem 16 cm de largura, 22 de altura e 4 de espessura. São 122 folhas, com um total de 204 páginas.[Imagem: Wikipedia]

Um dos maiores segredos da criptografia, o Manuscrito Voynich tem 16 cm de largura, 22 de altura e 4 de espessura. São 122 folhas, com um total de 204 páginas.[Imagem: Wikipedia]

Manuscrito Voynich

Técnicas de física estatística estão ajudando a desvendar os segredos do Manuscrito de Voynich, um texto supostamente escrito antes do século 15 e descoberto em 1912.

Apesar das inúmeras ilustrações, ninguém sabe do que o livro trata porque linguagem é cifrada – as tentativas de decifrá-la tem ocupado os criptógrafos há décadas.

Uma análise feita por físicos brasileiros revela agora que os textos do Voynich não são um conjunto de palavras aleatórias e sem significado e de signos sem sentido, como muitos defendem – sobretudo porque até hoje ninguém conseguiu descobrir seu sistema de escrita.

Como as ilustrações encontradas na obra mostram plantas e corpos celestes, os pesquisadores brasileiros juntam-se ao grupo que defende que o livro que pode trazer informações valiosas sobre ervas e astrologia.

A contribuição da física veio com o uso de conceitos de redes complexas e séries temporais, além de estatísticas sobre as palavras no texto. Séries temporais mostram padrão de repetição de palavras no manuscrito

“Com a análise de séries temporais foi possível verificar a intermitência do uso de palavras no texto, ou seja, qual o padrão de repetição de uma mesma palavra ao longo do manuscrito”, explica Osvaldo Novais de Oliveira Junior, professor do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP.

“Em outras obras literárias, conseguir identificar esse padrão de intervalos pode dar dicas sobre um autor ou sobre o assunto de um texto,” completa ele.

Séries temporais e redes complexas

Para entender a aplicação de séries temporais na análise de textos, imagine que um livro tenha como tema ciências exatas e que seus primeiros capítulos versem sobre física e os últimos sobre matemática.

No começo, é provável que a palavra “relatividade” apareça com frequência, o que não ocorrerá nos capítulos finais, nos quais a palavra “geometria analítica”, por exemplo, aparecerá mais vezes.

Outra abordagem importante para investigar o manuscrito de Voynich foi a de redes complexas, em que um texto é representado por uma rede na qual os nós são as palavras, e se estabelecem conexões quando duas palavras aparecerem juntas. Se houver muitas ocorrências dessas palavras, aumenta-se o peso da conexão.

“Das características da rede, de sua topologia, pode-se extrair informações importantes. Dentre essas características, estão quais palavras são mais conectadas, se há formação de aglomerados de palavras em comunidades, e qual é a distribuição de conexões entre as palavras no texto”, elucida Oliveira Junior.

Texto real

Para ter certeza de que o texto do Voynich não se tratava de um texto de palavras ao acaso, os físicos o compararam com textos reais em várias línguas, e identificaram parâmetros das redes que permitem distinguir um texto aleatório de um texto real.

“Fizemos redes com textos reais de 15 idiomas e utilizamos mais de 20 métricas para verificar quais distinguiam um texto aleatório de um texto real. Dessa forma, conseguimos verificar que o Voynich não é um texto aleatório. Pretendíamos também identificar a qual idioma o Voynich é mais similar, mas a quantidade de dados de que dispúnhamos não foi suficiente para obter conclusões estatisticamente significativas. Infelizmente não há muitos textos traduzidos em diversas línguas que estejam disponíveis na internet,” conta o professor.

Para identificar as palavras-chave do Voynich, os físicos verificaram nas métricas de rede e séries temporais quais palavras se sobressaiam. E para comprovar a razoabilidade da estratégia, foram utilizadas as mesmas táticas para textos de idiomas conhecidos.

“Utilizamos estratégias de controle, para saber se aquela metodologia era eficiente. No nosso caso, comparamos textos do Novo Testamento em 15 idiomas para identificar palavras-chave. Como a estratégia deu certo, ela também foi utilizada para detectar as palavras-chave do Voynich”, afirma Oliveira Junior.

Linguagem do Voynich

A conclusão é que o manuscrito Voynich não é um texto aleatório, tendo sido provavelmente escrito em um idioma desconhecido, artificial.

Mais importante ainda é que as estratégias utilizadas pelos pesquisadores funcionaram bem, o que poderá dar pistas importantes aos futuros (e corajosos) decifradores do manuscrito.

O professor comenta que, embora a análise do misterioso Voynich tenha sido um dos alvos principais da pesquisa, as abordagens de física estatística e física computacional desenvolvidas podem ser úteis para muitas outras aplicações. O conhecimento gerado pode auxiliar na análise de grandes volumes de dados, inclusive de textos.

“Hoje, a maneira como uma máquina aprende é muito rudimentar, requerendo intensa participação de humanos. No futuro, será possível que o computador tome decisões de como aprender e fazer aquisições dessas informações, transformando-as em conhecimento, inclusive para ele próprio”, avalia ele.

Fonte: [ Inovação Tecnológica ]


+ infos: [ Manuscrito de Voynich: O livro mais misterioso do mundo ]