O dia em que quase morri

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Estava eu lá no sítio com meu filho, fazendo a inspeção das plantas, vendo quais tinham conseguido sobreviver depois do incêndio. Sim, pegou fogo em tudo.

O fogo veio lá de longe, de pastos longínquos, queimando todo o mato já ralo pela colheita da boiada e sendo empurrado pelos ventos. Veio e queimou todo o trabalho de quase 2 anos de plantio! O vizinho até tentou apagar em vão e veio me contar.

Eu via aquilo e queria chorar, mas fiquei me contendo por causa da presença do meu filho, que observava minha reação. Como tinha trazido mais mudas para plantar então pensei: “Vou aproveitar as cinzas, que servem de adubo, e plantar novamente. Foda-se!”.

Desembarquei as ferramentas o carro, coloquei as mudas na sombra e fui procurar locais ideias para plantá-las. Achei um perto da cerca e pensei “ali fica bem um pé de maracujá”. Só tinha que limpar um pouco o local.

Trouxe a muda para perto, peguei o facão, pedi para que o filhote se afastasse e comecei a limpar o que tinha sobrado de mato. Logo na primeira facãozada voou algum bicho da moita e me picou no rosto. Com o calor que tava nem senti direito. Continuei. Mais duas ou três facãozadas, voa o bicho de novo e me dá mais umas duas ferroadas. Pensei “pultaquil…” e em seguida me senti estranho.

Comecei a suar mas não de calor, tava com cara de reação às ferroadas. Era um bicho amarelo, tipo marimbondo… Meu filho me olhava, rindo… Falei pra ele “Ô ôu, parou a brincadeira. Deu merda.”. Comecei a me coçar todo, pés, mãos, costas, tudo. Sentia coceira até debaixo da unha. “Filho, vamos embora que estou passando mal. Essas ferroadas me ferraram”.

Guardamos tudo que deu, entramos no carro e seguimos para a rodovia. No meio do caminho, ainda na estrada de terra, minha vista começou a ficar esquisita. Estava tudo ficando BRANCO! Uma claridade absurda… Eu mal conseguia enxergar. As pupilas, pensei depois, deviam estar super dilatadas.

Para entrar na rodovia tive que pedir auxílio pro filhote: “Vê aí se vem carro porque não estou enxergando nada.”. Entramos na rodovia mas andando à 20 km/h. Quando não deu mais pra dirigir passei pro acostamento e parei. Liguei o alerta e avisei: “Se eu desmaiar está aqui o telefone. Ligue para a emergência ou para sua vó e passe as coordenadas de onde estamos”.

Eu suava frio, já não enxergava mais nada. A sensação era de que estava morrendo. Encostei no banco e fiquei pensando na situação, pois estava preocupado com a segurança de meu filho… E foi aí que finalmente veio a luz!

Pensei: “devo estar tendo um choque anafilático, pela alergia às ferroadas daquele bicho. Preciso de adrenalina!”. Agora, onde que eu ia arrumar adrenalina ali, naquela situação? Ora, ora, oras… rs…

Botei o óculos de sol, liguei o carro, acelerei o máximo que pude e voltei pra estrada. Ao me forçar a sentir medo por causa do risco que estávamos correndo, a adrenalina veio. Fez efeito em segundos. O suficiente para que após uns 2 km a vista voltasse a funcionar.

Quando saímos da estrada eu já estava praticamente normal de novo… Nem precisei de atendimento médico.

O que aconteceu depois? Bem… Tô aqui escrevendo isso, não estou? Então… rs…

Anderson Porto

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