Seria a vida uma tortura?

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“Aqui está uma pergunta, uma pergunta fundamental:

— Seria a vida uma tortura?

O fato é que ela é como é; e o homem tem vivido nesta tortura séculos e séculos, desde a história antiga até os dias atuais, em agonia, em desespero, na tristeza; e ele não encontra uma maneira de sair disso. Portanto, ele inventa deuses, igrejas, todos os rituais, e todos esse absurdos, ou ele escapa de maneiras diferentes.

O que estamos tentando fazer, durante todas essas discussões aqui, é ver se não podemos trazer radicalmente uma transformação da mente, não aceitar as coisas como elas são, nem revoltar-se contra elas. Se revoltar não ajuda em nada.

Você deve buscar entender isso, examinar essa questão, dar o seu coração e sua mente, com tudo o que você tem, para descobrir uma maneira de viver de uma forma diferente.

Isso DEPENDE DE VOCÊ, e não de outra pessoa, porque nisso não há nenhum professor, nenhum aluno; não há um líder; não há guru; não há nenhum mestre, nenhum Salvador. Você mesmo é o professor e o aluno; você é o mestre; você é o guru; você é o líder; VOCÊ É TUDO.

E entender isso é transformar o que se é.”

— Jiddu Krishnamurti

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O ESPELHO ENEVOADO

Kwe

Três mil anos atrás, havia um ser humano, como eu e você, que vivia perto de uma cidade cercada de montanhas. O ser humano estudava para tornar-se um xamã, para aprender a sabedoria de seus ancestrais, mas não concordava completamente com tudo aquilo que aprendia. Em seu coração, sentia que existia algo mais.

Um dia, enquanto dormia numa caverna, sonhou que viu o próprio corpo dormindo. Saiu da caverna numa noite de lua nova. O céu estava claro e ele enxergou milhares de estrelas. Então, algo aconteceu dentro dele que transformou sua vida para sempre. Olhou para suas mãos, sentiu seu corpo e escutou a própria voz dizendo: “Sou feito de luz; sou feito de estrelas”.

Olhou novamente para as estrelas e percebeu que não eram as estrelas que criavam a luz, mas antes a luz que criava as estrelas . “Tudo é feito de luz”, acrescentou ele, “e o espaço no meio não é vazio”. E ele soube tudo o que existe num ser vivo, e que a luz é a mensageira de vida, porque está viva e contém todas as informações.

Então, compreendeu que embora fosse feito de estrelas, ele não era essas estrelas. “Sou o que existe entre as estrelas”, pensou. Então, chamou as estrelas de tonal e a luz entre as estrelas, de nagual, e soube que o que criava a harmonia e o espaço entre os dois é a Vida ou Intenção. Sem a vida, o tonal e o nagual não poderiam existir. A Vida é a força do absoluto, do supremo, do criador que cria tudo.

Foi isso o que ele descobriu: tudo o que existe é uma manifestação do ser que denominamos Deus. Tudo é Deus. E ele chegou à conclusão de que a percepção humana é apenas a luz que percebe a luz. Também viu que a matéria é um espelho – tudo é um espelho que reflete luz e cria imagens dessa luz – e o mundo da ilusão, o Sonho, é apenas fumaça que não permite que enxerguemos quem realmente somos. “O verdadeiro nós é puro amor, pura luz”, disse ele.

Essa compreensão mudou sua vida. Uma vez que ele soube quem realmente era, olhou ao redor para os outros seres humanos e para o restante da natureza e ficou surpreso com o que viu. Viu a ele mesmo em tudo – em cada ser humano, em cada animal, em cada árvore, na água, na chuva, nas nuvens, na terra. E viu que a Vida misturava o tonal e o nagual de formas diferentes para criar bilhões de manifestações de Vida.

Naqueles poucos momentos ele compreendeu tudo. Ficou muito excitado, e seu coração encheu-se de paz. Mal podia esperar para contar ao seu povo o que descobrira. Mas não havia palavra para explicar. Tentou falar com os outros, mas eles não conseguiam entender. Eles perceberam que o homem havia mudado, que algo bonito se irradiava dos olhos e da voz dele.

Repararam que ele não julgava mais as coisas e as pessoas. Ele não era mais como os outros.

Ele entendia os outros muito bem, mas ninguém conseguia entendê-lo.

Acreditavam que ele fosse a encarnação viva de Deus, e ele sorriu quando escutou isso, e lhes disse: “É verdade. Sou Deus. Mas vocês também são Deus. Somos o mesmo, você e eu. Somos imagens de luz. Somos Deus”. Mesmo assim, as pessoas não o entenderam.

Havia descoberto que era um espelho para as outras pessoas, um espelho no qual podia observar a si mesmo. “Todo mundo é um espelho”, disse ele. Viu a si mesmo em todos, mas ninguém o viu como eles mesmos. Então compreendeu que todos estavam sonhando, mas sem consciência, sem saber o que realmente eram.

Não podiam enxergá-lo como eles mesmos porque havia uma parede de nevoeiro entre os espelhos. E essa parede era construída pela interpretação das imagens de luz – o Sonho dos seres humanos.

Então, ele percebeu que logo iria esquecer tudo o que aprendera. Queria lembrar-se de todas as visões que tivera; portanto, decidiu chamar a si mesmo de Espelho Enevoado, para que sempre soubesse que a matéria é um espelho e que a névoa do meio é o que nos impede de saber quem somos.

Ele disse: “Sou o Espelho Enevoado, porque estou vendo a mim mesmo em todos vocês, mas nós não reconhecemos um ao outro por causa do nevoeiro entre nós. Esse nevoeiro é o Sonho, e o espelho é você, o sonhador”.

___
por Don Miguel Ruiz

(Texto extraído do livro “Os Quatro Compromissos”; Editora Best Seller).

Quem somos nós

genetica

Nós – todos nós – somos programados geneticamente para dar valor ao que não temos.

Nossos gens são ativados ainda na gestação de acordo com o que acontece no mundo “exterior”. Percebemos o mundo pelas emoções / trocas químicas sanguíneas entre mãe e bebê.

Se nossa família é pobre a tendência é dar valor à riqueza. Se não temos estudos, damos valor a quem nos parece letrado. Se somos tímidos, iremos procurar fazer amizades com pessoas extrovertidas… Se somos tristes, iremos sorrir para pessoas que nos façam rir…

É assim que construímos a nós mesmos…

Assim que somos capazes de perceber esses interesses inerentes que mecanicamente nos movem, começamos a dar os primeiros passos para sair dessa prisão.

Eis então que finalmente podemos fazer as pazes com nossos “daemons”.

A posse deste segredo simples nos torna aptos a praticar a tolerância de forma bem mais fácil.

Sim, vai muito além de um sequenciamento genético.

Vejo como uma predisposição, uma tendência; o ordenamento social e suas iterações são os caminhos por onde fazemos essa construção de valores.

Falo de essência. Existe no trabalho, nas amizades, na família, em tudo.

Inclusive nas relações amorosas.

Nos é confortável o hábito, a rotina, a repetição.

Tem vezes que alguns aspectos afloram, você percebe e fala: “Oh, eu sou assim…” – é uma espécie de “olhar de fora” e ver a si mesmo.

Para piorar somos péssimos críticos de nós mesmos!

(Anderson Porto)

A inacreditável volta de Jesus

bar-de-badu

Dia desses me meti num desses papos de bar, esses onde as pessoas engolem tragos de dor para ficarem alegres, e me deparei com uma conversa pra lá de estranha! Um rapaz discutia com um idoso, notadamente alterado, aos murros, afirmando categoricamente que Jesus havia voltado a Terra. E mais, dizia que podia provar!

Como não tinha nada melhor para fazer, resolvi puxar papo, interessado. O rapaz disse que era um jornalista contratado de um jornal, famoso por mentir descaradamente, mas que dada as circunstâncias, achava que noticiar a volta do Todo-poderoso seria demais.

Indaguei como ficou sabendo dessa suposta volta. Ele me disse:

“- Cara, contando ninguém acredita, mas quase conseguimos levar Jesus no Faustão! Prometemos uma festa daquelas, muito melhor que a de Canaã. Ele poderia transformar água em vinho a hora que quisesse. Faríamos uma exclusiva para o Fantástico, nos moldes das que a gente compra com o poder que temos, mostrando ele resolvendo vários de nossos problemas, tipo fazer jorrar água no Nordeste, falir padeiros criando uma máquina multiplicadora de pão, salvar a Amazônia criando árvores que dessem pauladas nos madeireiros… Fora que ele ia até mostrar um modelo de motor movido a batimentos cardíacos… A gente nem ia precisar de pré-sal!!!”

“- Tá.”, disse eu rindo. “Mas e aí? Cadê Ele?”, perguntei em tom jocoso.

“- Ah, ele desistiu e foi embora, desapareceu. Falou que só tava dando uma passada rápida pelo mundo, para ver como as coisas estavam. Pra começar logo de cara tomou um sacode quando visitou o Rio de Janeiro. Olha só que ideia!? Começar a andar logo pelo Rio? Maluco, né?”

“- Depois foi tentar conhecer São Paulo de perto. Foi pior ainda. Todo barbado, cabeludo, estilo riponga? Botaram pra correr.”

” Na terceira tentativa Ele desistiu. Foi visitar Brasília. Quis falar no Congresso. Por pouco que não crucificaram Ele de novo. Quando os políticos começaram a ouvir aquele papo de repartir, compartilhar… Veio a turma da boquinha e começaram a gritar ‘comunista petralha vai pra Cuba’.  Aí já viu, né? Sebo nas canelas.”

“- Mas peraí, cadê Ele então?”

“- É isso que estou tentando explicar aqui para este senhor. O Jesus veio com um papo de que era apenas o caminho, que a gente é que tinha que mudar, que aí o mundo melhoria também. Vê se pode um papo desses?”

“- Bolivariano então?”

“- Totalmente. O figura ainda me mostrou uns furos nas mãos e as marcas de chibatadas. Tenho as fotos aqui no celular.”

“- E onde Ele está agora?”

“- Rapaz… Soube que ele foi catar um advogado. Quer entrar com processo contra uma fábrica de refrescos que fez uma baita fortuna tempos atrás. Uma tal de Kisuko. Falou que roubaram a receita dele.”

“- Royalties?”

“- Royalties, cara… Pra você ver…”

(Anderson Porto)

foto: http://conversadebalcao.com.br/historia-etilica-de-conquista-o-bar-do-badu/