Ode ao poeta sumido

 

Hoje me veio aquela baita saudade
duma face mágica que colore o dia,
e torna tenro o perspassar da rotina.

Onde estará você, poeta?

Escondido talvez, no porão de algum navio,
a singrar tempestades e mares bravios?
Talvez escalando montanhas de vidro?
Quem sabe vasculhando o centro da Terra?
Descansando enquanto medita numa prece?
Ou encarando algum trabalho que enobrece?

É bem capaz de estares cá e lá,
distraindo a inquieta mente,
… … … … [quem diria]
duelando contra costumes morais,
ou simplesmente lendo jornais,
enquanto toma um café pingado na padaria…

Por onde andas, poeta?
Cadê aqueles pontos de vista?
… … (que de tanto expô-los,
… …  portanto vê-los,
… … já são nossos selos.)
Cadê aquele olhar que evidencia?

Na boa… Gente!
Peçamos todos que o poeta volte?
— Volte, poeta, volte!

Apareça! Traga aquela lanterna,
uma claridade que ilumina…

Mostre para nós um virtuoso caminho,
riscando flamejante o céu entre as estrelas
numa estrada enlameada, escura e fria.

Eu? Pra variar cá te encontro,
no mesmo lugar, a te aguardar,
na entrada da caverna,
talvez saída.

(Anderson Porto)

caverna

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