O som do silêncio

The-Sound-of-Silence

Olhei para os céus.
daí me calei
e por um breve instante
pirei!

[… concentrei,
… … meditei,
… … emudeci ].

Prendi a respiração
tal como apneia,
para ouvir zunido
absoluto e contínuo,
presente e real,
tal como estalido
da pedrinha de Medeia
a repicar em cabeça rompida,
aberta para o Universo.

O mais engraçado
é que sempre estivera lá…

Eu que não lembrava,
não mais reparava
no som do silêncio.

Morri e renasci.
Talvez como se estivesse
no início dos tempos
a confirmar enfim
o nascimento do Verbo.

O som do silêncio me disse:
– Esqueça!

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Anderson Porto

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As origens do Cristianismo e a criação da Bíblia

A Última Ceia de Leonardo da Vinci. 1495-1498.

A Última Ceia de Leonardo da Vinci. 1495-1498.

Leonardo da Vinci era um dos guardiães do segredo do Santo Graal e escondia as pistas em suas artes, como foi revelado por Dan Brown em seu livro O Código da Vinci lançado em 2004. “Cegante ignorância nos ilude. Ó miseráveis mortais, abri os olhos!”, disse Leonardo Da Vinci tentando alertar os demais sobre as mentiras que os rodeavam. E vale lembrar que os sentimentos de Leonardo da Vinci se relacionam diretamente com o Santo Graal. A Última Ceia consiste na chave para todo o mistério do Santo Graal. Todavia, o presente texto tem como principal objetivo mostrar as origens do Cristianismo e a verdadeira história da Bíblia. Deixarei a fascinante história do Santo Graal para outro post.

Aqueles encontrados na escuridão

Dominados pelo comodismo e mentiras, a ignorância os cegam

Aqueles em que os raios do Sol os atingem, a sabedoria e a realidade

prevalece – afirmo.

Still Life with Bible. Vincent Van Gogh. 1885/1886.

Still Life with Bible. Vincent Van Gogh. 1885/1886.

A Bíblia foi criada pelo homem como um relato histórico de uma época conturbada, e ela se desenvolveu através de incontáveis traduções, acréscimos e revisões. Portanto, o que se encontra na Bíblia não são palavras sagradas de Jesus e sim um monte de regras de valores éticos para tentar colocar ordem em Roma. A história nunca teve uma versão definitiva do livro. É como se a Bíblia fosse um livro mitológico repleto de lições de moral por trás das diversas histórias encontradas nela. Porém a maioria dos fiéis toma a Bíblia como verdade e acreditam nas histórias absurdas contidas no livro. A verdade por trás da Bíblia, poucos sabem. E este era o objetivo da Igreja Católica. Esconder a verdade dos fiéis.

Como aponta Dan Brown (2004), Jesus Cristo foi uma figura histórica de uma influencia incrível, talvez o mais enigmático e inspirador líder que o mundo jamais teve. Como o Messias profetizado, Jesus derrubou reis, inspirou multidões e fundou novas filosofias. Jesus teria direito de reclamar o trono de Rei dos Judeus, pois era descendente do rei Salomão e do rei Davi. Interessante dizer que sua vida foi registrada por milhares de seguidores em toda a região. Foram estudados mais de 80 evangelhos para compor o Novo Testamento, e, no entanto apenas alguns foram escolhidos: Mateus, Marcos, Lucas e João.

Fragmento de uma estátua monumental de Constantino. Anteriormente ficava na Basilica Nova, em Roma; foi projetada por Maxêncio e completada por Constantino; atualmente está nos Museus Capitolinos.

Fragmento de uma estátua monumental de Constantino. Anteriormente ficava na Basilica Nova, em Roma; foi projetada por Maxêncio e completada por Constantino; atualmente está nos Museus Capitolinos.

Pode-se dizer que o responsável pela criação da Bíblia foi o imperador romano, Constantino, o Grande. Constantino foi pagão a vida inteira, batizado apenas na hora da morte. Vale lembrar que na época de Constantino, a religião oficial de Roma era o culto de adoração ao Sol – o culto do Sol Invictus, ou do Sol Invencível -, e o imperador supramencionado era o sumo sacerdote.

Adoração ao Sol; Na figura, Deus Aton na parte central: o disco solar cujos raios são braços que seguram a cruz egípcia, símbolo da vida.

Adoração ao Sol; Na figura, Deus Aton na parte central: o disco solar cujos raios são braços que seguram a cruz egípcia, símbolo da vida.

Entretanto, Roma estava passando por um momento crítico em relação à religião. Nessa época estava ocorrendo uma revolução religiosa. Trezentos anos após a crucificação de Cristo, seus seguidores haviam se multiplicado, resultando em uma luta entre cristãos e pagãos. O conflito chegou ao ponto de dividir Roma ao meio, levando Constantino a tomar uma atitude. O imperador, em 325 d.C. resolveu unificar Roma sob uma única religião: o cristianismo. Constantino utilizou várias estratégias para converter os pagãos adoradores do Sol em cristãos: fundindo símbolos, datas, rituais pagãos com tradição cristã em ascensão, ele gerou uma espécie de religião híbrida aceitável para ambas as partes. Ou seja, sincretismo.

Ísis amamentando Hórus

Ísis amamentando Hórus

Madonna Litta. Leonardo da Vinci. 1490. Ísis amamentando Hórus transformou-se em Maria amamentando Jesus.

Madonna Litta. Leonardo da Vinci. 1490. Ísis amamentando Hórus transformou-se em Maria amamentando Jesus.

Como Brown (2004) observa:

Os vestígios da religião pagã na simbologia cristã são inegáveis. Os discos solares egípcios tornaram-se as auréolas dos santos católicos. Os pictogramas de Ísis dando o seio a seu filho Hórus milagrosamente concebido tornaram-se a base para nossas modernas imagens de Virgem Maria com o Menino Jesus no colo. E praticamente todos os elementos do ritual católico – a mitra, o altar, a doxologia e a comunhão, o ato de “comer Deus”, por assim dizer – foram diretamente copiados de religiões pagãs místicas mais antigas.

Hórus com disco solar

Hórus com disco solar


St. Clare and St. Elizabeth of Hungary. Simone Martini. 1317. Os discos solares dos egípcios transformaram-se nas auréolas dos santos católicos.

St. Clare and St. Elizabeth of Hungary. Simone Martini. 1317. Os discos solares dos egípcios transformaram-se nas auréolas dos santos católicos.

Pode-se, portanto, concluir que nada é original no cristianismo, não existindo nem sequer um simbologista especializado em símbolos cristãos.

Nas palavras de Brown (2004):

O Deus pré-cristão Mitra – chamado o Filho de Deus e a Luz do Mundo – nasceu no dia 25 de dezembro, morreu, foi enterrado em um sepulcro de pedra e depois ressuscitou em três dias. O dia 25 de dezembro é também o dia de celebrar o nascimento de Osíris, Adônis e Dionisio. O recém-nascido Krishna recebeu ouro, incenso e mirra. Até mesmo o dia santo semanal dos cristãos foi roubado dos pagãos. Originalmente a cristandade celebrava o sabá judeu no sábado, mas Constantino mudou isso de modo que a celebração coincidisse com o dia em que os pagãos veneram o Sol. Até hoje, a maioria dos fiéis vai à Igreja na manhã de domingo sem fazer a menor idéia de que estão ali para pagar tributo semanal ao deus Sol, e por isso em inglês o domingo é chamado de Sunday, “dia do Sol”.

Mitra. Foto tirada no Museu Britânico por Mike Young em 2007. Créditos: Wikipédia. Mitra também nasceu dia 25 de Dezembro.

Mitra. Foto tirada no Museu Britânico por Mike Young em 2007. Créditos: Wikipédia. Mitra também nasceu dia 25 de Dezembro.

Para cristalizar a nova tradição cristã, Constantino criou o Concílio de Nicéia, que consistia em uma reunião ecumênica. Durante essa reunião muitos aspectos foram debatidos e receberam votação, como a data da Páscoa, o papel dos bispos e a administração dos sacramentos, “além, naturalmente, da divindade de Jesus”, como aponta Brown (2004). Pois vale lembrar que Jesus, anteriormente, era visto pelos seus discípulos como um mero profeta mortal, não passando de apenas um homem. Jesus passou a ser conhecido como “Filho de Deus” quando o Concílio de Nicéia propôs tal título, ocorrendo a aprovação por votação. Ou seja, “a divindade de Jesus foi resultado de uma votação”, afirma Brown (2004).

Jesus Cristo como um ser divino. Foto do teto da Basílica do Santo Sepulcro em Jerusalém por B. Gian.

Jesus Cristo como um ser divino. Foto do teto da Basílica do Santo Sepulcro em Jerusalém por B. Gian.

Jesus não passava de um homem que sabia a chave para obter pensamentos pacíficos e utilizá-los para espalhar bondade e amor, resultando em paz e equilíbrio. Para conseguir unificar novamente o Império Romano e para lançar as bases do novo poderio do Vaticano, bastava declarar Jesus, o homem que todos veneravam, como um homem de origem divina. Deste modo, todos seguiriam suas palavras, até das mais absurdas, elaboradas por Constantino e o Concílio.

Constantino, ao declarar oficialmente Jesus como “Filho de Deus”, transformou-o em uma divindade utópica, que existia além do alcance do mundo humano, cujo poder era incontestável. Ninguém poderia questionar suas palavras divinas, apenas obedecê-las. Cegos pela ignorância, os romanos passaram a seguir fielmente as palavras de Jesus elaboradas pelo Imperador e seu Concílio.

Isso não só evitava mais contestações pagãs à cristandade, como os seguidores de Cristo só poderiam se redimir através do canal sagrado estabelecido – a Igreja Católica Romana. Tudo não passou de uma disputa de poder. Cristo, como Messias, era fundamental para o funcionamento da Igreja e do Estado. Muitos estudiosos alegam que a Igreja Católica Romana literalmente roubou Jesus de seus seguidores originais, sufocando sua mensagem humana ao envolvê-la em um manto impenetrável de divindade e usando-a para expandir seu próprio poder. – Brown (2004).

Constantino aproveitou que todos respeitavam e veneram Cristo, e o usou para conseguir colocar ordem em Roma novamente. Para conseguir manter seu poder, utilizou como base algumas palavras de Jesus e construiu a Bíblia, resultando em um livro onde se encontra o que seria o certo e o errado segundo a ótica do Imperador. Pode-se dizer que “Constantino moldou a face da cristandade como a conhecemos hoje em dia”, diz Brown (2004).

Porém há milhares de documentos contendo crônicas da vida de Jesus como um homem mortal, pois Constantino o nomeou como divindade quase quatro séculos após a crucificação. A Bíblia feita por Constantino “omitia os evangelhos que falavam do aspecto humano de Cristo e enfatizada aqueles que o tratavam como divino. Os evangelhos anteriores foram considerados heréticos, reunidos e queimados”, aponta Brown (2004).

Convém dizer que a pessoa era considerada herege ao escolher os evangelhos proibidos ao invés da Bíblia Constantino. Neste momento da história surgiu, portanto, a palavra herege. Como diz Brown (2004): “A palavra latina hereticus significa “escolha”. Aqueles que “escolheram” a história original de Cristo foram os primeiros hereges do mundo.”

Entretanto, para a felicidade de alguns historiadores, conseguiu-se preservar alguns evangelhos que Constantino tentou extinguir. Em 1945 foram encontrados manuscritos coptas em Nag Hammadi. Também foram encontrados no deserto da Judéia na década de 50 os manuscritos do mar Morto em uma caverna perto do Qumran.

Um dos manuscritos do Mar Morto encontrado perto da caverna Qumran.

Um dos manuscritos do Mar Morto encontrado perto da caverna Qumran.


Qumran – onde foram encontrados os manuscritos.

Qumran – onde foram encontrados os manuscritos.

Nas palavras de Brown (2004):

Além de contarem a verdadeira história do Graal, esses documentos falam do mistério de Cristo em termos muito humanos. Naturalmente, o Vaticano, mantendo sua tradição de enganar os fiéis, tentou com todas as forças evitar que esses manuscritos fossem divulgados. E por quê? Acontece que os manuscritos apontam certas discrepâncias e invencionices históricas, confirmando claramente que a Bíblia moderna foi compilada e revisada por homens com um objetivo político – promover a divindade do homem Jesus Cristo e usar Sua influência para solidificar a própria base de poder desses mesmos homens.

Pode-se dizer que o Clero dos dias atuais acredita que esses documentos que contradizem a divindade de Jesus são um falso testemunho. Para ele, a Bíblia de Constantino sendo foi verdadeira. “Não há ninguém mais doutrinado do que o próprio doutrinador”, diz Brown (2004).

Ghent Altarpiece. Jan van Eyck Ghent Altarpiece. 1432. A expansão do Clero.

Ghent Altarpiece. Jan van Eyck Ghent Altarpiece. 1432. A expansão do Clero.

Pode-se concluir que o cristianismo é a religião que teve a criação mais impura e falsa de todos os tempos. Sua criação não passou de uma estratégia para obter poder. Porém, vale lembrar dos verdadeiros atos e as verdadeiras palavras de Jesus; o que este homem quis nos passar é o importa. É importante enxergar além daquilo que está ao nosso alcance. Às vezes, as belas verdades estão no mais fundo esconderijo, e poucos conseguem vê-la. Pessoas, em sua maioria, dominadas pela preguiça e cegas pelo padrão que lhe é imposto, raramente conseguem despertar uma vontade de buscar o que realmente aconteceu e adotar uma nova ótica. O comodismo domina os humanos de tal forma, que a vida que levam, rodeada de mentiras, é bela mesmo assim. Mas nada como ver além do horizonte coberto de invencionices!

Mariana Lorenzo
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Fonte: [ Blog Mariana Lorenzo ]

Para saber mais: http://www.klepsidra.net/klepsidra23/gilgamesh.htm

Deus, segundo Baruch Spinoza

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Para de ficar rezando e batendo o peito! O que Eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida.

Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti.

Para de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa. Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti.

Para de me culpar da tua vida miserável: Eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo mau.

O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer.

Para de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho… Não me encontrarás em nenhum livro!

Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais me dizer como fazer meu trabalho?

Para de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.

Para de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz… Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti?

Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez? Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso?

Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti.

Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti. A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que teu estado de alerta seja teu guia.

Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso. Esta vida é o único que há aqui e agora, e o único que precisas.

Eu te fiz absolutamente livre. Não há prêmios nem castigos. Não há pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar. Ninguém leva um registro.

Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.

Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho. Vive como se não o houvesse. Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não há nada, terás aproveitado da oportunidade que te dei. E se houver, tem certeza que Eu não vou te perguntar se foste comportado ou não. Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste… Do que mais gostaste? O que aprendeste?

Para de crer em mim – crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti. Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no mar.

Para de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja? Me aborrece que me louvem. Me cansa que agradeçam. Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo. Te sentes olhado, surpreendido?… Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.

Para de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas. Para que precisas de mais milagres? Para que tantas explicações?

Não me procures fora! Não me acharás.

Procura-me dentro… aí é que estou, batendo em ti”.


Baruch Spinoza (1632, 1677 Haia – Holanda)

Miopia constrangedora

O Ser e o TerÉ de uma miopia constrangedora: a grande maioria – regida pela grande mídia – fala e opina sobre crise hídrica e energética sempre com o foco nos recursos naturais e nos vetores energéticos e sem nenhuma critica ao modelo desenvolvimentista que nos deixará todos à míngua.

Ninguém mesmo se dá conta que racionamento, busca de novas fontes de energia e conscientização da população são falácias com enfoque paliativo que na melhor das hipóteses apenas mitigarão o problema por alguns anos – ou meses?

A crise não é hídrica nem energética, amigos; a crise é do modo de sociedade que adotamos: consumista, perdulário e pautado na falácia onde o crescimento econômico é o único caminho para a melhoria de vida das pessoas.

Seria triste se não fosse seco e escuro.

___ via Alexandre De Oliveira Périgo