Os Três Reis Magos – O Significado Alquímico da Estrela de Belém

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Os Três Reis Magos são personagens bíblicos que visitaram Jesus quando do seu nascimento, logo após terem avistado no céu a Estrela de Belém. Essa imagem nos é bastante conhecida e familiar. Ocorre que existem informações astrológicas contidas nesse evento que raramente são mencionadas.[2]

Os reis magos são personagens citados somente por Mateus (2,1-12), que visitam o menino Jesus, trazendo para eles presentes: ouro, incenso e mirra. O evangelista não diz quem são e nem o número, mas a tradição retém que eram 3 e deu a eles os nomes de Melquior, Baltasar e Gaspar. Esses nomes aparecem no Evangelho Apócrifo Armeno da Infância, do fim do século VI, no capítulo 5,10. O texto diz:

Um anjo do Senhor foi de pressa ao país dos persas para avisar aos reis magos e ordenar a eles de ir e adorar o menino que acabara de nascer. Estes, depois de ter caminhado durante nove meses, tendo por guia a estrela, chegaram à meta exatamente quando Maria tinha dado à luz. Precisa-se saber que, naquele tempo, o reino persiano dominava todos os reis do Oriente, por causa do seu poder e das suas vitórias. Os reis magos eram 3 irmãos: Melquior, que reinava sobre os persianos; Baltasar, que era rei dos indianos, e Gaspar, que dominava no país dos árabes.

Quem melhor os descreveu foi S.Beda, o Venerável (673-735 d.C.) em seu tratado “Excerpta et Colletanea”, que disse: “Melquior era um velho de setenta anos, de cabelos e barbas brancas e vinha de Ur, terra dos Caldeus; Baltazar era mouro, tinha quarenta anos e barba cerrada, vinha do Golfo Pérsico; e Gaspar, o mais novo, tinha vinte anos, era robusto e saíra de uma região montanhosa perto do Mar Cáspio”. Com relação aos seus nomes, Gaspar significa “Aquele que vai inspecionar”, Melquior “O Rei é minha luz” e Baltazar “Deus manifesta o Rei”. O termo Reis também foi acrescentado mais tarde. Eles foram nomeados Reis porque antigas profecias diziam que reis prestariam homenagens ao Messias.[2]

Os três reis são chamados de “Magos” não porque fossem expertos na magia, mas porque tinham grande conhecimento da astrologia. De fato, entres os persas, se dizia “Mago” aqueles que os judeus chamavam “escribas”, os gregos “filósofos” e os latinos “sábios”.[1]

O cenário do nascimento de Jesus é composto por diversos elementos de grande importância simbólica. Enquanto o menino representa a força crística que nasce no coração do iniciado, os animais do estábulo e a manjedoura nos recordam do veículo humano, subjetivo e imperfeito dentro do qual nasce o Filho de Deus.

Muitos outros aspectos natalinos merecem profunda reflexão, e muitos como a Árvore de Natal, o Papai Noel e o Presépio têm recebido nossa atenção em textos anteriores. Contudo, não poderíamos deixar de ressaltar o papel central que a Estrela de Belém desempenha no maior dos mitos cristãos, tanto em sua forma externa quanto em seu significado esotérico.[3]

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O fato relevante é que a palavra mago deriva do latim magus e do grego mágos e significa sábio e sacerdote da Pérsia. Os Mágoi, ou Magos, faziam parte de uma casta sacerdotal detentora de todas as ciências, inclusive as ocultas. Dedicavam-se ao estudo da Astrologia e Astronomia. Tratavam-se de sacerdotes da religião zoroástrica e teriam ligação com Balaão, contemporâneo de Moisés (Números 24:17).

Já a Estrela de Belém foi um evento astronômico com grande significado astrológico que apenas sábios, estudiosos e Astrólogos conheciam e a que essa ocorrência se referia. Mateus chamou-a a Estrela da Palestina.

A Astrologia nesse período tinha um papel muito importante no oriente médio, por isso seria natural associar um evento celeste ao nascimento de Jesus, assim como se associou um eclipse à morte de Herodes e um cometa ao assassinato de Júlio César em 44 a.C. Estrelas em movimento ou cadentes pressagiavam a morte de grandes homens ou nascimento de deuses, como Agni, Buda e Cristo.

Foi Johannes Kepler, Astrólogo, astrônomo e matemático que, em 17 de dezembro de 1603, na cidade de Praga, fez as primeiras associações astronômicas à Estrela de Belém. Ele estava observando em seu simples telescópio a conjunção de Júpiter e Saturno na constelação de Peixes. Essa conjunção fazia com que os dois planetas somassem seus brilhos e se parecessem com uma nova estrela, muito brilhante. Sendo um homem estudioso e postulante a pastor, Kepler lembrou-se do que havia lido num texto do Rab. Abravanel (1437-1508). Os Astrólogos judeus diziam que quando Saturno fizesse conjunção com Júpiter em Peixes o Messias viria. Isto porque sabiam, e os Magos também, que a constelação de Peixes era conhecida como Casa de Israel, era o signo do Messias e sinal do fim dos tempos. Júpiter era a estrela real da casa de Davi e do príncipe do mundo e Saturno, a estrela protetora de Israel, da Palestina no oriente. Assim, eles compreenderam, por meio dos significados astrológicos dos planetas e da constelação envolvidos, que o Senhor do final dos tempos havia nascido.

Essa conjunção durou cinco meses durante o ano 7 a.C. – provável ano efetivo de nascimento de Jesus – de 29 de maio a 08 de junho, de 26 de setembro a 6 de outubro e de 05 a 15 de dezembro e pôde ser vista com grande nitidez e claridade na região do Mediterrâneo. Kepler julgou ter encontrado a Estrela de Belém, mas não levou o assunto adiante.

Foi apenas em 1925 que esse tema voltou a ser estudado. O estudioso alemão Paul Schnabel encontrou registros dessa conjunção em tabuinhas de argila datadas da antiga Babilônia e do período neo-babilônico. Essas pequenas tábuas estão em escrita cuneiforme e são registros astrológicos da antiga Escola de Astrologia de Sippar (Zimbir em sumério, Sippar em assírio-babilônio), atual sítio arqueológico de duas antigas cidades da baixa Mesopotâmia e separadas por apenas sete quilômetros na Babilônia, atual Iraque. Escavações realizadas no final do séc. XIX encontraram ainda os restos de um templo e um zigurate dedicado a Shamash – deus solar, Ebabbar – e o antigo escriba da Escola de Astrologia. Atualmente, essa tabuinhas encontram-se no Museu de Berlim, Alemanha.[2]

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Admitindo que a aparição da Estrela de Belém possa nos oferecer maiores benefícios espirituais práticos se considerada como uma alegoria ao invés de um acontecimento histórico, devemos refletir sobre o astro como um símbolo que carrega conhecimentos gnósticos de grande valor.

Considerando que a Estrela de Belém conduz os Reis Magos até o nascimento de Cristo, em primeiro lugar não devemos nos esquecer que este menino recém-nascido é o Cristo Íntimo que deve nascer em nossos próprios corações. Tanto os Reis Magos quanto a Estrela de Bélem, são augúrios deste nascimento espiritual. Como eventos que precedem a aparição do Salvador do Mundo em um ambiente secular e ordinário, ou seja, o surgimento do Cristo na alma do Iniciado, devem ser vistos como trabalhos esotéricos que este Iniciado deve realizar.

Em terminologia alquímica, os três Reis Magos representam as três etapas de preparação do mercúrio filosofal que resultam no nascimento do Rei Sol, ou seja, do Cristo. Por sua vez, a Estrela de Belém é o fator que conduz a progressão destas etapas, e sem ela jamais realizariam sua peregrinação espiritual desde o oriente até Jerusalém.

A Estrela de Belém simboliza o processo de transmutação alquímica, de transformação do mercúrio filosofal desde sua natureza imatura – simbolizada pelo Oriente – até seu pleno desenvolvimento – ao qual corresponde o nascimento do Rei Sol. Desta forma entendemos que a alegoria da Estrela de Belém contém o Grande Segredo ou Grande Arcano da filosofia oculta, que habilita aquele que o possui a manejar habilmente o mercúrio e alcançar a Pedra Filosofal, que é o próprio Cristo Íntimo.

___ Fontes:

[1] – Os Reis Magos segundo o Evangelho de Mateus

[2] – Os Três Reis Magos – Os Astrólogos do Oriente

[3] – O Significado Alquímico da Estrela de Belém

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