Onde há guerra?

Por Marcos Lizardo

A guerra está onde?
Está distante, muito além de nossos olhares,
Além dos mares, em outro continente, outros patamares,
Além daqueles montes, em infinitos lugares, outro planeta,
Fora de nossas vistas, longe do nosso alcance, do que se imagina,
Está nos olhos parados da menina que saiu para comprar leite,
E só voltou aos pedaços, sem leite, sem mão, sem pão, sem chão,
Sem pernas, sem história, sem futuro, sem mãe, sem nada, sem vida,
Porque a guerra estava muito longe, bastava dobrar aquela esquina,
A guerra sempre esteve nos dias mal contados daquela pobre menina,
Está na necessidade de justamente não ter necessidade nenhuma,
Ou na inutilidade de não ter utilidade nenhuma, a não ser que…
A não ser que tenha alguma utilidade a quem possa interessar
Pela utilidade que se possa fazer da fabricação e venda de armas,
Essa coisa toda em que a única utilidade é nada mais que o dinheiro.

A guerra está em toda a parte, em todo o tempo, em toda história,
Está no que quebra e não tem mais conserto, está no erro do acerto,
Está no que se conserta e nunca mais há de ser do mesmo jeito,
Está no conceito que se forja em tão diabólicas oficinas,
Está no preconceito que ainda não sabes, mas ensinas,
Está na força da fraqueza ou na fraqueza que toda força tem,
Está no ferro, no medo, no aço, no silêncio, no gás, no desejo, no fogo,
Nos escombros dos sonhos que não se sabe, na vontade que não nos cabe,
Na destruição por si mesma, ávida de se construir algo novo de novo,
À custa de muitas vidas, muita dor e medo e de muitas lágrimas do povo.

Sempre haverá guerra,
Mesmo que o medo mova a mão que movimenta o motor malévolo do mundo,
Num motivo mal justificado que nos condena à guerra que só se justifica por si mesma,
sempre haverá guerra.

A guerra está onde?
Está onde há guerra e sempre haverá de estar.
Desfeito do que sou refeito me torno rarefeito,
Porque é tão inútil este nosso inevitável pensar,
A guerra está em nós, aqui bem dentro do peito.

Fonte: [ Estante de Marcos Lizardo ]

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Precisa-se de Matéria Prima para construir um País

por João Ubaldo Ribeiro

A crença geral anterior era que Collor não servia, bem como Itamar e Fernando Henrique. Agora dizemos que Lula não serve. E o que vier depois de Lula também não servirá para nada. Por isso estou começando a suspeitar que o problema não está no ladrão corrupto que foi Collor, ou na farsa que é o Lula. O problema está em nós. Nós como povo.

Nós como matéria prima de um país. Porque pertenço a um país onde a esperteza é a moeda que sempre é valorizada, tanto ou mais do que o dólar.

Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família, baseada em valores e respeito aos demais. Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nas calçadas onde se paga por um só jornal e se tira um só jornal, deixando os demais onde estão.

Pertenço ao país onde as empresas privadas são papelarias particulares de seus empregados desonestos, que levam para casa, como se fosse correto, folhas de papel, lápis, canetas, clipes e tudo o que possa ser útil para o trabalho dos filhos …e para eles mesmos.

Pertenço a um país onde a gente se sente o máximo porque conseguiu puxar a tevê a cabo do vizinho, onde a gente frauda a declaração de imposto de renda para não pagar ou pagar menos impostos. Pertenço a um país onde a impontualidade é um hábito.

Onde os diretores das empresas não valorizam o capital humano.

Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos.

Onde pessoas fazem gatos para roubar luz e água e nos queixamos de como esses serviços estão caros.

Onde não existe a cultura pela leitura – exemplo maior nosso atual Presidente, que recentemente falou que é “muito chato ter que ler” e não há consciência nem memória política, histórica nem econômica.

Onde nossos congressistas trabalham dois dias por semana para aprovar projetos e leis que só servem para afundar ao que não tem, encher o saco ao que tem pouco e beneficiar só a alguns.

Pertenço a um país onde as carteiras de motorista e os certificados médicos podem ser “comprados”, sem fazer nenhum exame.

Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no ônibus, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não dar o lugar. Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o pedestre.

Um país onde fazemos um monte de coisa errada, mas nos esbaldamos em criticar nossos governantes. Quanto mais analiso os defeitos do Fernando Henrique e do Lula, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem “molhei” a mão de um guarda de trânsito para não ser multado. Quanto mais digo o quanto o Dirceu é culpado, melhor sou eu como brasileiro, apesar de ainda hoje de manhã passei para trás um cliente através de uma fraude, o que me ajudou a pagar algumas dívidas. Não. Não. Não. Já basta.

Como matéria prima de um país, temos muitas coisas boas, mas nos falta muito para sermos os homens e mulheres que nosso país precisa. Esses defeitos, essa esperteza brasileira congênita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até converter-se em casos de escândalo, essa falta de qualidade humana, mais do que Collor, Itamar, Fernando Henrique ou Lula, é que é real e honestamente ruim, porque todos eles são brasileiros como nós, eleitos por nós.

Nascidos aqui, não em outra parte… Me entristeço. Porque, ainda que Lula renunciasse hoje mesmo, o próximo presidente que o suceder terá que continuar trabalhando com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada… Não tenho nenhuma garantia de que alguém o possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá. Nem serviu Collor, nem serviu Itamar, não serviu Fernando Henrique, e nem serve Lula, nem servirá o que vier. Qual é a alternativa?

Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa outra coisa não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados… igualmente sacaneados!!! É muito gostoso ser brasileiro. Mas quando essa brasilinidade autóctone* começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, aí a coisa muda… Não esperemos acender uma vela a todos os Santos, a ver se nos mandam um Messias.

Nós temos que mudar, um novo governador com os mesmos brasileiros não poderá fazer nada. Está muito claro…. Somos nós os que temos que mudar.

Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda nos acontecendo: desculpamos a mediocridade mediante programas de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez.

Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para castigá-lo, senão para exigir-lhe – sim, exigir-lhe – que melhore seu comportamento e que não se faça de surdo, de desentendido. Sim, decidi procurar o responsável e estou seguro que o encontrarei quando me olhar no espelho. Aí está. Não preciso procurá-lo em outro lado.

E você, o que pensa?

* adj m+f (gr autókhthon) 1 Natural do país em que habita e proveniente das raças que ali sempre habitaram; aborígine, indígena. [Michaelis]

Joao-ubaldo

Essa mulher confrontou o racismo olho por olho e veja o que aconteceu

“Essa é Mo Asumang seu pai é Ganês e sua mãe Alemã. Descontente com a onda de racismos e discriminação em alguns países ela decidiu enfrentar cara a cara o que Neonazistas e outros grupos tem a dizer. Percorreu ruas da Alemanha portando uma câmera em busca de seu objetivo questionando o que eles tem contra sua raça e quais seus planos para os negros. O resultado disso foi fantástico, virou um documentário que contou com o apoio da BBC News que reproduziu esse vídeo.”

Onisciente coletivo

Sabemos que você é um cara inteligente
Sabemos do dinheiro na sua conta corrente
Sabemos que você não chora a toa
Sabemos que você leva a vida numa boa

Sabemos que você não sente medo
Sabemos das suas mancadas, dos seus segredos
Sabemos lá da sua patifaria
Sabemos das suas mentiras e hipocrisia

Então vai tomar no cu, seu filho da puta
Vai ai ai ai ai vai tomar no seu cu, filho da puta
Então vai tomar no cu, seu filho da puta
Vai ai ai ai ai vai tomar no seu cu

Sabemos que você não é inocente
Sabemos da miséria que causou em tanta gente
Sabemos que você é um poderoso candidato
Sabemos da corrupção no seu mandato

Sabemos que estão morrendo gente sofrida
Sabemos onde mora sua mãe querida
Sabemos,nós sabemos que sabemos demais
O que podemos fazer a não ser xingar

Então vai tomar no cu, seu filho da puta
Vai ai ai ai ai vai tomar no seu cu, filho da puta
Então vai tomar no cu, seu filho da puta
Vai ai ai ai ai vai tomar no seu cu

Filha da puta
Que puta cara de pau
A impunidade prevalece
Acima do bem e do mal
Todo mundo sabe, todo mundo vê
Onisciência coletiva
Aqui é pra valer

Rappin Hood aqui juntos com Ratos de Porão
Rock com rap, sim, um salve pro meu mano Jão
Eu sou mais um indignado, mais um revoltado
Um bando de filho da puta político safado

Roubando nosso povo, gastando o dinheiro
Lá no exterior luta o povo brasileiro
E os pedreiros aqui na rua, onde a batalha é dura
Guerra e revolução, esse é a verdade nua e crua

Escuta a periferia vai luta,convocação geral
Para as mina e os truta
Nós tamo sem dinheiro, sem educação
Nós tamo sem emprego, tamo sem condição
Quem é acomodado finge que não vê
E vive rebolando e assistindo a TV

Sou mais um revolucionário,mais um mente Zulu
Candidato de Caô Caô, vai tomar no cu
Porque nós tamo sem dinheiro, sem educação
Nós tamo sem emprego, tamo sem condição
Quem é acomodado finge que não vê
E vive rebolando e assistindo a TV
Pode crê!

( Onisciente Coletivo – Ratos de Porão )

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Pepe Mujica, uma história de amor

José_Mujica-Lucia Topolansky

by Victor Farinelli

Primavera de 1973. Ela não se chamava Ana, mas era assim que todos a conheciam. Ana, a guerrilheira, detida em uma prisão militar feminina, construída especialmente para mulheres tupamaras, em algum lugar desconhecido no interior do Uruguai, com uma carta na mão, que era de Emiliano, ou Ulpiano, ou seja lá qual fosse o seu verdadeiro nome.

Em junho daquele ano, o fim do MLN-T (Movimento de Liberação Nacional, também conhecido como Tupamaros), foi um dos episódios que marcou o início da ditadura uruguaia, e levou centenas de jovens revolucionários à prisão, quinze deles como reféns de guerra. Ulpiano era um deles. Se os tupamaros ainda livres voltassem a atuar, ele seria fuzilado.

Ana, a guerrilheira

Ana, a guerrilheira

Um torturador chuta as grades da cela enquanto ri jocosamente e relembra as últimas humilhações, de diferentes tipos, que a fez sofrer. Ana continua lendo a carta. Ele insiste:

– Você é a nossa preferida, bebê. Vai ficar aqui por milhares de anos.

A raiva a faz apertar o papel em suas mãos até quase rasgá-lo:

– Olha, daqui a doze anos eu vou sair daqui e viver a minha vida. Você viverá com o fantasma dessas perversões, atormentando até o dia da sua morte.

Enquanto ele aumentava o volume das gargalhadas, Ana buscava algo onde escrever uma resposta. Precisava contar sua verdade, que seu nome não era Ana, que era filha de uma família de classe média de Pocitos, bairro nobre de Montevidéu. Tinha uma irmã gêmea, tinha uma família enorme, sofria pelas saudades e pelo medo, mas não medo da morte, era o único medo que não tinha, pois lhe bastava a certeza de sair dali e para se encontrar com ele.

Dias depois, seu advogado lhe forneceu papel, caneta e a grande coincidência de suas vidas. Ele era casado com a advogada de Ulpiano. Os dois nada podiam fazer pelos dois guerrilheiros. Livrá-los da prisão em meio a uma ditadura era impensável. Mas puderam ser um casal de carteiros, trabalhando por um amor que lutava para sobreviver.

Dois prisioneiros vivendo um típico amor tupamaro. O MLN surgiu em meados dos Anos 60, fundado por um grupo de estudantes socialistas que queriam fazer a revolução no Uruguai. Diferente das guerrilhas urbanas de outros países, os tupamaros começaram a atuar antes de instalada a ditadura. A vida na clandestinidade impedia que houvesse relações fora da organização e saber o verdadeiro nome da pessoa amada. O amor deles nasceu quando ela se chamava Ana e ele Ulpiano, e não importava a verdade.

Amor que nasceu com um passo para fora da prisão. Ela, uma estudante de arquitetura com talento para a falsificação de documentos, lhe fazia uma identidade falsa, e assim se conheceram. Ana tinha um namorado que também era do MLN, se chamava Blanco Katrás, que meses depois seria capturado junto com ela. Ana só passou alguns meses na cadeia, mas Blanco seria executado pela polícia uruguaia. “Não era o primeiro namorado que eu perdia naquelas condições, e naquela altura, já tinha visto muitos outros companheiros morrerem. Não há tempo pra sentir pena quando você precisa salvar a própria pele”, pensava Ana, libertada em 1972, antes de encontrar refúgio no mesmo porão em que estava escondido Ulpiano – na época, um dos homens mais procurados do país.

Ulpiano, o mais procurado

Ulpiano, o mais procurado

A caça aos tupamaros no Uruguai passou a ser mais intensa nos Anos 70, com a ajuda dos Estados Unidos. Os tupamaros sequestraram e assassinaram um agente do FBI, em agosto de 1970 (Dan Mitrione, que anos antes esteve no Brasil, ensinando técnicas de tortura aos militares). Ulpiano era acusado de fazer parte dessa operação – que é narrada pelo filme Estado de Sítio, de Costa Gravas.

Ninguém sabe se foi aí, no ocaso do movimento tupamaro, quando viviam de porão em porão pelos bairros do centro velho de Montevidéu, que começou a história de amor de Ana e Ulpiano. “Eles passaram a andar juntos na época mais dura, quando nem sempre havia um teto. Às vezes, era preciso dormir em pântanos fora do perímetro urbano da cidade. Ninguém sabe se a relação, digamos, física, começou nessa época, mas com certeza o carinho mútuo sim”, relata Henry Engler, um ex-tupamaro, amigo pessoal de Ulpiano.

O pouco que se sabe sobre o começo da relação é que eles se tornaram imprescindíveis um para o outro nesses últimos meses do MLN, antes do fim definitivo da organização, em junho de 1973. Ambos foram presos. Ana foi levada a uma prisão de mulheres. Ulpiano virou refém, ficava numa solitária, sob ameaça de morte se algum ex-companheiro voltasse a atuar.

Tentaram trocar correspondências entre si para sobreviver, com a ajuda dos advogados-carteiros. Ela se confessou, disse que se chamava Lucía, Lucía Topolanski, e que sonhava em sair dali e encontrá-lo. Ele respondeu com sua própria revelação: “meu nome é José Alberto Mujica”.

A carta-desabafo de Pepe Mujica, ex-Ulpiano, era a mais bela carta de amor de todos os tempos, segundo as companheiras de presídio de Lucía – era toda sentimentalona, como todas as coisas do Pepe”, segundo María Elia Topolanski, irmã gêmea de Lucía, também ex-tupamara. Passou por todas as mãos e fez sucesso até entre os carcereiros – “naqueles anos, cada carta que chegava era para todas”, conta Lucía, sobre a falta de ciúmes com o bilhete.

Diz a lenda que a ternura das palavras de Mujica amoleceu as restrições que havia para correspondência entre presos, e assim eles puderam trocar mais cartas que os demais casais tupamaros separados entre prisões.

Essa situação durou exatamente os doze anos que Lucía deu de prazo ao seu torturador, até que seu amor renasceu como na primeira vez, com um passo para fora da prisão. No dia 14 de março de 1985, ela e a irmã gêmea saíram da cadeira e foram para a enorme casa da família – no mesmo dia em que Pepe foi libertado, depois de onze anos na solitária, “conversando com os ratos e agarrado na esperança” segundo ele mesmo. “No dia seguinte, Lucía foi embora, foi morar com o Pepe, e nunca mais voltou”, conta María Elia Topolanski.

Ana, quando voltou a ser Lucía Topolanski. Ulpiano, quando voltou a se chamar Pepe Mujica. O recomeço, vendendo flores no mercado de Montevidéu, enquanto vivem, juntos, a mais linda história de amor do Uruguai.

Ana, quando voltou a ser Lucía Topolanski. Ulpiano, quando voltou a se chamar Pepe Mujica. O recomeço, vendendo flores no mercado de Montevidéu, enquanto vivem, juntos, a mais linda história de amor do Uruguai.

Desde então, vivem juntos em uma chácara de um bairro de classe baixa, na periferia de Montevidéu. Começaram criando flores e vendendo no mercado municipal, mas sem esquecer os ideais políticos. Pepe se candidatou e se elegeu deputado em 1995. Em 2000, ele passou a ser senador, e Lucía deputada. Em 2005, ela se elegeu senadora, e nesse mesmo momento, trinta anos depois do começo da relação, vinte anos depois de começarem a viver juntos, decidiram formalizar o matrimônio. Cinco anos antes de Pepe assumir como presidente do Uruguai.

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Fonte: [ Carta Capital ]

Fátima

Vocês esperam uma intervenção divina
Mas não sabem que o tempo agora está contra vocês
Vocês se perdem no meio de tanto medo
De não conseguir dinheiro pra comprar sem se vender
E vocês armam seus esquemas ilusórios
Continuam só fingindo que o mundo ninguém fez
Mas acontece que tudo tem começo
Se começa um dia acaba, eu tenho pena de vocês

E as ameaças de ataque nuclear
Bombas de nêutrons não foi Deus quem fez
Alguém, alguém um dia vai se vingar
Vocês são vermes, pensam que são reis
Não quero ser como vocês
Eu não preciso mais
Eu já sei o que eu tenho que saber
E agora tanto faz

Três crianças sem dinheiro e sem moral
Não ouviram a voz suave que era uma lágrima
E se esqueceram de avisar pra todo mundo
Ela talvez tivesse um nome e era: Fátima
E de repente o vinho virou água
E a ferida não cicatrizou
E o limpo se sujou
E no terceiro dia ninguém ressuscitou

(Fátima – Capital Inicial)

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