Quem foi que disse que #‎SomosTodosMacacos‬ ?

macaco

“O homem veio do macaco”. Frase desprovida de conceito científico, e nunca citada por Charles Darwin. A Teoria da Evolução jamais disse isso, e nenhum cientista reconhecido pela comunidade científica também diria.

por Felipe Politano

Nem ia comentar dessa pataquada sem propósito de ‪#‎SomosTodosMacacos‬ aqui, primeiro por ser publicitário e saber que buzz é tudo o que os criadores dessa bizarrice tem pra por na fatura na hora de passar a régua e fechar a conta, aquela coisa de não bater palma pra maluco dançar, vocês sabem. E segundo porque me dá certo receio ter que discutir um tema tão anacrônico… fico com medo de, sei lá, dar corda a essa coisa de volta no tempo e de repente até novembro já estarmos andando a cavalo, comprando anáguas, enfim.

Mas voltando ao que deveria ser 2014: estava aqui passeando pela timeline na madruga boladona e acabei vendo não UMA, não DUAS, mas uma boa dúzia de pessoas que estão agora apoiando a não-causa do boleiro mas que, surprise surprise, nesse curto ano mal começado já jogaram suas próprias bananas de opinião por aí – com absurdos mais ou menos sutis contra os direitos humanos dos imigrantes haitianos, ou a favor dos justiceiros amarrando marginais em postes; contra a escolha supostamente política de uma negra como mais bonita do mundo, ou a favor das piadas maldosas com a nova Globeleza; apenas achando super normal toda essa coisa de mendigo gato, tour de gringo na favela, Tinder da Suécia, ou silenciosamente validando bizarrice que o valha.

Isso sem falar dos outros tantos que, no muito distante 2013, achavam que os shoppings tinham sim o direito de decidir quem tinha “cara de rolezeiro” e deveria ser preventivamente impedido de entrar em espaço privado de interesse público. Ou até mesmo gente que faz de conta que não entende a diferença entre igualdade e justiça, ou que finge não ver o privilégio social inerente a nascer branco, hétero, cis, sem nenhuma deficiência, talvez numa religião amplamente aceita – e que mesmo assim posta foto com banana, mas se nega a discutir cotas e medidas afirmativas pra quem nasceu sem tanta “sorte”.

A real é que a maior parte de nós nunca vai conseguir escrever um “somos-todos-qualquer-coisa” sem cair no ridículo da ilegitimidade, por pura falta de empatia. Não pelo “qualquer-coisa” da causa; mas pelo “todos”, que nunca existiu. Vejo uma campanha abraçada por gente especial, única, que se sente lisonjeiramente mais especial e única por vestir uma camiseta ou postar uma foto se dizendo igual a todos como se isso fosse em si uma prova de altruísmo – aliás, pior, se dizendo igual a uma minoria historicamente massacrada, e respondendo em nome dela a um preconceito que não está restrito aos estádios e do qual não se tem a mais rasa idéia.

Dizer que “somos todos tipo assim negros” é um desdobramento natural do “tenho até amigos que são”, uma tampa de bueiro da mesma família do “não tenho preconceito, mas”. São discursos plásticos que obstruem diálogos reais, e tiram do grupo dominante a responsabilidade real com o todo. E nos tempos instagrâmicos, quando não só os publicitários mas também os usuários possuem métricas muito precisas de buzz e awareness, o apelo de uma hashtag, um meme ou um pretexto pra selfie ofusca facilmente a necessidade de um debate com todas as letras. Nessa medida, a campanha do #SomosTodosMacacos é não apenas um embuste, mas uma sacanagem.

Veja bem: um dos mecanismos sociais mais cruéis é a apropriação, por parte do opressor, de elementos culturais e simbólicos do oprimido – sem para isso pagar o preço de viver na pele a opressão. Quando a elite (e por elite não estou falando de FHC nem da Fátima Bernardes, mas de você que tem privilégios automáticos por ter nascido onde nasceu, com sua cor, seu gênero, sua orientação e tendo onde cair morto) resolve usar os códigos culturais do pobre, do preto, do gay ou do nordestino para se entreter, ela exerce inadvertidamente o seu poder de opressor – já que transitar seguramente por esses códigos sem perder seus privilégios concedidos é demonstração do domínio do seu espaço social “natural”. Acontece o tempo todo na música, na televisão, na gíria, na moda, na vida, mas não deixa de ser sintomático.

Pode ficar à vontade e tomar um tempinho pra pensar sobre isso – aliás, o tempo que for até descobrir por conta própria a diferença entre se sentir mal pela sorte na loteria divina e se sentir responsável por usar seus privilégios em benefício de quem não os tem, simplesmente porque o mérito de tê-los ou inexiste ou não é seu. É esse insight que, felizmente, permite a algumas pessoas entender porque grupos dominantes não precisam de “orgulho” e maiorias não tem como “sofrer preconceito”.

Ao assentir com a campanha publicitária das (dos?) bananas do Huck e do Neymar, o público (por vezes sem querer, que haja o benefício da dúvida) se coloca na mesma posição de apropriação opressora do humoristão que pinta o rosto de preto para interpretar uma mendiga por um salário de muitos dígitos, ou do galã hétero que caricatura um gay afetado do jeito que ele mesmo diz, em entrevista, que não suporta na vida real. Caso não seja óbvio: isso é tudo muito real e muito escroto. Mas, passado o hype da campanha (ou o papel na emissora), todo o ônus da discriminação continuará exatamente onde sempre esteve: na menininha que acha natural o nome do seu tipo de cabelo ser “ruim”, no garoto que é confundido com o marginal “porque é tudo igual”…

Mas onde o #SomosTodosMacacos dá um passo além rumo ao longe-demais é ao se apoderar da VOZ do oprimido. Porque é somente dele, daquele a quem é infligida a opressão, o direito de responder à agressão com indiferença ou chacota ou como queira, morando na confiança inesperada o tom de protesto. A atitude de “pode me chamar de macaco” só é catártica pra ele que vive o peso desse preconceito, todos os dias. Essa mesma atitude, estampada em posts e selfies e t-shirts, não só se esvazia e minimiza uma luta legítima, como ainda ilustra carmenmirandamente o exercício da apropriação opressora. Não é solidariedade, é “calma-tá-tudo-bem-agora”. E não está.

A você que chegou até aqui: muito obrigado por ter separado tantos minutos para a opinião de uma pessoa só. Não pretendo, aqui, falar em nome de ninguém – e juro que não queria ter sido tão prolixo e chato, mas é justamente essa indisposição coletiva pra falar à exaustão que permite a propagação de meios-discursos rasteiros. E ó, garanto que isso aqui ainda é muito pouco perto de tudo que ainda precisa ser dito e pensado – de preferência não nessa ordem – sobre o assunto. Porque essa ilusão coletiva de que a miscigenação criou um Brasil sem racismo joga bananas gratuitas por aí diariamente, ainda que sem direito a hashtag.

Fonte: [ Felipe Politano ]

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Citação via: [ Biologia Paralela ]

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Olhos de cão azul

Gabriel García Márquez

(formatação de texto adaptada para “webreading“)

Então olhou para mim. Pensava que olhava para mim pela primeira vez. Mas então, quando se virou por trás do abajur, e eu continuava sentindo sobre o ombro, nas minhas costas, seu escorregadio e oleoso olhar, compreendi que era eu quem a olhava pela primeira vez. Acendi um cigarro. Traguei a fumaça áspera e forte, antes de fazer girar a cadeira, equilibrando-a sobre uma das pernas posteriores.

Depois disso a vi ali, como havia estado todas as noites, de pé junto ao abajur, me olhando. Durante breves minutos não fizemos nada mais que isto: olhar-nos. Eu, olhando-a da cadeira, equilibrando-me numa das pernas traseiras. Ela, em pé, me olhando, com uma das mãos, comprida e quieta, sobre o abajur. Via as pálpebras iluminadas como todas as noites. Foi então que lembrei o de sempre, quando lhe disse: “Olhos de cão azul”. Ela me disse, sem tirar a mão do abajur: “Isso. Já não o esqueceremos nunca”. Saiu da órbita suspirando: “Olhos de cão azul. Escrevi isso por todas as partes”.

Vi-a caminhar em direção à cômoda. Vi-a aparecer na lua circular do espelho, olhando-me agora no final duma ida e volta de luz matemática. Vi-a continuar me olhando com seus grandes olhos de cinza acesa: olhando-me enquanto abria uma caixinha revestida de nácar rosado. Vi-a passar pó-de-arroz no nariz. Quando acabou de fazer isso, fechou a caixinha e voltou a ficar em pé e andou novamente em direção ao abajur, dizendo: “Temo que alguém sonhe com este quarto e mexa nas minhas coisas”; e estendeu sobre a chama a mão comprida e trêmula, a mesma que estivera esquentando antes de sentar-se em frente ao espelho. E me disse: “Você não sente o frio”. E eu lhe disse: “Às vezes”. E ela me disse: “Você deve senti-lo agora”.

E então compreendi por que não tinha podido ficar sozinho na cadeira. Era o frio o que me dava certeza da minha solidão. “Agora o sinto”, disse. “E é raro, porque a noite está quieta. Talvez o lençol tenha rodado”. Ela não respondeu. Começou a se mexer em direção ao espelho e voltei a girar sobre a cadeira para ficar de costas para ela. Embora sem vê-la, sabia o que estava fazendo. Sabia que estava outra vez sentada diante do espelho, vendo minhas costas, que haviam tido tempo para chegar até o fundo do espelho, e serem encontradas pelo seu olhar, que também havia tido o tempo justo para chegar até o fundo e regressar antes que a mão tivesse tempo de iniciar a segunda virada — até os lábios que estavam agora pintados de carmim, da primeira virada da mão em frente ao espelho.

Eu via, à minha frente, a parede lisa, que era como outro espelho cego, onde eu não a via sentada às minhas costas, mas imaginando onde estaria, se no lugar da parede tivesse sido colocado um espelho. “Estou vendo você”, disse-lhe. E vi, na parede, como se ela tivesse levantado os olhos e me visto de costas na cadeira, ao fundo do espelho, com o rosto voltado para a parede. Depois vi-a abaixar as pálpebras, outra vez, e ficar com os olhos quietos no seu sutiã, sem falar. E voltei a lhe dizer: “Estou vendo você.” E ela voltou a levantar os olhos do sutiã. “É impossível”, disse. Eu perguntei por quê. E ela, com os olhos outra vez quietos no sutiã: “Porque você tem o rosto voltado para a parede”.

Então eu fiz girar a cadeira. Tinha o cigarro apertado na boca. Quando fiquei de frente para o espelho, ela estava outra vez junto do abajur. Agora tinha as mãos abertas sobre a chama, como duas asas abertas de galinha, sendo assada, e com o rosto sombreado pelos próprios dedos. “Acho que vou me resfriar”, disse. “Esta deve ser uma cidade gelada”. Voltou o rosto de perfil e sua pele de cobre vermelho se tornou repentinamente triste. “Faça alguma coisa contra isso”, disse. E ela começou a tirar a roupa, peça por peça, começando por cima; pelo sutiã. Disse-lhe: “Vou me virar para a parede”. Ela disse: “Não. De todas as maneiras você vai me ver, como me viu quando estava de costas”. Mal tinha acabado de dizer isso e já estava despida quase por completo, com a chama lambendo-lhe a comprida pele de cobre. “Sempre tinha querido ver você assim, com o couro da barriga cheio de buracos fundos, como se houvessem feito você a pauladas”.

E antes que eu me desse conta de que minhas palavras se tinham tornado torpes diante da sua nudez, ela ficou imóvel, esquentando-se na órbita do abajur, e disse: “Às vezes creio que sou metálica”. Manteve o silêncio por um instante. A posição das mãos sobre a chama mudou levemente. Eu disse: “Às vezes, em outros sonhos, pensei que você é apenas uma estatueta de bronze num canto de algum museu. Talvez por isso sinta frio”. E ela disse: “Às vezes, quando durmo sobre o coração, sinto que o corpo fica como um ovo, e a pele como uma lâmina. Então, quando o sangue me bate por dentro, é como se alguém me estivesse chamando com os nós dos dedos na barriga, e sinto meu próprio som de cobre na cama. É como se fosse assim como você diz: de metal laminado”.

Aproximou-se mais do abajur. “Teria gostado de ouvir você”, disse. E ela disse: “Se alguma vez nos encontrarmos ponha o ouvido nas minhas costelas, quando eu dormir sobre o lado esquerdo, e me ouvirá ressonar. Sempre desejei que você alguma vez fizesse isso”. Ouvi-a respirar fundo enquanto falava. E disse que durante anos não tinha feito nada diferente disso. Sua vida estava dedicada a me encontrar na realidade, por meio dessa frase identificadora. “Olhos de cão azul.” E na rua ia dizendo em voz alta, que era uma maneira de dizer à única pessoa que teria podido compreendê-la:

“Eu sou a que chega em seus sonhos todas as noites e lhe diz isto: olhos de cão azul”. E ela disse que ia aos restaurantes e dizia para os garçons, antes de fazer o pedido: “Olhos de cão azul”. Mas os garçons lhe faziam uma respeitosa reverência, sem que houvessem lembrado nunca ter dito isso nos seus sonhos. Depois escrevia nos guardanapos e riscava com a faca o verniz das mesas: “Olhos de cão azul”. E nos cristais embaçados dos hotéis, das estações, de todos os edifícios públicos, escrevia com o indicador: “Olhos de cão azul”. Disse que uma vez chegou a uma drogaria e percebeu o mesmo cheiro que tinha sentido no seu quarto uma noite, depois de ter sonhado comigo: “Deve estar perto”, pensou, vendo a cerâmica limpa e nova da drogaria.

Então se aproximou do vendedor e lhe disse: “Sempre sonho com um homem que me disse: “Olhos de cão azul”. E disse que o vendedor a havia olhado nos olhos e dito: “Na verdade, moça, a senhora tem os olhos assim”. E ela disse: “Preciso encontrar o homem que me diz isso nos sonhos”. E o vendedor começou a rir e foi para o outro lado do balcão. Ela permaneceu olhando o ladrilho limpo do chão e sentindo o cheiro. E abriu a bolsa e se ajoelhou e escreveu com o batom sobre o ladrilho, com grandes letras vermelhas: “Olhos de cão azul”. O vendedor regressou de onde se encontrava. Disse-lhe: “Moça, a senhora sujou o ladrilho”. Deu-­lhe um pano úmido, dizendo: “Limpe-o”. E ela disse, ainda junto ao abajur, que passou a tarde toda agachada, lavando o ladrilho e dizendo: “Olhos de cão azul”, até que as pessoas se aglomeraram na porta e disseram que estava louca.

Agora, quando acabou de falar, eu continuava no canto, sentado, equilibrando-me na cadeira. “Tento me lembrar todos os dias da frase com que preciso encontrar você”, disse. “Agora creio que amanhã não a esquecerei. Mas sempre esqueço ao acordar quais são as palavras com que posso encontrar você”. E ela disse: “Você mesmo as inventou desde o primeiro dia”. E eu lhe disse: “Inventei-as porque vi seus olhos cor de cinza. Mas nunca me lembro delas na manhã seguinte.” E ela, com os punhos fechados junto ao abajur, respirou fundo: “Se pelo menos pudesse recordar agora em que cidade estive escrevendo isso”.

Seus dentes apertados resplandeceram sobre a chama. “Eu gostaria de tocar em você agora”, disse. Ela levantou o rosto que estivera olhando a luz: levantou o olhar ardente, assando-se também do mesmo jeito que ela, do mesmo jeito que suas mãos: e eu senti que me viu, no canto, onde continuava sentado, me balançando na cadeira. “Você nunca me tinha dito isso”, disse. “Agora digo, e é verdade”, disse.

Do outro lado do abajur ela me pediu um cigarro. O toco tinha desaparecido dos meus dedos. Esquecera que estava fumando. Disse: “Não sei por quê, não posso lembrar onde o escrevi”. E eu lhe disse: “Pela mesma razão pela qual eu não poderei lembrar as palavras amanhã”. E ela disse, triste: “Não. É que às vezes creio que também sonhei isso”. Fiquei em pé e andei até o abajur. Ela estava um pouco mais para lá, e eu continuava andando, com os cigarros e os fósforos na mão, e não passaria o abajur. Aproximei dela o cigarro. Ela o apertou entre os lábios e se inclinou para atingir a chama, antes que eu tivesse tempo de acender o fósforo.

“Em alguma cidade do mundo, em todas as paredes, têm que estar escritas estas palavras: ‘Olhos de cão azul”, disse. “Se amanhã me lembrasse delas iria buscar você”. Ela levantou outra vez a cabeça e já tinha a brasa acesa nos lábios.”Olhos de cão azul”, suspirou, recordando, com o cigarro jogado sobre o queixo e um olho semifechado. Aspirou a fumaça, com o cigarro entre os dedos, e exclamou: “Já isto é outra coisa. Estou me sentindo mais quente”. E disse-o com a voz um pouco morna e fugidia, como se não o tivesse dito realmente, mas como se houvesse aproximado o papel à chama enquanto eu lia: “Estou entrando — e ela tivesse continuado com o papelzinho entre o polegar e o indicador, virando-o, enquanto ia se consumindo e eu acabava de ler — ­… mais quente”, antes que o papelzinho se consumisse por completo e caísse ao chão amassado, diminuído, convertido num leve pó de cinza. “Assim, é melhor”, disse. “Às vezes me dá medo ver você assim. Tremendo junto ao abajur”.

Há vários anos nos víamos. Às vezes, quando já estávamos juntos, alguém deixava cair lá fora uma colherinha e acordávamos. Pouco a pouco íamos compreendendo que nossa amizade estava subordinada às coisas, aos acontecimentos mais simples. Nossos encontros terminavam sempre assim, com o cair de uma colherzinha na madrugada.

Agora, junto ao abajur, estava me olhando. Eu lembrava que antes também me havia olhado assim, desde aquele remoto sonho em que fiz a cadeira girar sobre as pernas traseiras e fiquei diante de uma desconhecida de olhos cinzentos. Foi nesse sonho que perguntei a ela pela primeira vez:”Quem é a senhora?” E ela me disse: “Não lembro”. Eu lhe disse: “Mas acredito que nos vimos antes”. E ela disse, indiferente: “Creio que alguma vez sonhei com o senhor, com este mesmo quarto”. E eu lhe disse: “É isso. Já começo a lembrar”. E ela disse: “Que curioso. É verdade que temos nos encontrado em outros sonhos”.

Deu duas chupadas no cigarro. Eu estava ainda em pé em frente ao abajur, quando fiquei olhando para ela de repente. Olhei-a de cima a baixo e ainda era de cobre; mas já não de metal duro e frio, senão de cobre amarelo, macio, maleável. “Gostaria de tocar em você”, voltei a dizer. E ela disse: “Você jogaria tudo por água abaixo”, voltou a dizer, antes que eu pudesse tocá-la. “Talvez, se você se virar por trás do abajur, acordaríamos sobressaltados quem sabe em que parte do mundo”. Mas eu insisti: “Não importa”. E ela disse:”Se virássemos o travesseiro, voltaríamos a nos encontrar. Mas você, quando acordar, terá esquecido tudo”. Comecei a me mexer em direção ao canto. Ela ficou por trás, esquentando as mãos sobre a chama. E eu ainda não estava junto da cadeira quando a ouvi falar às minhas costas: “Quando acordo à meia-noite, fico revirando-me na cama, com os fios do travesseiro ardendo no joelho e repetindo até o amanhecer: ‘Olhos de cão azul'”.

Então fiquei com o rosto na parede. “Já está amanhecendo”, disse sem olhar para ela. “Quando deram duas da manhã, estava acordado, já fazia bastante tempo.” Dirigi-me até a porta. Quando tinha pegado a maçaneta, ouvi outra vez sua voz igual, invariável: “Não abra essa porta”, disse. “O corredor está cheio de sonhos difíceis”. E eu lhe disse: “Como você sabe disso?” E ela me disse: “Porque há pouco estive ali e tive que voltar quando descobri que estava dormindo sobre o coração”.

Eu mantinha a porta entreaberta. Movi um pouco o batente, e um ar frio e tênue me trouxe um cheiro fresco de terra vegetal, de campo úmido. Ela falou outra vez, virei-me, mexendo ainda o batente montado em gonzos silenciosos, e lhe disse: “Creio que não há nenhum corredor aqui fora. Sinto o cheiro do campo”. E ela,já um pouco longe, me disse: “Conheço isso mais do que você. O que acontece é que lá fora há uma mulher sonhando com o campo”. Cruzou os braços sobre a chama. Continuou falando: “É essa mulher que sempre desejou ter uma casa no campo e nunca pôde sair da cidade”. Eu lembrava ter visto a mulher num outro sonho anterior, mas sabia, já com a porta entreaberta, que dentro de meia hora tinha que descer para o café da manhã. E lhe disse: “De todas maneiras, tenho que sair daqui para acordar”.

Lá fora o vento bateu um instante, ficou quieto depois, e ouviu-se a respiração de alguém adormecido que acabava de virar-se na cama. O vento do campo suspendeu-se. Já não houve mais odores. “Amanhã vou reconhecer você por isso”, disse. “Vou reconhecê-la quando vir na rua uma mulher que escreva nas paredes: ‘Olhos de cão azul'”. E ela, com um sorriso triste — que já era um sorriso de entrega ao impossível, ao inatingível —, disse: “Não obstante, você não lembrará nada durante o dia”. E voltou a pôr as mãos sobre o abajur, com a expressão obscurecida por uma névoa amarga: “Você é o único homem que, ao acordar, não se lembra nada do que sonhou”.

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Gabriel García Márquez nasceu em 1928 na pequena cidade de Aracataca, na Colômbia. Cresceu ao lado de seu avô materno, um coronel da guerra civil no princípio do século. Estudou num colégio jesuíta e posteriormente iniciou o curso de Direito, logo abandonado em virtude de seu trabalho como jornalista. Em 1954 foi para Roma, como correspondente do jornal onde escrevia, e desde então tem vivido em cidades como Paris, New York, Barcelona e México, em um exílio mais ou menos compulsório. Apesar de seu talento como ficcionista e premiado escritor, continua exercendo a profissão de jornalista.

Em 1961, recebeu o Prêmio Esso de Literatura Colombiana, em 1971 foi declarado “Doutor Honoris Causa” pela Universidade de Colúmbia, em em Nova York; em 1972, recebeu o Prêmio Rômulo Gallegos. Em 1981, o governo francês concedeu-lhe a condecoração “Légion d’Honneur” (Legião de Honra).

No dia 21 de outubro de 1982 foi agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura, quinze anos depois de ter escrito “Cem Anos de Solidão”, seu maior sucesso, traduzido em 35 idiomas e com venda calculada em mais de 30 milhões de exemplares.

Em nossos dias circula pela Internet um texto cuja autoria foi atribuída a García Márquez, um tipo de “carta de despedida”, pois estaria o autor prestes a falecer em virtude de um câncer linfático. Segundo a “Crônica do falso adeus” de Orlando Maretti, “Gabriel García Márquez, ou Gabo, para os amigos, … não apenas negou, pela imprensa, que estivesse em estado terminal como também espinafrou a pieguice do texto e seu autor, identificando-o como um subliterato latino-americano. Em recente entrevista ao jornal espanhol El País, o escritor colombiano lamenta a repercussão do texto.”

Orlando Maretti acrescenta: “…a primeira pista para duvidar da autoria é a insistência na citação vocativa de Deus. Pelo que se sabe, García Márquez é um escritor de esquerda, simpatizante do marxismo, amigo de Fidel Castro, militante de causas sociais. Enfim, um humanista engajado, mas nem de longe seu perfil lembra um religioso.”

O escritor foi reverenciado na XIII Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, em 2007.

BIBLIOGRAFIA:

Romances, contos e crônicas:

· Folhas mortas
· Ninguém escreve ao coronel
· Cem anos de solidão
· Doze contos peregrinos
· O general em seu labirinto
· O amor nos tempos do cólera
· A aventura de Miguel Littin clandestino no Chile
· Cheiro de Goiaba: Conversas com Plinio Apuleyo Mendoza
· Como Contar um Conto
· Crônica de uma Morte Anunciada
· Do Amor e Outros Demônios
· O Enterro do Diabo: A Revoada
· Entre Amigos
· Os Funerais da Mamãe Grande
· A Má Hora (o Veneno da Madrugada)
· A Incrível e Triste História da Cândida Erêndira e sua Avó Desalmada
· Olhos de Cão Azul
· O Outono do Patriarca
· Relato de um Náufrago
· Oficina de Roteiro de Gabriel García Márquez: Me Alugo Para Sonhar
· Notícia de um seqüestro
. Viver para contar (memórias)
. Memórias de minhas putas tristes
. Obra jornalística – Vol. 1 – Textos caribenhos
. Obra jornalística – Vol. 2 – Textos andinos.
. Obra jornalística – Vol. 3 – Da Europa e da América, 1955 1960
. Obra jornalística – Vol. 4 – Reportagens políticas
. Obra jornalística – Vol. 5 – Crônicas

Infanto-juvenis:

. A última viagem do navio fantasma
. Maria dos prazeres
. A sesta da terça-feira
. A luz é como a água
. Um senhor muito velho com umas asas enormes
. O verão feliz da senhora Forbes

O texto acima foi publicado no livro de mesmo título e extraído de “Contos Latino Americanos Eternos”, Ed. Bom Texto – Rio de Janeiro, 2005, pág. 149, organização e tradução de Alicia Ramal.

Fonte: [ Releituras ]

gabriel-garcia-marquez

Tudo Vira Cinza

Everything Turns Grey Tudo Vira Cinza
Things don’t seem to be as easy
As they used to be
It’s getting harder everyday
To think of better things to say
About what’s going on around you
And what’s happening inside you
When it’s time to change you won’t know how
It won’t matter years from now

(chorus)
No matter what you think
Or do or say
Everything turns grey

This is it, the darkest hour
Isn’t it depressing
How our minds create an atmosphere
That won’t happen here
Unless we make some new demands
To grasp the future in our hands
You know I wish we could but it’s too late
For senseless minds that love to hate
No matter what they think
Or do or say
Everything turns grey

(chorus)

As coisas não parecem ser tão fáceis
Como elas costumavam ser
Tem ficado dificil a cada dia
Pensar nas melhores coisas para dizer
Sobre o que anda ao seu redor
E o que está acontecendo dentro de você
Quando é hora de mudar você não saberá como
Não importará os anos de agora

(refrão)
Não importa o que você pensa
Ou faz ou diz
Tudo vira cinza

E é isso, a hora mas escura
Não é deprimente
Como nossas mentes criam uma atmosfera
Que não irá acontecer aqui
A menos que façamos algumas novas demandas
Para agarrar o futuro em nossas mãos
Você sabe que eu gostaria que pudesse, mas é tarde demais
Para as mentes insensíveis que amam odiar
Não importa o que eles pensam
Ou fazer ou dizer
Tudo fica cinza

(refrão)

( Everything Turns Grey – Agent Orange)

aopl

Equilíbrio

Balance Equilíbrio
Glad to see your wide awake
This is the great escape
From a life that tried to mould you
And the lie it sold you
What would you do?
What wouldn’t you do?
What would you do?
What wouldn’t you do?
What would you do?
What wouldn’t you do?

Did you try to reason why
Look yourself in the eye
What you are is all you have been
What will be is all you do now

What would you do?
What wouldn’t you do?
What would you do?
What wouldn’t you do?
What would you do?
What wouldn’t you do?

Spill a tear as your sense of self slowly
Melts away
Melts away
Melts away

Until death’s mirror reflects
The meaning of our lives
We wander aimless and mesmerised
As the fear starts to rise.

[in background]
Can you rely on the safety of system?
Those masochistic messages run deep into your soul
Tearing through years of subconcious defences
In a split second the foundations for a peaceful
fulfilling life can be blasted away to the four corners
of reality almost as if it were an act of truly evil god

Feliz em ver você acordar
Esta é a grande fuga
De uma vida que tentou moldar você
E a mentira que te vendeu.
O que você faria?
O que você não faria?
O que você faria?
O que você não faria?
O que você faria?
O que você não faria?

Você tentou entender porquê?
Olhe nos seus próprios olhos
O que você é é tudo o que você tem sido
O que será é tudo o que você faz agora

O que você faria?
O que você não faria?
O que você faria?
O que você não faria?
O que você faria?
O que você não faria?

Derrame uma lágrima enquanto seu senso de si lentamente
Desaparece…
Desaparece…
Desaparece…

Até que o espelho da morte reflete
O significado de nossas vidas
Nós caminhamos sem destino e hipnotizados
Enquanto o medo começa a surgir.

[fundo]
Você pode confiar na segurança do sistema?
Essas mensagens masoquistas vão para dentro de sua alma
Chorando através de anos de defesas subconcientes
Em uma fração de segundo as fundações de uma vida
pacífica e satisfatória pode ser mandada por uma explosão pelos quatro cantos
da realidade quase como se fosse o ato de eu deus diabólico

Universo veio do nada, dizem físicos

The_Void

por Salvador Nogueira

O mundo da cosmologia foi abalado no mês passado pelo bombástico anúncio de que um experimento americano havia detectado confirmação da expansão violenta do Universo após o Big Bang — um processo que teria acontecido no primeiro bilionésimo de bilionésimo de bilionésimo de bilionésimo de segundo após o nascimento do cosmos. Agora, um trio de físicos chineses diz que pode explicar o instante inicial, o momento exato do surgimento do Universo. E o cosmos inteiro, tudo que existe, teria nascido do nada.

É isso mesmo. Do nada. Deixe essa conclusão assentar por alguns segundos, porque é de abalar todas as estruturas.

Agora, vamos qualificar essa ideia. Nem é preciso dizer que se trata de uma afirmação para lá de controversa. Como a expansão inicial — chamada de inflação cósmica — teria “apagado” qualquer sinal de algo que aconteceu naquela minúscula fração de segundo antes dela, não existe esperança de encontrar confirmação observacional deste fato.

Por outro lado, é exatamente a conclusão a que você chega quando aplica a mecânica quântica ao estudo da origem do Universo. E não existe na física uma teoria mais testada e retestada que essa. Todos os nossos estudos da física de partículas — incluindo a recente descoberta do bóson de Higgs, tão celebrada — confirmam sua solidez.

VÁCUO EM TERMOS

Há tempos os cientistas já sabem que o que chamamos de vácuo não é realmente a ausência completa de tudo. Isso porque a mecânica quântica nos confronta com uma ideia muito maluca: coisas podem existir e não existir ao mesmo tempo. Todas as partículas são, na verdade, ondas de probabilidade.

Isso significa que no vácuo, a cada dado momento, existe uma probabilidade não-nula (ou seja, maior que zero) de que uma partícula esteja ali. E tudo bem, contanto que essa partícula só exista por uma minúscula fração de segundo antes de ser destruída, preservando assim um dos pilares da física, que é a lei de conservação de matéria/energia do Universo. É a proibição do almoço grátis, que se manifesta da seguinte maneira: a cada vez que a lei das probabilidades faz o vácuo gerar partículas, elas nascem aos pares, que logo se aniquilam e desaparecem. Por essa razão, elas são chamadas pelos físicos de partículas virtuais.

Disso tiramos duas conclusões importantes. A primeira: não existe nada de mágico no surgimento de partículas a partir do nada — o vácuo faz isso o tempo todo. E a segunda: como essas partículas em geral desaparecem numa mínima fração de segundo, isso tem efeito zero no total de energia no cosmos.

É bom lembrar que as partículas virtuais são mais que uma hipótese. Elas são confirmadas, por exemplo, nas colisões promovidas no LHC. Ninguém duvida que o vácuo possa parir coisas do nada. Há demonstração experimental desse fato. E por isso a ideia de que o Universo nasceu do nada sempre foi atraente para os cientistas.

Outra alternativa seria supor que o Universo nasceu de outro Universo, mas isso só transfere a pergunta deste para a encarnação cósmica anterior. Uma terceira opção, menos favorecida pelos físicos, é a de que um Criador teria concebido o cosmos, 13,8 bilhões de anos atrás. Naturalmente, não é a favorita da maioria dos cientistas, e nem é por desgostarem das religiões. O problema aí é que, quando você evoca Deus para explicar alguma coisa, a ciência termina. Não há como testar essa hipótese — nem por matemática, nem por observação. É um beco sem saída do ponto de vista científico. (Não quer dizer que não seja verdade; só quer dizer que a ciência jamais pode chegar a essa conclusão, por definição. E a atitude de dispensar Deus das explicações tem sido recompensadora para os cientistas durante séculos — pelo menos desde que eles decidiram que trovões não eram manifestações de uma divindade furiosa.)

Pois bem. Por essas razões todas, a noção de que o Universo nasceu do nada é atraente. Mas ninguém havia apresentado uma prova matemática rigorosa de que podia funcionar deste modo. Até agora.

AFIRMAÇÃO EXTRAORDINÁRIA

“Neste trabalho, nós apresentamos esta prova, baseados nas soluções analíticas da equação de Wheeler-DeWitt”, afirmam corajosamente Dongshan He, Dongfeng Gao e Qing-yu Cai, físicos da Academia Chinesa de Ciências, num artigo recém-publicado na rigorosa revista científica “Physical Review D”. O título do trabalho? “Criação espontânea do Universo a partir do nada.”

A tal equação mencionada é um instrumento importante que está sendo usado no desenvolvimento das teorias de gravidade quântica — uma tentativa de reunir a relatividade geral (que descreve a gravidade) e a mecânica quântica (que explica todo o resto) no mesmo balaio. Ninguém sabe ainda qual versão dessas teorias vingará, mas aproximações ocasionais são possíveis. É o caso aqui.

Seguindo rigorosamente a matemática, os pesquisadores concluem que, a partir de flutuações quânticas de um “falso vácuo metaestável”, um desfecho natural é a criação de uma pequena bolha de vácuo verdadeiro, que então infla agressivamente por uma fração de segundo e então para, exatamente como previsto e confirmado nas observações que temos à disposição.

OK, para tudo. Meu reflexo aqui foi: bacana, mas que diabos é um “falso vácuo metaestável”, o suposto fabricante do Universo? Perguntei a Qing-yu Cai, e ele me explicou que é chamado de falso porque ele teria mais energia do que a presente num vácuo verdadeiro (embora ainda fosse vácuo), e metaestável porque é um estado que não se sustenta por muito tempo. “Ele pode decair para um estado de vácuo verdadeiro por flutuações quânticas”, afirma Qing-yu Cai. “No artigo, demonstramos que uma vez que uma pequena bolha de vácuo verdadeiro seja criada por flutuações quânticas de um falso vácuo metaestável, ela pode expandir exponencialmente. Quando a pequena bolha de vácuo verdadeiro se torna grande, a expansão exponencial termina, e o Universo-bebê aparece.”

Incrível, não é? Mas ainda falta uma coisinha. Descobrimos aí de onde veio o espaço-tempo que habitamos — é a tal pequena bolha de vácuo verdadeiro que se expandiu durante o período de inflação cósmica. Mas não está faltando alguma coisa, não? E toda a matéria do Universo? Sem ela, isso aqui não teria a menor graça. De onde ela pode ter vindo?

Os pesquisadores explicam isso de maneira graciosa ao final de seu artigo. E a chave está nas partículas virtuais, que já mencionamos anteriormente. Veja o que eles dizem:

“Em razão do princípio da incerteza de Heisenberg, deve haver pares de partículas virtuais criadas por flutuações quânticas. Falando de maneira geral, um par de partículas virtuais irá se aniquilar logo após seu nasicmento. Mas duas partículas virtuais de um par podem ser separadas imediatamente antes da aniquilação pela expansão exponencial da bolha. Logo, haveria uma grande quantidade de partículas reais criadas conforme a bolha de vácuo se expande exponencialmente.”

Ou seja, a expansão súbita (lembre-se, por uma mínima escala de tempo, o Universo cresceu mais depressa que a velocidade da luz!) converteria os pares de partículas virtuais em reais, ao separá-las e levá-las a cantos opostos do cosmos. Eis aí a matéria-prima para tudo que existe, inclusive você e eu.

Vamos combinar que pode até não ser verdade, mas é uma história convincente e bem fundamentada.

E O FUTURO?

Ao navegar por essas águas complicadas, contudo, o Mensageiro Sideral ficou com uma preocupação. Se o vácuo pode parir um Universo inteiro do nada, quem garante que não vai acontecer agora, neste instante, e rasgar o nosso espaço-tempo em favor desse novo bebê cósmico? Perguntei a Qing-yu Cai, mas ele me tranquilizou.

“Quando a bolha de vácuo se torna suficientemente grande, seu potencial quântico que é tal que a energia para expansão exponencial será muito pequena, e portanto a expansão exponencial irá parar. O escalar do vácuo atual é muito grande, e seu potencial quântico é negligenciável”, disse. “Na minha opinião, se o espaço pudesse ser dividido em pequenas partes diferentes, isso iria rasgar o nosso Universo. Mas o espaço-tempo é um todo, não pode ser separado arbitrariamente. Isso impede nosso vácuo atual de passar por esse processo de novo.”

Ótima notícia. Seja lá qual for sua crença a respeito da origem do Universo, todas as alternativas apontam para o fato de que ele foi feito para durar.

Fonte: [ Mensageiro Sideral ]

O Que Você Quer Saber de Verdade

Vai sem direção
Vai ser livre
A tristeza não
Não resiste
Solte os seus cabelos ao vento
Não olhe pra trás
Ouça o barulhinho que o tempo
No seu peito faz
Faça sua dor dançar
Atenção para escutar
Esse movimento que traz paz
Cada folha que cair,
Cada nuvem que passar
Ouve a terra respirar
Pelas portas e janelas das casas
Atenção para escutar
O que você quer saber de verdade

(O Que Você Quer Saber de Verdade – Marisa Monte)