O bom suicida

tirinha1641

O BOM SUICIDA

Veio a público e disse: “Bandido bom é bandido morto” e caiu fulminado. Morreu.

Ele via na tevê “mascarados destruindo tudo que viam pela frente” e não teve dúvidas: “tem que matar!” Ele via na tevê a realidade das ruas e dizia: “Tem que matar, tem que matar!” E morreu.

É que, naquele dia fatídico, excitado incitou. A matar. E daí!? Daí que matar não está na lei. Daí que incitar a matar é crime. Crime de incitação ao crime*. Entendeu? E morreu.

Antes de expirar, arfante, disse coisas que só os defensores de vagabundos ousariam dizer. Disse que seu caso era diferente, falou em liberdade… em liberdade de expressão! Não disse nada sobre leis frouxas para a bandidagem ou justiça lenta. Não teve tempo. Morreu.

Seu desejo se realizou: a justiça e as leis não eram mais nem frouxas e nem lentas! Enfim, a “tolerância zero” em segundos chegou para ele. Que morreu.

Esforçando-se em sensibilizar o destino, num último suspiro, disse que não era bandido. Nem marginal. Nem vagabundo. Ele disse que era um homem de bem. E morreu.

Mas antes de morrer ele ainda ouviu uma voz lá do alto lhe dizer que a lei era, enfim, igual para todos: bons ou maus. E que, se ele era mesmo um homem bom, que ficasse tranquilo e em paz, porque a justiça se fez: afinal, “bandido bom é bandido morto”. E morreu sem direito a apelação.

*Art. 286 do Código Penal: Incitar, publicamente, a prática de crime.”

por Ricardo André

Sobre os problemas na comunicação

por Januse Castro

Entre tantas ideias equivocadas que vemos por aqui, esta me chamou atenção: “Eu sou responsável pelo que digo, não pelo que vc entende”.

Antes de mais nada, egocentrismo mandou lembranças… E em tempos de internetês, onde pouca gente faz uso correto da ortografia e quase ninguém conhece as regras básicas de pontuação, fica muito difícil entender o que certas pessoas querem dizer.

A comunicação, como o amor, precisa do empenho de todos os envolvidos para que aconteça. A comunicação pressupõe uma relação e o intuito de entender/se fazer entender… Se falo em português com alguém que só compreende inglês, não há comunicação, a não ser que os dois avancem numa direção que sirva a ambos… como a mímica. Se me expresso como bem quero, sem considerar o alcance do entendimento do outro, pode ser que a comunicação não aconteça. Da mesma forma, se não me esforço em entender a forma como o outro se expressa, preso aos padrões que conheço, pode ser que eu nunca entenda o que o outro quer dizer, por mais que ele tente.

“Eu sou responsável pelo que digo, não pelo que vc entende”. DIZER é um verbo, uma AÇÃO… toda ação gera uma CONSEQUÊNCIA. Se somos responsáveis pelas consequências de nossas ações, somos responsáveis pelo que dizemos e por como fomos compreendidos… Se alguém não pretende arcar com as consequências do que diz, incluídas aí as interpretações diversas, melhor seria calar a boca!

É preciso achar um caminho em comum… Na comunicação, como no amor, é preciso ser… amoroso.

Fonte: [ Perfil no Facebook ]

Só de Sacanagem

Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar?
Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, do nosso dinheiro que reservamos duramente pra educar os meninos mais pobres que nós, pra cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais.
Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem pra aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração tá no escuro.
A luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam:
” – Não roubarás!”
” – Devolva o lápis do coleguinha!”
” – Esse apontador não é seu, minha filha!”
Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar. Até habeas-corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar, e sobre o qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará.
Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda eu vou ficar. Só de sacanagem!
Dirão:
” – Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba.”
E eu vou dizer:
“- Não importa! Será esse o meu carnaval. Vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos. Vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau.”
Dirão:
” – É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal”.
E eu direi:
” – Não admito! Minha esperança é imortal!”
E eu repito, ouviram?
IMORTAL!!!
Sei que não dá pra mudar o começo, mas, se a gente quiser, vai dar pra mudar o final.

(Elisa Lucinda)